domingo, 30 de agosto de 2009

Síndrome de Mártir!

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Por Odair Mercham Junior Caminho Plano - Via Emeurgência

Muitos cristãos de hoje se julgam perseguidos por seus líderes, por liderados, por sistemas, por patrões e até por familiares. Embora saibamos que a perseguição é uma realidade cada vez mais presente no meio dito evangélico, o fato é que em muitos casos o suposto “perseguido” está apenas sendo vítima de sua própria mente.

Algumas pessoas mencionam até alguns textos bíblicos na tentativa de se auto-identificarem como “injustiçados”. Pensando serem portadores da “verdade do SENHOR”, tentam impor sua vontade ao resto do mundo, rotulando os que pensam diferente como “rebeldes”, “sem visão”, “ultrapassados” e coisas do tipo.

Casos envolvendo este tema têm se multiplicado dentro de nossas igrejas, e em grande parte dizem respeito a liderados tentando dominar seus líderes, ou vice-versa, especialmente na relação de pastor com ovelha. Por trás disso tudo está o espírito de manipulação atuando dentro do corpo de CRISTO, e aplaudindo as maquinações que existem entre aqueles que deveriam conviver como irmãos.

Um dos reflexos da manipulação na igreja é aquilo que chamamos de “SÍNDROME DE MÁRTIR”. A pessoa crê que está certa em seu modo de pensar, agir e conduzir as coisas, passando a considerar todos os que pensam diferente como não possuidores de uma visão que ele mesmo acredita ter; desta forma, passa a interpretar qualquer tentativa de diálogo como “perseguição” e tenta de alguma maneira prevalecer sobre os demais. Na verdade esta é uma tentativa de estabelecer o seu próprio reino.

Como toda doença, a “SÍNDROME DE MÁRTIR” deve primeiro ser diagnosticada antes de ser tratada. O grande problema é que geralmente os portadores desta SÍNDROME não conseguem “olhar primeiro a trave que está em seu próprio olho" (Lc 6.42); e seguem assim, “coando mosquito e engolindo camelo” (Mt 23.24). Isto porque um dos sintomas da SÍNDROME é a cegueira para os assuntos relacionados à própria pessoa.

Somos parte do Reino do SENHOR, mas muitas vezes nos posicionamos uns contra os outros tentando erguer cada um o seu próprio reino. E como pode um reino dividido subsistir?

Está registrado na Bíblia o exemplo de um rei que arquitetou o nascimento de seu próprio reino. Seu nome era Absalão. Para chegar ao trono ele manipulou, tramou, fez-se de bonzinho e tornou-se carismático, ganhando intencionalmente a confiança do povo. Mas também se desgastou, revestiu-se de uma autoridade insustentável, colheu o que plantou, e por fim morreu. Mas não como MÁRTIR.

Aí está uma das grandes questões desta SÍNDROME: a motivação. Pessoas de todos os lugares estão dispostas a dar tudo o que tem, passar por cima de princípios e valores cristãos, e até morrer, tudo pelo seu reininho. Muitas vezes o nome do reininho é “minha igreja local”, “minha denominação”, “meu ministério”, “meu CD”, “minha empresa”, “meus dons...”.

Reconhecemos que muitas destas coisas são bênçãos que o SENHOR têm colocado nas mãos de seus filhos. A questão não é essa. A questão é quando estas coisas ocupam o lugar de absoluta primazia, afastando-nos da essência e infectando-nos.

MÁRTIR de certa forma é aquele que morre diariamente para o seu próprio eu, abrindo mão da construção de seu próprio império. Igualmente o é aquele que está disposto a morrer pelo REINO (com R maiúsculo) e não pelo seu próprio reininho.

Você crê sinceramente que está certo em sua posição, quando algumas ou várias das pessoas de seu convívio lhe alertam?

Você tem dificuldade de se submeter à sua liderança naquilo que esteja de acordo com a vontade de DEUS?

Você tende a se aproveitar quando está em posição de proeminência?

Você conduz seus relacionamentos de forma a induzir reações, impor sua vontade ou provocar situações?

Você manipula verdades a fim de induzir pessoas a pensarem como você quer que elas pensem?

Você, que é líder, vive com a sensação de que sua posição está ameaçada por alguém, e tende a reagir a isso?

Você que é pastor (a), tem pregado em sua congregação a doutrina da “submissão pastoral total?”

Você que é mulher casada tem exercido o sacerdócio no seu lar, dominando seu esposo?

E você que é homem casado, tem abusado de sua posição no lar para exigir que sua esposa satisfaça seus caprichos?

Se algum de nós respondeu SIM para apenas uma das perguntas acima, pode ser sinal de porta aberta para a contaminação. Na verdade, pode ser a própria contaminação. Tenhamos cuidado! Esta SÍNDROME tem afastado a muitos da boa, agradável e perfeita vontade de DEUS.

Por causa dela muitos homens e mulheres estão rumando de encontro aos ramos do carvalho. A tendência é que logo fiquem pendurados pelos cabelos, como Absalão (II Samuel 18: 9, 10). E o pior é muitas vezes não sabem disso.

O que fazer? Na dúvida, pare tudo. Tire um tempo para meditar em sua própria vida. Retire-se. Vá para o deserto. Fique em silêncio, e peça para DEUS sondar o seu coração. Como PAI, ELE não negará uma resposta e uma direção.

Que DEUS abençoe a todos!

Em CRISTO, que é a única vacina, ao mesmo tempo em que é o único antídoto que pode reverter os estragos causados pela, SÍNDROME DE MÁRTIR!

sábado, 29 de agosto de 2009

Família X Amigos - Parte 1

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Família é um pacote, não tem como fugir dela. Você pode até tentar manter certa distância, mas ainda assim será sua família. Já um amigo podemos escolher e é muito bom poder fazer tal escolha.

