segunda-feira, 29 de junho de 2009

A Graça e a "graça" na Igreja piauiense.


Quando se confia o púlpito de uma igreja a quem não tem preparo, o que deveria ser um culto pode tornar-se um verdadeiro show de humor. Era o que acontecia, às vezes, na Igreja Evangélica Assembléia de Deus do município de Bom Jesus do Gurguéia, no extremo sul do Piauí. Principalmente depois que o pastor começou um processo de abertura de congregações nos bairros da cidade.

Não se sabe por qual motivo, mas um rapaz convertido há pouco tempo foi empossado como dirigente de uma dessas congregações. Tenho que concordar que ele até tinha boa intenção, mas virou motivo de chacota dentro e fora da igreja por conta da forma exótica como conduzia os trabalhos.

Em um episódio, chegou cansado do trabalho e ao iniciar o culto convidou a igreja para um período de oração de joelhos. Após orar mais de 1 hora, uma irmã decidiu ir embora: - Não me avisaram que ia ser vigília! - disse. O dirigente havia dormido ajoelhado. Quando despertou não havia mais ninguém na congregação. Sabe-se lá que horas acordou!

Mas ele ficou famoso mesmo pela forma como apresentava os visitantes. Uma vez, foi direto ao assunto ao perceber que um dos visitantes havia levado a amante à igreja: - Temos o prazer de receber esta noite o Fulano e a sua RAPARIGA. (Perdoem a palavra, mas se ela foi usada no púlpito de uma igreja, não deve haver pecado em usá-la no blog).

Nessa igreja, havia também um irmão que adorava receber oportunidade para cantar. Certa noite, antes de começar a cantar na congregação Porta Formosa, esse irmão ‘liberou’ uma pérola incrível. Assim que pegou o microfone, saudou os irmãos e disse, apontando para fora da igreja: - Eu quero mandar um alô para essas gatinhas que estão sentadas aí na calçada! Nem preciso comentar a reação da igreja.

Essa foi a igreja da qual fiz parte desde o meu nascimento. Hoje moro na capital do estado, Teresina. E os episódios engraçados continuam acontecendo, com o diferencial de incluírem todo um aparato tecnológico. As estrelas da vez são os celulares.

O pastor que ‘abriu’ a congregação da qual faço parte, um senhor de idade já bem avançada, estava ministrando a palavra certa vez no culto de doutrina quando um celular começou a tocar bem alto. Ele se calou e ficou esperando que algo fosse feito. Para nossa surpresa ele disse - Ih, é o meu! – e foi lentamente procurar em qual dos bolsos estava o aparelho. Ainda com o microfone em punhos atendeu ao celular: - Alô! Enquanto isso, a igreja toda já ria baixinho. O riso contido deu lugar a tremendas gargalhadas quando ele completou (no microfone):

- E ainda é a cobrar?!

Aqui no Piauí é assim. Muda o endereço e o dirigente, mas a ‘graça’ se estende a todas as congregações!

***

(*) Dianne Nogueira é uma jovem estudante de jornalismo e talentosa blogueira piauiense. Editora de Manguita, um delicioso blog pessoal de generalidades e crônicas do cotidiano. Dianne vive hoje em Teresina, mas passou boa parte da vida em uma cidadezinha pequena do Piauí. O texto acima é sua crônica bem humorada destes tempos e desta gente de Deus. Nas suas próprias palavras: “Serva de Deus e jornalista por decisão do STF”. Dianne é a mais nova conluiada (colaboradora neste crime santo) de Genizah. Seja muito bem vinda!

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