sexta-feira, 24 de julho de 2009

Cansado de gente cansada da igreja!

Por Jarbas Aragão - via Blog dos 30!

Durante minha caminhada cristã, desde 1993 para ser mais específico, encontrei com todo tipo de crente. Gente que ama e gente que odeia a igreja. Gente que se alegra pelo crescimento dela e gente que se desespera com isso. Gente que acredita na instituição e gente que não acredita. Eu mesmo já tive altos e baixos na fé, já troquei de igreja, de denominação e de “ministério” amais de uma vez. Os motivos foram vários, desde uma questão de geografia até a mais pura e simples incompatibilidade teológica com o(s) pastor(es). Também já tive um tempo (curto) fora da igreja. Sei como se sentem os que saem da igreja.

O que me faz repensar muitas vezes até que ponto essa aparente crise de confiança na instituição que parece ter se popularizado nesta era da internet. Tenho visto nas redes sociais e nos blogs que se multiplicam diariamente muita gente só reclamar da igreja. Alguns apenas repetem o mantra “Jesus não fundou uma igreja”, outros foram profundamente ofendidos/feridos por algo ou alguém dentro de uma igreja e reagiram. De um tempo pra cá surgiram vários livros sobre o assunto, tanto nacionais quanto traduzidos. Lembro dealguns: Igreja? To fora (Ricardo Agreste), Igreja: por que me importar? (Philip Yancey), Igreja? e eu com isso (Ariovaldo Ramos) e mais recente o candidato a best seller “Por que você não quer mais ir à igreja” de Wayne Jacobsen e Dave Coleman.

Sejam os livros, sejam o blogs, todos tem seus argumentos (pró e contra) e certamente bons motivos para estimular seus leitores a irem (ou não) à igreja. Até ai eu entendo e posso concordar. O que eu não entendo é porque vemos tanta gente agir da mesma maneira que os que ele condena agem. Eu explico. Leio textos de pessoas que atacam a instituição igreja com tanta convicção e paixão que acabam mostrando o mesmo tipo de intolerância com quem pensa diferente quanto tem/teriam os membros das igrejas que eles participaram. É uma verdadeira enxurrada de material ridicularizando este ou aquele pregador, esta ou aquela igreja, este ou aquele ministério. Isso me cansa. Esse enfado proclamado aos quatro ventos enfada também! Não quero dizer que não existam pastores maus, ou igrejas que manipulam ou exploram as pessoas. Mas a premissa de fazer disso uma regra é cansativa demais. Parece que ninguém mais presta!

Realmente não vejo sentido em ficar tanto tempo argumento contra algo, se a melhor opção seria sair de trás do computador , da sua zona de conforto e fazer algo de construtivo. Essa era a motivação de Jesus, afinal não vemos no NT ele reclamando o tempo todo do sistema judaico. O Senhor que muitos desses cristãos cansados de igreja dizem seguir mostrou sua insatisfação sim, mas agiu também. Jesus não ficou apenas fazendo piadas dos sacerdotes, nem escreveu textos ridicularizando os rituais e sacrifícios judaicos, tampouco incentivou os judeus sérios a simplesmente pararem de ir ao Templo. Da mesma maneira, os reformadores foram o que o nome indica, pessoas que buscaram reformar o que estava errado. Protestante no sentido de protestar contra o que estava ruim, errado, distorcido. Quando não conseguiram o que queriam, fundaram sua própria igreja. Sim, isso causou alguns problemas (e às vezes causa até hoje). Mas ao menos foi uma atitude coerente com o que pensavam.

Hoje em dia parece que é muito mais fácil ficar em casa apontando o dedo pros erros alheios. É fácil criticar todos os pastores e todas as igrejas como se fossem tudo a mesma coisa. Não sou cego aos problemas da igreja evangélica brasileira, nem penso que o cristão sincero não pode pensar. O que me cansa nisso tudo é ver que existem tantos ministérios sérios por aí, tantos missionários que dão sua vida pelo evangelho, tanta gente que só quer anunciar a salvação e viver pra Deus. Esse em geral eu não vejo eles escreverem nada, estão ocupados demais trabalhando em prol do Reino.

