quinta-feira, 2 de julho de 2009

Louvar é preciso!

Por Danilo Fernandes - Genizah

Outro dia eu estava conversando com amigos e constatamos que alguns grupos parecem intimidados no momento do Louvor. Em geral, são pessoas de mais idade e, em particular, irmãos de origem não protestante. É coisa fácil de notar basta ver como estas pessoas geralmente chegam mais tarde à igreja, já perto do momento da Intercessão ou da Palavra.

As razões são muitas. Já ouvi de tudo. Desde vergonha de cantar, preguiça de ficar de pé, comodismo frente a um momento de menor importância no culto (há quem pense assim), receio de transparecer a emoção e até certo incomodo com a falta de reverência que alguém venha a apresentar durante o Louvor (segundo a tradição de quem observa).

Quando eu me converti, no final da década passada, o primeiro Louvor com música contemporânea de que participei foi um cruzamento de terremoto com tsunami! Daí que, mesmo já crente, fiquei por um bom tempo ressabiado nesta hora: Torcendo para o sermão começar, ancorando as mãos nos bolsos e mantendo a emoção sob controle. Com o tempo, a experiência do primeiro louvor foi se esmaecendo...

Minha perspectiva do momento do Louvor passou a se centrar na minha relação com o tipo de música tocada, na afinação dos ministros, no meu estado emocional, etc. Uma visão bem prática do Louvor como um instrumento pré-pregação com foco nas pessoas presentes ao culto. Eu achava que a função principal do momento de louvor musical era preparar a consciência das pessoas para receber a Palavra, ou um pano de fundo para as orações ou, ainda, um facilitador para as experiências emocionais e espirituais que iriam se dar somente adiante no culto.

Até que um dia alguém “puxou as minhas orelhas” e me lembrou que este momento – o Louvor - é o mais importante para o salvo. Não é disciplina eletiva. É hora de se voltar inteiramente para o Senhor e simplesmente agradecer (e Louvá-Lo). Não se trata de mim. A importância do Louvor está adiante de mim. Esta Nele!

Ora, se é assim: Por que este momento tão especial de agradecimento e exaltação ao Senhor é feito primariamente através da música? Por que é tão fundamental que o crente não perca um só minuto desta oportunidade especial com Deus?

“A igreja de Cristo nasceu em música”. Afirmou Ralph Martin em seu livro chamado Worship in the Early Church. O povo de Deus é um povo musical, um povo cantante. E há uma razão para isto: A compreensão da maravilhosa realidade da existência de Deus. Externalizar isto exige mais do que expressão do falar. A realidade de Deus e de Sua Obra é tão estupenda que nós nem sequer podemos tentar pensar minimamente sobre isto sem sentir que qualquer que seja a nossa expressão diante deste fato, esta já é insuficiente e indevida. Ou seja, em se tratando de Louvor, estamos sempre devendo!

Jonathan Edwards, que conheceu como poucos a realidade de Deus. Realidade que preencheu de compreensão sua mente estupenda e de paixão seu coração imenso, fazendo dele o príncipe dos pregadores, estava certíssimo ao afirmar que Deus também se glorifica através das Suas criaturas, de duas formas:

1) Mente - Ao se fazer presente ao seu entendimento e compreensão (mesmo que apenas em mínima porção do Seu infinito Ser).

2) Emoção - Ao se comunicar direto ao coração das pessoas, provocando encantamento, prazer, deleite, consolo, etc. De tal maneira que Deus é glorificado não somente em Si e Por Si, mas na emoção e no deleite dos que O recebem em seu coração.

John Piper, pregador americano, diz: A Gloria de Deus é recebida por todo o ser, toda a alma, pois é percebida pelo entendimento e pelo coração. Vai daí, que quando se percebe este fato é que se começa a ver o papel vital da música e do canto na Adoração Cristã. É através do nosso canto, da nossa exaltação, que abrimos espaço para a emoção e preparamos o coração para receber a Gloria de Deus não apenas no racional, mas também no emocional! Não dá para ficar sem!

Contudo, mais importante do que abrir um canal estéreo (Dolby Surround, etc.) com Deus para receber a Sua Glória em nós é poder fazer uso desta expressão mais completa, juntando mente e emoção, para nos achegar a uma possibilidade de expressão minimamente aceitável de descrever a maravilhosa realidade de Jesus e o nosso agradecimento por Sua Obra em nossas vidas!

Um comentário:

Sapão - André Luís Oliveira disse...

Rodrigo,

a Bíblia já fala "todo ser que respira louve ao Senhor". Ela não fala se estivermos bem ou mal, ou tristes ou alegres, etc.
O louvor é quem liberta e vale a pena louvar porque ele nos faz cumprir nosso papel como cristãos. Se não estamos a fim de louvar, é importante insistir para libertamos de nós mesmos

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