terça-feira, 7 de abril de 2009

Os generais da fé e o discipulado.


Existe um tipo de discipulado muito comum em algumas igrejas evangélicas. Nele, o discipulador ultrapassa os limites da racionalidade tomando decisões unilaterais quanto à vida do seu discípulo. Nesta perspectiva, o que discípula tem poder para determinar aquilo que o seu seguidor deve fazer. Sei de casos de pessoas que não podem viajar sem que o seu discipulador autorize, ou de outros que não podem vender absolutamente nada, sem que a autoridade espiritual concorde com o feito. Além disso, é comum observarmos que os discipuladores em questão usam do nome de Deus para decidir se o discípulo deve ou não namorar, se pode ou não ir para a praia, se deve ou não se mudar, ou como deve se portar dentro de suas próprias casas.
Como inúmeras vezes compartilhei, confesso que tenho estado impressionado com a capacidade de alguns dos evangélicos em criar coisas novas. Se não bastasse a “hierarquização do reino” onde apóstolos governam com mão de ferro seus súditos, nossos arraiais têm sido tomados pelo súbito aparecimento de estruturas monárquicas, onde pastores e líderes em nome de Deus mandam e desmandam na vida alheia. Tais homens, como ditadores da fé, têm feito do rebanho de Cristo propriedade particular. Além disso, os homens de Deus em questão, sem o menor constrangimento “coronelizaram” a comunidade dos santos, obrigando a seus liderados a se submeterem sem questionamento as suas ordens e determinações.

Em estruturas como estas, é absolutamente comum exigir-se dos crentes, submissão total. Em tais comunidades, a vida cristã é regida exclusivamente por um sistema onde coronelismo e arbitrariedade se misturam. Infelizmente, aqueles que porventura ousem opor-se a este estilo de liderança, sofrem sanções das mais estapafúrdias possíveis.

Em nome de Deus, tais pessoas rogam “pragas e desgraças” para aqueles que em algum momento da vida se contrapuseram a seus sonhos e vontade. É nesta perspectiva, que tem emergido em nossas comunidades o toma-la-dá-cá evangélico. Basta discordar da forma do pastor conduzir o rebanho, que lá vem maldição. Em certas igrejas a palavra “rebeldia” tem sido usada para todo aquele que foge dos caprichos fúteis de uma liderança enfatuada. Em tais comunidades, discordar do pastor quase que implica com que o nome seja colocado na “boca gospel do sapo”.

Para piorar, tais líderes partem do pressuposto que o pastor em nome de Deus tem o poder de amaldiçoar outras pessoas através da oração positiva e determinante. Em outras palavras, tal ensinamento afirma categoricamente que aqueles que agem desta maneira, podem rogar ao Senhor da glória o aparecimento de desgraças e frustrações na vida de seus desafetos, determinando assim a desventura alheia.

À luz disso, não tenho a menor dúvida em afirmar que comportamentos como estes não ficam a dever em nada aos trabalhos de macumba e vodu que são feitos nas esquinas e encruzilhadas deste Brasil tupiniquim. Infelizmente a igreja evangélica mergulha em alta velocidade no buraco da sincretização, deixando pra trás valores, virtudes e princípios onde a afetividade e o amor deveriam ser marcas indeléveis de uma comunidade que conhece a Cristo.

Amados, não nos esqueçamos que somos o povo Deus, nação santa, sacerdotes do Deus vivo. Na perspectiva do reino, todos absolutamente TODOS possuem acesso ao trono da graça não necessitando assim criar estruturas monárquicas fundamentadas em experiências muitas das vezes esquizofrênicas e adoecedoras. Quero ressaltar que para nós cristãos, a essência da igreja resumi-se na maravilhosa verdade que nos ensina que fomos chamados para fora deste sistema perverso, ambíguo e separatista, e que agora, independente de classe, cor, posição social, reunimo-nos TODOS indistintamente em torno do Cristo nosso Senhor como a comunidade dos santos.

Soli Deo Gloria.

6 comentários:

Éverton Vidal disse...

A igreja que freqüento fica na Bolívia que é onde moro e estudo, mas no momento estou no Brasil e visitando uma igreja da qual já fui membro, percebi que aderido a esse tipo de discipulado citado por você. Lamentei muito. Parece ser a última moda no meio evangélico...

Assino embaixo do seu texto.
Abraço.
Inté.

Alessandro disse...

Olá!

Estou usando este espaço para divulgar o blog "Salvos Pelo Amor!"

Não deixem de conferir!

Abraço.

http://salvospeloamor.blogspot.com/

Rodrigo Melo disse...

Como vai Éverton? Obrigado pela visita em meu humilde blog, li uns trechos de sua entevista no Celebrai!, espero que tenha conseguido ler todo o post! rsrsr

Então, sobre a questão do discipulao é realmente triste saber que igrejas estão se afundando por agirem dessa forma...

Ps. Créditos a Renato Vargens http://renatovargens.blogspot.com/

FERREIRA disse...

COMO É FACIL FALAR DE PESSOAS, SEM MESMO NUNCA TER CONVIVIDO COM ELAS, ACHO QUE FICA MAS FACIL PROCURAR CONVIVER MAS E FALAR MENOS.

Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça.ROM:1.18

Rodrigo Melo disse...

Olá Ferreira, obrigado pela visita e espero que tenha lido o(s) post(s).

Concordo com vc em gênero, número e grau. Precisamos conviver com as pessoas antes mesmo de falar qualquer coisa a respeito delas, ou como vc mesmo disse, falar menos.

Eu aprendi, tardiamente, que mesmo convivendo e conhecendo as pessoas, não se deve falar delas (nem bem, nem mal).

Em Eclesiastes 3 temos exemplos de que há tempo para tudo... verso 8 por exemplo "...tempo de amar e tempo de odiar, tempo de lutar e tempo de viver em paz.", mas prefiro e me sinto vivendo o verso 12 "... Descobri que não há nada melhor para o homem do que ser feliz e praticar o bem enquanto vive."

Ainda meditando em Eclesiastes 3 verso 7 "... tempo de calar e tempo de falar.", pelo visto vc está no seu tempo de falar e caso queira conversar a respeito do que penso sobre determinado assunto, determinado post, ou até mesmo para jogar conversa fora, me escreva, meu e-mail é rodrigomelo@irmaos.com.

Abçs e PaZ.

Emerugência na Igreja disse...

òtimo texto,a mais pura verdade... parabéns que Deus abençoe mano!

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