Poder compartilhar com um amigo nossas dificuldades, nossas fraquezas, poder desabafar, emocionar-se, tudo isso é bom! E por tudo isso é bom ter amigos.
Conversando com alguns amigos e familiares percebi que todos temos algo em comum. Somos o que somos com nossos familiares, não deixaremos de tê-los, embora a ausência seja um 'muro' quase intransponível. Notei que lutamos constantemente para não cometer com a nossa família o que fizeram conosco, e os sentimentos que antes eram de desprezo, rancor e ódio tornam-se algo parecido com 'pena'.

Que pena não ter compartilhado.
Que pena não ser observado.
Que pena não ser amado.
Que pena e nada mais!

No meu caso, esses sentimentos foram substituídos por um único sentimento de perda incalculável. Para você pode parecer cinismo da minha parte, não quero que entenda o que sinto, mas se assim o quiser é preciso ter um coração.

Muitas vezes buscamos em amigos o que não recebemos dos nossos pais, irmãos e filhos. Isso não é errado, até cometermos o excesso da dependência.

Triste é quando na escolha do amigo priorizamos o factor agregador para tirar vantagens e ter benefícios e nos esquecemos dos sentimentos. Triste também é abrir mão de um amigo, mas faz parte dessa escolha.

Amigos vem e vão, mas família é uma só.

Quero agradecer a Deus por alguns casais de amigos*, vocês são especiais!

* Marcelo e Naara / Paulinho e Adriana / Robson e Patrícia / Leonardo e Rúbia.
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Mais amigos inseridos neste post em 04/12/2009. Galera do FAPE (Si e Ton, Jouber e Nick, Neguinha, Tubinha e Andressa, Leandro do Funk e Jú, Leandro Wii e Nathy, Jean e Vanessa, Piu e Sandro, Daniel e Sirlene, Sid, Charlene)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Receita para uma igreja bem sucedida.

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Gabriel Andrada é jovem, seminarista, recém casado, e cheio de ideais. Evangélico desde o berço, diz que só se converteu de fato com 17 anos em um acampamento de carnaval. Desde a experiência de conversão, que o levou às lágrimas, participa de eventos evangelísticos de sua igreja. Agora se sente vocacionado para ser pastor. Ávido por ser “usado” por Deus, Gabriel matriculou-se em um pequeno instituto bíblico.

Gabriel me conheceu na internet e escreveu pedindo ajuda. Precisa que eu lhe ensine o “caminho das pedras” para começar uma igreja do zero. Pensei, pensei! Sem conhecê-lo, sem saber exatamente aonde o noviço quer chegar, resolvi correr o risco de responder. Disse que para uma igreja ser bem sucedida no Brasil são necessários a combinação de pelo menos dois, de quatro ingredientes.

1) Um pastor carismático. Que tenha traquejo para falar em público com desenvoltura. Que cante afinado, ou que pelo menos comece os hinos no tom certo. Que tenha boa memória para decorar versículos e saiba citá-los sem tomar fôlego. Que seja simpático e bem humorado no trato pessoal.

2) Um bom prédio em uma boa localização. Que a igreja seja em um lugar de fácil acesso. Que tenha bom estacionamento. Que seja confortável, preferivelmente com cadeiras acolchoadas, climatizado com ar condicionado. Que os banheiros limpos não cheirem a creolina.

3) Acesso à mídia. Que a nova igreja tenha programa de rádio ou de televisão. Mas que a programação ressalte as qualidades especiais do líder como o apóstolo escolhido de Deus para os últimos dias. Que repita sem parar que a igreja é especial, diferente de todas as outras. É bom que o locutor fale em línguas estranhas (glossolalia) e profetize sobre detalhes da vida dos crentes. Que crie uma aura de “poder” pentecostal e curiosidade nas pessoas de comparecerem aos cultos.

4) Teologia da Prosperidade. Que o pastor não tenha escrúpulo de prometer milagre à granel. Que a maior parte do culto seja gasto colhendo testemunhos de gente que enricou com as campanhas dos sete dias, com os jejuns da conquista, com as rosas santas, com os cultos dos Gideões, com as maratonas de oração. Quanto mais relatos, melhor.

Ressalto. Gabriel não precisa se valer de todos os pontos para se tornar o novo fenômeno gospel brasileiro. Entretanto, sem o quarto ingrediente, ele não vai a lugar nenhum. Basta que combine qualquer um com o último e seguramente se tornará um forte concorrente nos disputadíssimo mercado gospel.

Entretanto, como vai concorrer com expoentes bem consolidados, terá que trabalhar muito. Talvez precise fazer o programa de rádio ou de televisão na madrugada. No começo, para pagar o horário, terá que fazer merchandise de Ginka Biloba. Gabriel não deve ter receio de oferecer, por uma pequena oferta, lenço ungido, óleo sagrado ou água do rio Jordão. Se necessário, pode até vender cadernos escolares com a capa espiritual; tipo, um rapaz surfando e uma frase ao lado: “Cristo é ‘sur-ficiente’ para mim”.

Não sei se Gabriel entenderá a minha ironia. Caso leve os meus conselhos a sério, logo teremos uma nova igreja de nome bizarro. Contudo, quando estiver nos píncaros da glória, todos saberão que a trajetória de Gabriel Andrada não foi tão espiritual quanto se poderia supor. “Há algo de podre no reino da Dinamarca” – Shakespeare.