A maioria do pessoal que se diz cansado (ou livre) de igreja no fundo se acha melhor que nós, “os pobres coitados” que ainda acreditam que a Bíblia ensina que existe um corpo de Cristo e que esse corpo deve se reunir, algo instituído por Deus para que o evangelho seja anunciado. Gostaria realmente de saber até aonde vai o compromisso desse pessoal que se vangloria de estar cansado e de ter se libertado da instituição. Quantas pessoas eles levaram a Jesus no último ano? Quanto investiram do seu bolso na propagação do evangelho? Quanto tempo passaram orando por mudanças na sua própria vida? Orando pelos líderes que eles gostam de atacar? Uma resposta honesta seria bem-vinda. Acho que surpreenderia a muitos.

Poderia citar aqui muitos versículos para defender a igreja, mas não preciso fazer isso. Qualquer um que leia com honestidade o NT sabe como a igreja é retratada em suas páginas. Mas realmente estou cansado desse pessoal tentar fazer com que outros abandonem os bancos das igrejas. Já estive em igrejas em quatro continentes. Ela segue existindo, quer eles queiram quer não queiram. Por mais que se acuse e se ataque, tem dois mil anos que ela anda por ai e pelo que sei só terminará com a volta de Cristo.

Termino com um pedido e um lembrete. Pedido: Sua igreja está ruim? Faça sua parte para melhorá-la. Não deu, não quer? Abra sua própria igreja (não conheço outro termo bíblico para reunião de cristãos, sorry)! Aproveite essa disposição e inteligência que Deus te deu para ajudar outros a conhecer o caminho para Deus. E o lembrete? Meus caros irmãos cansados da igreja, Lucas 6:42 também vale para você “Como poderás dizer a teu irmão: Deixa, irmão, que eu tire o argueiro do teu olho, não vendo tu mesmo a trave que está no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão.”

8 comentários:

miriam disse...

Acompanhamos mesmo um grande número de pessoas que apontam e criticam trabalho realizado por alguns líderes.

Acredito na igreja como corpo de Cristo e a necessidade do cristão em congregar.

Os problemas existem, mas não somos juízes para condenar ninguém.

Devemos seguir a Cristo, como cabeça do corpo que é a igreja

Levi Bronzeado disse...

Gostaria de fazer uma ressalva ao texto por você postado, meu caro irmão e amigo Rodrigo Melo


Os evangelhos estão recheados de paradigmas doutrinário-religiosos quebrados por Cristo; muito embora, ele tenha frequentado as sinagogas e o Templo maior da religião Judaica, foi enquadrado como traidor do Judaísmo, justamente por não caber dentro das normas e parâmetros dessa instituição. Seus discípulos, ele foi buscar lá no meio da plebe considerada imunda. O conceito de um Deus-objeto da religião daquela época, realmente não podia acolher uma gente desregrada em seu meio. Os líderes religiosos não viam com bons olhos o surgimento dessa casta heterodoxa: os discípulos eram rudes, andavam armados, não oravam, não guardavam o Sábado, além do mais, seu mestre maior misturava-se com beberrões e gente da pior espécie, como os samaritanos. O procedimento dessa "gentalha" feria profundamente a "santa doutrina Judaica". Os sacerdotes (elite religiosa) que estavam no lugar de Moisés, enxergavam nisso tudo, uma grande blasfêmia, um dos maiores escândalos. A religião judaica achava que já tinha tudo, como regra de fé. Tinha o Pentateuco. Tinha os livros dos seus profetas, reis e juizes. Como poderia então aceitar um revolucionário em sua seara, pregando uma mensagem com um novo mandamento, se a história de seu Deus iniciava em Gênesis e terminava em Malaquias.

Passado dois mil anos, tudo continua como dantes. A religião vestiu apenas uma nova roupagem, porém seu corpo continua o mesmo. Quem quiser comprovar que tente desnudá-la.

Graça e Paz,

Levi B. Santos (um cansado da instituição - igreja)

Rodrigo Melo disse...

Olá Miriam!

Confesso que já fui assim. Já pensei em desistir da igreja. Confesso que já me comportei como muitos, achando defeito em tudo e em todos (a gente acaba esquecendo que perfeição só encontramos n'ELE). Por muito tempo andei longe da igreja e pensava que esse caminho era o certo, mas sempre deparava-me com algo que me dizia para voltar... a questão é que talvez eu nunca tivesse deixado de acreditar na igreja, essa continuou sendo a (minha) verdade, de que necessitamos, como cristãos, congregar...

Graças a Deus, voltei à igreja do Senhor. O nome dela pouco importa, o que importa é refletir verdadeiramente o Cristo através da minha vida!

Obrigado por visitar e comentar, és bem-vinda sempre!

A Paz!!

Caro Levi Bronzeado!