Soli Deo Gloria.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Servir: privilégio de poucos.

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É natural ao coração humano a busca de conforto, status, poder e tudo quanto vem agregado a estas realidades. Tiago, João e sua mãe foram até Jesus solicitar tais privilégios na consumação do reino de Deus. Jesus não disse nem que sim, nem que não, mas aproveitou para reforçar que o reino de Deus é reino de servos e, portanto, os servos são os verdadeiros governantes do mundo. No reino de Deus, o privilégio e o ônus de governar não é das “pessoas importantes”, mas dos servos, até porque, governar é servir. No reino de Deus, a maneira de governar não é exercendo domínio sobre os governados, mas servindo os governados, até porque, governar é servir. Na lógica do reino de Deus, o oposto também é verdadeiro: servir é governar.

Para servir é necessário sair da zona de conforto, isto é, fazer o indesejado, dedicar tempo para tarefas pouco atraentes, assumir responsabilidades desprezadas pela maioria, fazer “o trabalho sujo”, enfim fazer o que ninguém gosta de fazer. Para servir é necessário vencer o orgulho, isto é, se dispor a ser tratado como escravo, ter os direitos negligenciados, ser desprestigiado, sofrer injustiças, conviver com quase nenhum reconhecimento, enfim, não se deixar diminuir pela maneira como as pessoas tratam os que consideram em posição inferior. Para servir é necessário abrir mão dos próprios interesses, isto é, pensar no outro em primeiro lugar, ocupar-se mais em dar do que em receber, calar primeiro, perdoar sempre, sempre pedir perdão, enfim, fazer o possível para que os outros sejam beneficiados ainda que ás custas de prejuízos e danos pessoais.

Não é por menos que em qualquer sociedade humana existem mais clientes do que servos. Servir não é privilégio de muitos. Servir é para gente grande. Servir é para gente que conhece a si mesma, e está segura de sua identidade, a tal ponto que nada nem ninguém o diminui. Servir é para gente que conhece o coração das gentes, de tal maneira que nada nem ninguém causa decepção suficiente para que o serviço seja abandonado. Servir é para quem conhece o amor, de tal maneira que desconhece preço elevado demais para que possa continuar servindo. Servir é para quem conhece o fim a que se pode chegar servindo e amando, de tal maneira que não é motivado pelo reconhecimento, a gratidão ou a recompensa, mas pelo próprio privilégio de servir. Servir é para gente parecida com Jesus. Servir é para muito pouca gente.

A comunidade cristã – a Igreja, pode e deve ser vista, portanto, como uma escola de servos. Uma escola onde aprendemos que somos portadores do dna de Deus, dignidade que ninguém nos pode tirar. Uma escola onde aprendemos que, por mais desfigurado que esteja, todo ser humano carrega a imagem de Deus. Uma escola onde aprendemos a amar, e descobrimos que, se “não existe amor sem dor”, jamais se ama em vão. Uma escola onde aprendemos que “mais bem aventurada coisa é dar do que receber”.

Servir é mesmo privilégio de poucos. De minha parte, preferiria ser servido. Mas aí teria de abrir mão do reino de Deus. Teria de abrir mão de desfrutar do melhor de mim mesmo. Teria de abrir mão de você. Definitivamente, me custaria muito caro. Nesse caso, continuo na escola.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Creio... mas não acredito!

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O Credo Apostólico e algumas de suas desconstruções e distorções na igreja pós-moderna.


Creio em Deus Pai Todo-Poderoso criador do céu e da terra...


Mas não acredito no deus coadjuvante da teologia da prosperidade, o deus desesperado procurando agradar para ser aceito, como alguém com problema de auto-estima. Também não creio no deus totalmente submisso de algumas teologias em voga, um deus refém do nosso livre-arbítrio. Ou ainda, um deus que não é soberano para quem o futuro é tão incerto quanto para qualquer um de nós, por isso nos chama para uma parceria nessa construção do futuro. Creio em Jesus Cristo, Filho unigênito... E em seu ministério terreno: “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo e nos confiou a palavra da reconciliação” 2 Coríntios 5.18. Mas não acredito, e me recuso a fazer parte da confraria dos pregadores sem dono. Esses mesmos que saem por aí com uma Bíblia, uma toalhinha, uma roupa chamativa e um monte de frasesinhas feitas (digo ocas) na cabeça (idem). Cheio de motivações torpes, dentre as quais se destaca o avivamento “caça-níquel-com-prazo-de-validade”. A Bíblia, mero detalhe... A toalhinha faz parte da performance, no fim das contas a mensagem é só para garantir o retorno nas próximas festas, e a oferta, bom deixa pra lá...

Creio no Espírito Santo...

E na continuidade de seus dons e na distribuição conforme lhe apraz. Mas não acredito nas “profetadas”, coisa mais patética! Às vezes infestam nossos cultos “sem poder” (digo o culto) da forma mais monótona. Antigamente havia pelo menos certo “clima”, não importa se era forjado (digo o clima), hoje não tem nem clima vai à seco mesmo, é só começar um “zum-zum-zum” e lá está o tal profeta “eis que digo: tenho me agradado...” do que ? Perguntar não ofende...

Creio na Santa Igreja universal...


Mas não acredito na igreja que rompeu de vez com o sagrado, cujo culto está mais para programa de auditório, às vezes até daqueles bizarros, adorando o grande “deus entretenimento”, como bem disse A.W.Tozer. Também não acredito na igreja imperial que vive somente para se manter ou manter a cúpula, no fim é a mesma coisa. Não creio na igreja que perdeu o propósito de ser “coluna e esteio da verdade” para ser mais uma divulgadora dos best-sellers de auto-ajuda, ao invés de buscar ajuda do alto. Não acredito nas igrejas de nomes imponentes, que só expressam a megalomania dos seus lideres, puro marketing!

Creio na comunhão dos santos...

Sim, creio na comum unidade da Igreja, mas não acredito na comunidade das picuinhas intermináveis, sempre pelos motivos mais banais, claro, gente rasa não briga por coisas profundas. Os conteúdos estão fora de qualquer questão, o que incomoda mesmo são as aparências, os rótulos e os formatos. Como bem cantou João Alexandre “ali ninguém conhece a essência, tão somente a aparência de viver em comunhão”.

Àquele que não nos confunde seja a Glória para Sempre!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O inacabado que há em mim.

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Eu me experimento inacabado. Da obra, o rascunho. Do gesto, o que não termina.

Sou como o rio em processo de vir a ser. A confluência de outras águas e o encontro com filhos de outras nascentes o tornam outro. O rio é a mistura de pequenos encontros. Eu sou feito de águas, muitas águas. Também recebo afluentes e com eles me transformo.

O que sai de mim cada vez que amo? O que em mim acontece quando me deparo com a dor que não é minha, mas que pela força do olhar que me fita vem morar em mim? Eu me transformo em outros? Eu vivo para saber. O que do outro recebo leva tempo para ser decifrado. O que sei é que a vida me afeta com seu poder de vivência. Empurra-me para reações inusitadas, tão cheias de sentidos ocultos. Cultivo em mim o acúmulo de muitos mundos. Por vezes o cansaço me faz querer parar. Sensação de que já vivi mais do que meu coração suporta. Os encontros são muitos; as pessoas também. As chegadas e partidas se misturam e confundem o coração. É nesta hora em que me pego alimentando sonhos de cotidianos estreitos, previsíveis.

Mas quando me enxergo na perspectiva de selar o passaporte e cancelar as saídas, eis que me aproximo de uma tristeza infértil.

Melhor mesmo é continuar na esperança confluências futuras. Viver para sorver os novos rios que virão. Eu sou inacabado. Preciso continuar.

Se a mim for concedido o direito de pausas repositoras, então já anuncio que eu continuo na vida. A trama de minha criatividade depende deste contraste, deste inacabado que há em mim. Um dia sou multidão; no outro sou solidão. Não quero ser multidão todo dia. Num dia experimento o frescor da amizade; no outro a febre que me faz querer ser só. Eu sou assim. Sem culpas.

sábado, 15 de agosto de 2009

É o coração que segue o dinheiro!

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O dinheiro não vem com manual de instruções. Mas Jesus falou muita coisa para orientar quem deseja uma vida financeira saudável. A primeira coisa e mais importante de todas foi a definição de Jesus para dinheiro. Jesus chamou o dinheiro de Mamom: “Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e a Mamom” (Mateus 6.24; Lucas 16.13). Isso significa que para Jesus o dinheiro é um poder, muito parecido com uma divindade que exige adoração, submissão e lealdade, e determina como seus adoradores / escravos devem viver.

O senso comum utiliza o comentário do apóstolo Paulo para dizer que o dinheiro em si não é o problema, pois apenas “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males” (1Timóteo 6.10). Mas Jesus adverte que o dinheiro não é neutro, mas algo como um organismo vivo, com uma força sedutora quase irresistível, quase um demônio, na verdade, uma potestade: uma coisa que funciona como se fosse uma pessoa. Alguém sugeriu que “Mamom é dinheiro elevado à categoria de deus”, mas acredito que todo dinheiro é Mamom: um bicho que deve ser domado e controlado com as rédeas curtas da autoridade espiritual de Jesus.

Jesus ensina que o dinheiro é uma riqueza menor e falsa, própria de um sistema social injusto e opressivo, organizado contra os valores e interesses do reino de Deus que visa sempre a justiça e paz (Lucas 16.9-13). O dinheiro é, portanto, considerado por Jesus um dos maiores tropeços para a fidelidade a Deus e ao reino de Deus, já que “é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus” (Mateus 13.22; Lucas 12.13-21; 18.18-25), e por essa razão deve ser tratado com o cuidado de quem manuseia nitroglicerina: qualquer movimento em falso a coisa explode na cara.

Jesus recomenda enfaticamente que você se esforce para domar o dinheiro antes que ele se torne o senhor do seu coração. As sugestões de Jesus são simples e desafiadoras. A primeira coisa a fazer é se livrar de todo e qualquer dinheiro ganho desonestamente: restituir a quem de direito ou doar aos pobres (Lucas 19.1-10). A segunda proposta de Jesus é praticar generosidade. O dinheiro funciona com a lógica da conquista e do mérito - “quem não tem competência não se estabelece”, e da dominação - “quem paga, manda”. A doação generosa - “fazer o bem sem ver a quem”, quebra o encanto desse tirano chamado Mamom (Lucas 10.25-37). A terceira recomendação de Jesus é transportar o dinheiro da terra para o céu: transformar riquezas efêmeras em riquezas eternas, que em termos práticos significa que pessoas, caráter, dignidade, justiça valem mais que coisas e dinheiro (Mateus 6.19-21; Lucas 16.9-12). Finalmente, Jesus recomenda que o dinheiro seja colocado em circulação para gerar riquezas coletivas: investir, fazer negócios, movimentar a ciranda das riquezas para beneficiar o maior número possí­vel de pessoas (Mateus 25.14-30; Lucas 16.19-31; 19.11-27).