Sou muito grato por suas palavras, principalmente por me chamar de "irmão" e "amigo", honra-me com essas palavras e as retribuo da mesma forma!

Seu comentário aqui foi algo como ... tirar a venda dos olhos. Não havia pensado desta forma e como sempre você consegue trazer uma perspectiva nova.

Contudo, me vem um pequeno momento de reflexão, vemos na figura de Jesus, paradigmas sendo quebrados, pois tudo o que Ele fez foi contraditório a época, foi audacioso digamos assim. Mas hoje em dia, falar com uma prostituta não é algo para se escandalizar, andar com beberrões já não é tão assustador assim, e talvez por isso muitos estejam procurando ocupar-se com algo ainda maior, daí nascem as campanhas, os apelos dos tele-evangelistas, as passeatas com multidões em nome de Deus, os shows intermináveis com multidões aos prantos por causa do 'deusinho' alí cantando em nome de Deus, o lenço, o sabonete, o shofar, a arca, enfim. Acho que é nesse momento que literalmente não vivemos o Cristo em nós, quando desistimos de mudar, quando nos colocamos em reta-guarda, quando não nos importamos mais. Falo isso como um legítimo cansado da instituição, mas acredito que, assim como você, não quero estar cansado para todo o sempre.

Como no texto do post diz "... Ela (a igreja) segue existindo, quer eles queiram quer não queiram. Por mais que se acuse e se ataque, tem dois mil anos que ela anda por ai e pelo que sei só terminará com a volta de Cristo..." e esse é um dos motivos que me faz pensar em estar na igreja e não abster-me dela.

Mais uma vez, agradeço por suas palavras!

A Paz!

Pastoragente disse...

Oi, Rodrigo!!! Fiquei super feliz por ver vc em meu blog, mas melhor ainda foi ter tido a oportunidade de conhecer o seu.
Por ter postado esse texto do Jarbas entendo que vc concorda com ele, não é? Eu também!
Apesar de ter um blog mais voltado à crítica, minha acidez não seria contra a instituição em si - visto que sou Pastora de uma, junto com meu marido.
Penso que o que "estraga" a sede de comunhão é o comportamento COLETIVO.
Jesus não mentiu, ele pregou a comunhão e lutou por isso!
Paulo aconselhou que não deixássemos de congregar, como era costume de muitos já naquela época.
Pensar em desistir???
Jáááá...dezenas de vezes, mas se a gente ficar na caverna não vai voltar os olhos e perceber (como Elias) que ainda existem milhares de profetas verdadeiros, cuja espada não matou, cuja corrupção não consumiu, cuja máscara não aceitaram.
Abração.
Já estou seguindo seu blog!

Pastoragente disse...

Ah, tem só mais uma coisinha: não dá idéia pra quem é doido pra abrir ministério próprio, kkk. Se isso for acontecer na proporção da insatisfação, meu amado...aí que não sobrevive ninguém. Um abraço.

Anônimo disse...

pra mim não é uma questão de canseira mas sim de falta de envolvimento e falta de submissão, na realidade fazer parte de uma instituição tão maravilhosa como é a igreja é coisa para trabalhadores e corajosos e não para preguiçosos e covardes é isso ai pra mim é coisa de quem não quer pegar no pesado, sinto muito pela sinceridade mas quem rala de verdade para manter a instituição funcionando por milhares de anos sabe do que estou falando.

Rodrigo Melo disse...

Caro Anônimo,

Será que você leu o post inteiro ou só o título?!

Isaias Medeiros disse...

Belo post, apenas levemente danificado pelo comentário do comunista bronzeado. Jesus não foi um "revolucionário". Só mesmo um comunista pode dizer tamanha blasfêmia. Se você realmente cresse, Levi, que Jesus foi o próprio Deus encarnado, jamais lhe passaria pela cabeça que Aquele que criou os céus e a Terra precisasse "revolucionar" a sua própria criação. Revolucionário é Satanás. Este o foi desde o princípio. Ademais, é impossível que um médico não saiba o que realmente significa o termo em questão: um subversivo, um marginal. E não venha com essa conversa mole de que "Jesus andava à margem da sociedade" e coisa e tal. Jesus não andava. Ele apenas dava chances àqueles que estavam desviados de Deus, mas sempre exigindo a mudança de atitudes, ou seja, que saíssem da marginalidade espiritual. Mais uma vez repito: se você realmente acreditasse na divindade de Jesus não diria essas coisas.

Não o ouça, Rodrigo, teus ouvidos não são penicos.

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