Tudo quanto Jesus falou a respeito de dinheiro deriva de sua compreensão básica - que para variar contraria absolutamente o senso comum (Mateus 6.19-34). Jesus acredita que não é o dinheiro que segue o coração, é o coração que segue o dinheiro. Isto é, se você vive para multiplicar dinheiro, seu coração vai tomando a forma de cifrão, e aos poucos você vai ficando parecido com Mamom que se cobre de inveja, cobiça e ansiedade - pretensão de controlar o incontrolável. Mas se a sua preocupação é com o reino de Deus e a sua justiça, pode dormir o sono dos filhos do céu, sob os cuidados do Deus que veste as flores e cuida dos passarinhos.

(*) Título original: O MELHOR CONSULTOR FINANCEIRO.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Religião e alucinação.

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Tenho muita pena dos crédulos. Chego a chorar por mulheres e homens ingênuos; os de semblante triste que lotam as magníficas catedrais, na espera de promessas que nunca se cumprirão. Estou consciente de que não teria sucesso se tentasse alertá-los da armadilha que caíram. A grande maioria inconscientemente repete a lógica sinistra do, “me engana que eu gosto”.

Se pudesse, eu diria a todos que não existe o mundo protegido dos sermões. Só no “País da Alice” é possível viver sem perigo de acidentes, sem possibilidade da frustração, sem contingência e sem risco.

Se pudesse, eu diria que não é verdade que “tudo vai dar certo”. Para muitos (cristãos, inclusive) a vida não “deu certo”. Alguns sucumbiram em campos de concentração, outros nunca saíram da miséria. Mulheres viram seus maridos agonizarem sob tortura. Pais sofreram em cemitérios com a partida prematura dos filhos. Se pudesse, advertiria os simples de que vários filhos de Deus morreram sem nunca ver a promessa se cumprir.

(...)

Se pudesse, eu pediria as pessoas que tentassem viver uma espiritualidade menos alucinatória e mais “pé no chão”. Diria: não adianta querer dourar o mundo com desejos utópicos. Assim como o etíope não muda a cor da pele, não se altera a realidade fechando os olhos e aguardando um paraíso de delícias.

Estou consciente de que não serei ouvido pela grande maioria. Resta-me continuar escrevendo, falando... Pode ser que uns poucos prestem atenção.

Soli Deo Gloria.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Todos os caminhos levam a Deus?

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A afirmação a seguir é quase uma unanimidade em círculos sociais: “Política, futebol e religião não se discute”. Vamos nos ater apenas a questão da religião. Baseado na falsa premissa de que não devemos debater sobre assuntos religiosos, aqueles que levantam essa bandeira bradam, na mesma voz, que todos os caminhos levam a Deus (ou ao paraíso, ou à salvação). Será?

Ao analisar as crenças de alguns grupos religiosos, principalmente quando observamos o que estes grupos afirmam sobre questões básicas da fé cristã, no que diz respeito a quem é Deus, Jesus Cristo, Espírito Santo, o homem, a Bíblia, a igreja, a salvação e o pecado, podemos constatar que não existe concordância, que não se fala a mesma língua. Vejamos, de modo bem resumido, três exemplos de credos muito distintos:

Mormonismo (Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias): Deus é um homem evoluído; Jesus é irmão de Lúcifer; o homem poderá evoluir até se tornar um deus; o “Livro de Mórmon”, “Pérola de Grande Valor” e “Doutrinas e Convênios” compõem um complemento da Bíblia e são a base doutrinária do Mormonismo; a salvação só poder ser encontrada no Mormonismo.

Budismo: Nega que Deus (ou deuses – já que não enxerga Deus como o Cristianismo bíblico) possa interagir com o homem, ou seja, é uma divindade impessoal, chegando ao ponto de negar a existência de um ser divino; a realidade não passa de uma grande ilusão; a vida do homem é apenas sofrimento, ou seja, viver é sofrer; “salvação” é tão somente se libertar dos ciclos de reencarnação (ao atingir o Nirvana).

Kardecismo (Espiritismo de Mesa Branca / Espiritismo Científico): Jesus foi um espírito puro, um médium. O Espírito Santo (o Consolador prometido por Jesus em João 16.7) é a própria doutrina codificada por Allan Kardec, ou seja, o Espiritismo é o Consolador; fora da caridade não há salvação (evolução, fim das reencarnações, estágio de pureza de espírito); a Bíblia não é a Palavra de Deus e a reencarnação é o meio pelo qual Deus aplica Sua justiça.

A lista é muito longa. Poderíamos falar muito sobre a diversidade de credos, mas os exemplos acima atestam que não há concordância geral com relação aos credos. Como pode então existir aqueles que defendem que todos os caminhos levam a Deus?

Pluralismo Religioso

Pluralismo Religioso é diferente de diversidade ou variedade religiosa. Diversidade/variedade é o fato de que existe uma gama imensa de credos, que até certo ponto produzem benefícios aos indivíduos e à sociedade, e isso é um fato inegável. Ao falar em Pluralismo Religioso designamos a filosofia que afirma que todas as religiões são iguais, boas, com os mesmos fins e que na essência possuem o mesmo sistema de crenças, levando por consequência ao mesmo fim. Mas atenção! Não estou dizendo que mórmons, budistas e kardecistas são pluralistas. A pessoa que aceita o pluralismo religioso não é necessariamente praticante de uma religião, mas sim de uma filosofia religiosa.

Para que possamos entender melhor o conceito do pluralismo religioso, precisamos distinguir alguns termos relacionados a tal estudo:

* O Pluralismo Religioso é a crença de que toda religião é verdadeira. Cada uma proporciona um encontro genuíno com o Supremo. Uma pode ser melhor que a outra, mas todas são adequadas.

* O Relativismo afirma que não há critérios pelos quais se possa saber qual religião é verdadeira ou melhor. Não há verdade objetiva na religião, e cada religião é verdadeira para quem acredita nela.

* O Inclusivismo afirma que uma religião é explicitamente verdadeira, enquanto todas as outras são implicitamente verdadeiras.

* O Exclusivismo é a crença de que apenas uma religião é verdadeira, e as outras que se opõem a ela são falsas.

Concordo em todos os sentidos com David K. Clark que define o mundo das religiões como um verdadeiro supermercado onde superabundam produtos atraentes. Neste mercado as pessoas têm consumido aquilo que lhes aprazem, sem se dar o trabalho de entender que não é possível que todos os credos de A a Z (ou do Agnosticismo ao Zen) possam levar ao mesmo fim. Respeitamos sim a variedade religiosa bem como a liberdade religiosa, respeitamos as crenças das pessoas, mas respeito e concordância não significam a mesma coisa. Desta forma, discordamos totalmente da cosmovisão pluralista.

Aqueles que defendem a filosofia do Pluralismo Religioso acham que qualquer produto do mercado da fé pode atender às necessidades humanas, por isso tudo é bom e de valor. A questão da utilidade destes produtos vem à tona. Não há uma busca e um exame pelo verdadeiro, mas sim pelo útil. Por exemplo, uma pessoa que possua sua própria religião (um budista, por exemplo), se dirige ao Kardecismo para buscar a comunicação com entes queridos já falecidos. Este simpatizante do Karcecismo abraça-o buscando tão somente a utilidade que o Kardecismo apregoa, mesmo sendo budista.

Logo, os pluralistas religiosos são caçadores de benefícios, e não se importam se os benefícios que buscam se tornem como vendas em seus olhos.
Na contramão desta filosofia está o Exclusivismo Religioso. O Cristianismo é exclusivista. Por maior que seja o grito dos pluralistas, Jesus Cristo, o Filho de Deus disse que é o caminho, a verdade e a vida (João 14.6).

Nosso objetivo como propagadores do Evangelho é levar ao mundo perdido o Salvador, Jesus! Por isso e para isso estamos dispostos a remover a venda que está nos olhos dos pluralistas, fazendo esta obra de apologética não com ódio, mas sim com o amor Daquele que nos amou primeiro.

Toda honra e glória ao Senhor.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A Oração.

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Sempre queremos chegar a Deus de forma grandiosa, honrosa, achamos que de alguma forma nossos gestos de clamor geram em Deus um sentimento de piedade tão grande que quase sempre temos a certeza de que receberemos o perdão mendigado ou a benção imposta.

... E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa. ... Mateus 6:5

Eu particularmente não consigo nem sequer um diálogo com Deus, horas porque acho que não sou digno, horas porque sinto-me bem e não preciso de nada, mas quando não há orgulho que resista ou dor que não possa ser curada, encontro o lugar secreto da oração.

... Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está em secreto. Então seu Pai, que vê em secreto, o recompensará. ... Mateus 6:6

Muitas vezes deparo-me em lugares bem estranhos para uma oração digna de Deus. Na maioria destas vezes estou conectado a um podcast ou música. Na época dos estudos lá estava eu orando no ônibus. Vez ou outra no Metrô em meio a empurrões. Atualmente, indo ao trabalho; já orei ao Senhor por diversas vezes; na lotação (quem nunca pediu a Deus que parasse o relógio para não se atrasar? rsrs).
No caminho, no instante em que der na telha, recolho as palavras para dentro do meu coração.

... E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos. Não sejam iguais a eles, porque o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem. ... Mateus 6:7 e 8

Senhor, nunca deixe-me esquecer da ORAÇÃO!

"Vocês, orem assim: "Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia. Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores. E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal porque teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém." Mateus 6:9 a 13

sábado, 8 de agosto de 2009

A grande ruptura.

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“Deus não habita em templos feitos por mãos de homens”. Estas palavras de Estevão, o primeiro mártir cristão, explicita a grande ruptura entre Moisés e Jesus Cristo.

Moisés representa o Pacto feito entre Yahweh e o povo hebreu, baseado na Torah. Jesus Cristo é o Filho Unigênito de Yahweh, a exata expressão de Yahweh, não somente aquele em quem habita a plenitude de Yahweh, mas também a revelação final e definitiva de Yahweh, que, tendo falado muitas vezes e de muitas maneiras, desde Moisés e os profetas, hoje nos fala por ele, Jesus Cristo, o único a quem devemos ouvir.

Por trás do primeiro Pacto, em Moisés, está o propósito de Yahweh, revelado no chamado de Abraão: abençoar todas as famílias da Terra. Para cumprir seu propósito, Yahweh chama um homem e dele suscita uma nação. Concede a esta nação a Torah, expressão de vontade em dimensões religiosa, ética e política. Por meio da estrutura religiosa que orienta o povo hebreu, vai revelando a si mesmo: a Lei cerimonial, o ministério sacerdotal, o cordeiro pascal, o sábado, o Tabernáculo, a figura do Rei e, principalmente, o Templo.

Idealizado por Davi e construído por Salomão, o Templo concentrava toda a estrutura religiosa de Israel. Dividido em três partes: o átrio, o lugar santo e o lugar santíssimo, ou “santo dos santos”. O Templo, e mais especificamente o “santo dos santos”, que recebia a visita apenas do sumo sacerdote e somente uma vez por ano, figurava a separação entre Deus e os homens: a glória de Deus era inacessível aos pecadores, que, representados pelo sumo sacerdote, ofereciam sacrifícios para perdão e bênção.

Estevão é acusado de perverter Moisés, a Lei e o Templo. De acordo com a lógica da tradição religiosa judaica, acusações legítimas. Não somente Estevão, mas também todos os apóstolos, estavam ensinando que Deus havia celebrado um novo Pacto: não mais em Moisés, mas em Jesus Cristo; não mais no sangue dos animais sacrificados, mas no sangue de Jesus Cristo, que nos purifica de todo pecado; não mais na Lei, mas na graça; não mais centralizado no Templo de Jerusalém, erigido sobre o Monte Sião, mas num templo de pedras vivas, construído nos três dias que delimitam a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. De fato, a mensagem dos seguidores de Jesus Cristo, e Estevão era um deles, tornava obsoleta a estrutura Moisés-Lei-Templo.

Mas, na verdade, a mensagem de Estevão era a perfeita consumação do propósito de Deus, estabelecido desde antes da fundação do mundo. Do particular para o universal: de um povo, o hebreu, para todas as famílias da terra; dos animais sacrificados para sua própria vida, doada em seu Filho; da Lei para o seu Espírito Santo derramado sobre toda a carne; do Templo para todo o universo, até que todos soubessem de fato o que os poetas gregos apenas intuíam: em Deus “vivemos, nos movemos e existimos”.

“Deus não habita em Templos feitos pelas mãos dos homens” significa, na verdade, que Deus não habita em nada feito pelas mãos dos homens. Os homens e as obras de suas mãos é que se sustentam em Deus. O movimento deflagrado por Jesus na Galiléia, ano 30, foi, de fato, uma grande ruptura, não apenas com a tradição do judaísmo hebreu, mas com todas as maneiras como, ao longo da história, os homens intuíram Deus e como com Ele se relacionar. O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo é singular.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A inveja.

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A inveja é a tristeza com o bem do outro. Nasce quando a excelência alheia é compreendida como diminuição do seu próprio valor. A inveja foi classificada como um dos pecados capitais pela igreja ainda no século IV, mas já constava na narrativa do Gênesis. Motivou o primeiro assassinato: Caim matou Abel porque não tolerou que o favor divino repousasse sobre a oferenda do irmão. Consta nas tábuas dos dez mandamentos que não se deve cobiçar nada do próximo.

A inveja tornou-se motriz de várias tramas literárias. Ninguém a retratou melhor do que William Shakespeare; e Otelo se destaca porque Shakespeare soube descrever como ninguém, os mecanismos que incitam ódio e ciúme a partir da inveja.

Otelo é um general reconhecido por triunfar nas batalhas terrestres e marítimas. Ao assumir a posição de chefe de Estado em Chipre, nomeia Cássio como seu braço direito. Mas suscita a inveja de Iago, que passa a conspirar contra ele. As desavenças que nascem daí e que caracterizam as tragédias shakespeareanas são horrorosas.

Iago destila uma suspeita mortal em Otelo, que o faz acreditar que sua esposa Desdêmona o trai com o tenente Cássio. O conflito entre o amor que o general nutre pela mulher e a desconfiança incitada por Iago leva Otelo a despencar de sua posição de herói. Debilitado psicologicamente, mata a amada, sufocando-a com travesseiros. Declarado assassino, Otelo é destituído do posto de general e sentenciado à prisão. Sem saída, tira a própria vida com um punhal, diante dos representantes do governo veneziano.

José Ingenieros declara que “a inveja é uma adoração dos homens pelas sombras, do mérito pela mediocridade. É o rubor na face sonoramente esbofeteada pela glória alheia. É o grilhão que arrasta os fracassados. É a amargura que toma conta do paladar dos impotentes. É um venenoso humor que emana das feridas abertas pelo desengano da insignificância própria. Mesmo não querendo, padecem desse mal, cedo ou tarde, aqueles que vivem escravos da vaidade; desfilam pálidos de angústia, torvos, envergonhados de sua própria tristeza, sem suspeitar que seu ladrido envolve uma consagração inequívoca do mérito alheio. A inextinguível hostilidade dos néscios foi sempre o pedestal de um monumento”.

Santo Tomás de Aquino dizia que a inveja é pecado mortal (portanto, imperdoável), com inúmeras filhas: “murmuração, detração, ódio, exultação pela adversidade, aflição pela prosperidade”.

A inveja é pior do que o ódio. O ódio não se contem, e devido a sua fúria, sempre age. A inveja por sua vez, cala. Covarde, procura sombras; para semear suspeitas, precisa do cobertor da noite. O invejoso rasteja para não mostrar-se consciente de sua pequenez. Dentro de uma tumba mal iluminada, gera a dúvida. Contenta-se com a desconfiança. Ingeniero afirma que o invejoso “sem coragem para ser assassino, resigna-se a ser vil”.

Salieri não admite que Amadeus tenha tanto talento. Constata que Mozart é um pecador desprezível e debochado, mas melhor do que ele. Salieri o encara como adversário. Incapaz de celebrar o dom que possui, passa a negá-lo no outro. Os Mozarts da vida precisam ser destruídos, mas os Salieris não serão os algozes. Como vermes, esperam a morte para finalmente festejarem a derrocada de quem o atormentava.

Ingenieros diz que toda a psicologia da inveja está sintetizada em uma fábula, digna de incluir-se nos livros de literatura infantil.

“Um ventrudo sapo grasnava em seu pântano quando viu resplandecer no mais alto de uma pedra um vaga-lume. Pensou que nenhum ser teria direito de luzir qualidades que ele mesmo não possuiria jamais. Mortificado pela sua própria impotência, saltou em direção a ele e o encobriu com seu ventre gelado. O inocente vaga-lume ousou perguntar ao seu algoz: Por que me tapas? E o sapo, congestionado pela inveja, apenas conseguiu interrogá-lo: Por que brilhas?”.

Soli Deo Gloria.

A Bomba!

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Não sabia! Na verdade nunca fui muito ligado a datas, ainda mais quando estão ligadas a tragédias na história.

O que sei é que em alguns momentos consigo reclamar da vida e quero sempre algo a mais.


É a vontade de ter e ser, é a ganância e a arrogância tomando conta de mim!


Estou tão ligado ao "EU" que as vezes faz bem tomar um balde de água fria.

Não sabia! Há 64 anos, no dia 06 de Agosto de 1945 ao final da Segunda Guerra Mundial, a cidade japonesa de Hiroshima foi covardemente bombardeada. Três dias mais tarde a mesma desgraça aconteceria em Nagasaki. Entre mortos e feridos foram mais de 330 mil pessoas.

A radioatividade emanada da explosão da bomba se espalhou provocando chuvas ácidas, contaminação do solo, lagos, rios. Pessoas, como o senhor da foto acima, tiveram seus corpos completamente queimados pelo calor da radiação.

Muitas imagens dos efeitos do cogumelo de fogo ficaram na lembrança de todos. Imagens como essa foto do garotinho chorando entre os destroços. Garotinho, que ironicamente é a tradução literal do nome da bomba que caiu sobre Hiroshima.

***

Informações retiradas daqui, daqui e daqui!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Não incomoda mais!

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Hoje não abri meu player, não quis ouvir música nenhuma. Estou cansado, não de louvar, mas de pensar no louvor.

Prefiro louvar no silêncio do meu quarto e agradecer a Deus que com tanta misericórdia concede-me mais um dia de vida.

Hoje pensei em um amigo, engraçado que por mais que este não me considere mais tão amigo assim, eu ainda prezo muito por sua amizade.

Hoje refleti no que li em comentários de um post, onde em uma frenética busca por respostas certas quanto à decisão de abandonar a igreja, o que me chamou a atenção foi um comentário que dizia mais ou menos assim:

“... faça um pequeno teste, saia do sistema (igreja) e veja quantas pessoas continuarão vinculadas a você ...”

Refletindo, percebi que ao deixar a igreja é quase que infectar-se com algo terrível (pior que a gripe suína, embora muitos possam pensar que gripe e espírito nesse caso tenham o mesmo efeito e não me admira em nada se ouvir alguém traçar um paralelo sobre esses dois estados do porco! rsrs).

Hoje me dei conta de que construí amizades fictícias e não Amigos de verdade.

Mas é sempre bom lembrar... dos amigos, das risadas com os amigos, das piadas com os amigos, das conversas com os amigos. É sempre bom perceber que de alguma forma eu fui necessário na vida do outro, fui amigo; ainda que fictício; para o outro.

Hoje, meu orgulho não me envergonha mais.

Hoje, a saudade que sinto não incomoda mais.

Hoje, o amigo de longe ficou para trás.

Hoje, o que incomoda é não importar-me mais!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

É necessário...

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Nesses últimos dias comecei a pensar naquilo que realmente faço para torna-me relevante no meio da sociedade, com meus familiares, no trabalho e etc. Pensei muito, e por incrível que pareça, não senti que faço algo de fato relevante.

Notei que fico na cola dos pastores famosos, das pessoas influentes, dos amigos importantes, olhando as twittadas, os blogs, os artigos. Percebi que na verdade meu desejo é espelhar-me neles, projetando minha vida nas sombras de suas obras literárias, poéticas, nas suas canções lindas e emocionantes

Notei que não tenho conhecimento suficiente para combater o "evangeliquês", mas também não me interessa entrar nessa batalha. O fato é que já cansei de ler tantos blogs influentes (alguns nem tanto, mas estão seguindo essa nova moda) tirarem uma casquinha da banalização gospel.

Percebi que não tenho "saco" para ficar na tela do computador estudando sobre as linhas teológicas de determinado assunto, não tenho pique para acompanhar um discurso longo a respeito desta ou daquela denominação, tenho até uma certa admiração por quem faz isso, e então vejo o quanto estou despreparado para defender minhas ideias.

Por muitos anos achei que de música evangélica cresceria o crente, então percebi que de nada valia, não passava de leite. Fiquei com muita raiva ao descobrir que minhas músicas prediletas não eram o maná de Deus.

Irrita-me lembrar que passei longos anos ao lado de pessoas crentes (agora influenciado pelo livro 'Feridos em nome de Deus'), mas crentes somente da boca para fora, irrita-me ainda mais ver que tornei-me igual a eles, hipócritas, mesquinhos e bajuladores dos fanfarrões da fé.

Dá-me um certo temor todas as vezes que a sós fico na frente de um computador, é uma armadilha do diabo mesmo, fico tentado a rever pessoas que não tenho mais contato, fico triste por agir assim.

Não consigo trabalhar com a ideia de que TODOS merecem o céu, o sacrifício de Jesus e o amor de Deus. Então percebo que o amor de Deus me constrange, que sou tão egoísta e que me apego a detalhes (quem não se apega?). Fico imaginando encontrar no céu aquela pessoa que eu não quero ver nem pintada de ouro na minha frente... é cómico e trágico.

A propósito, muitas vezes não sei nem o porquê mantenho esse blog, mas isso não me fará deixar de tê-lo, de postar o que quero e de usá-lo como um amigo intimo.

Desabafar* de vez em quando é necessário.

(*) vez ou outra, deixarei alguns desabafos, por gentileza, não estranhem!
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