quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Carta Aberta aos 'Editores Apologéticos'.

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Muito já foi dito sobre esse assunto e por inúmeras vezes cheguei a exaustão ao pensar no que realmente importa para a maioria dos blogueiros evangélicos. É verdade, sumiram as mensagens do Evangelho, estamos vivendo momentos de revolta com tudo, absolutamente tudo, que esteja ligado a uma instituição religiosa, perdemos o senso e ridicularizamos uns aos outros. E é por isso que publico esta carta de autoria do Danilo Miguel, do blog Sem Forma!, inspirado no post do Newton Carpintero, e postado também em O Cristão Revoltado!.

"A CARTA"

Cada dia que se passa eu sinto mais nojo por aquilo que estão chamando de religião. É uma revolta muito grande com tudo o que se tem feito em nome de Deus. Quando imaginamos que já chegou-se ao fundo do poço, surge um novo modismo, um novo falso profeta, uma nova igreja, uma nova “visão”, uma nova “unção” e por aí afora. O povo, ignorante, se enreda cada vez mais e mais atrás desses movimentos. Basta surgir um “profeta” mais forte ou um curandeiro mais famoso que todos estão lá seguindo-o, venerando-o e até mesmo o adorando. Onde vamos parar desse jeito?

Já há muito venho ouvindo o jargão (sim, já virou um jargão!): “Tudo isso já estava predito, está lá na Bíblia”. Sim, isso é fato mas e daí? Vamos cruzar os braços e ver o diabo levando cada vez mais vidas para o abismo eterno? Vamos ficar calados e deixar esses mercenários malditos enganar o povo e afastá-los cada vez mais de Deus? Vamos deixar a situação como está, só porque já estava predita? Se for assim vamos deixar também de trabalhar, de estudar, de cuidar de nossas famílias, de viver afinal Jesus vai voltar e nos levar para a Eternidade. Pra que se preocupar com as coisas deste mundo?

Quando comecei a escrever meus textos apologéticos há um bom tempo atrás – este blog é relativamente novo, venho escrevendo há mais de 3 anos, em diversos outros blogs – existia uma meia dúzia de blogs e sites que se prestavam a este ministério. Hoje é enorme o número de blogs que se dizem apologéticos, uns até começaram fazendo um trabalho sério, mas hoje não passam de vitrines de ideias infundadas, com mensagens sem profundidade alguma, apontando erros e mais erros dos outros mas se esquecendo de apontar o Alvo. Editores que foram tomados pelo “estrelismo” e assim deixaram de ter compromisso com a Verdade e escrevem para gerar tráfico, ter visitas, ficar famoso! Se até nesse meio a coisa tá assim, imagina por aí!!!

Não é difícil encontrar deturpações do Evangelho, ou melhor, não está fácil encontrar um lugar onde se prega O Evangelho. Neste mundão sem fronteira chamado internet mesmo a gente vê cada coisa de arrepiar. Isso provoca revolta, ira até, por causa do zelo que o Senhor tem colocado em meu coração para com Sua Obra. Sei que não sou um Lutero da vida, nunca almejei o ser, mas procuro, através de minhas letras, externar um pouco daquilo que sinto, daquilo que vejo e da dor que sinto ao ver a Obra caminhando por estas bandas. Estive um tempo sem postar aqui – quem me acompanha sabe os motivos – e neste pouco tempo algumas coisas mudaram. Como disse anteriormente, blogs que antes eram sérios, compromissados, hoje não passam de um amontoado de palavras sem sentido, sem propósito, ou melhor, com o propósito de promover o editor (ou editores) e, até mesmo, com piadinhas infames. Perderam o foco!

A questão não é acusar, denunciar ou até mesmo debochar. O que está por trás de tudo o que temos visto e vivido vai além: trata-se da salvação eterna (ou morte eterna) de cada indivíduo, de cada alma pela qual o Senhor Jesus pagou tão alto preço. O mundo tem caminhado a passos largos para o inferno, e muitas vezes nos esquecemos disso. Muitas vezes o deboche toma o lugar da dor pelos perdidos. Satanás não tem perdido tempo, ao contrário, tem mais do que nunca investido todo seu poder, toda sua estrutura no intuito de afastar o homem de Deus. E tem conseguido! Sim, tem conseguido porque homens e mulheres que deveriam estar fazendo seu papel estão perdendo tempo com coisas que não deveriam. A igreja (note: igreja e não Igreja) tem sido mutilada como nunca. Os valores do mundo nunca estiveram tão presentes em nosso meio, o diabo nunca usou tanto o púlpito (que deveria ser cristão) para pregar suas falácias, seus enganos. E nós, o que temos feito?

Não dá mais tempo para ficar brincando, de ficar competindo para saber quem escreve mais e melhor, quem tem mais visita, quem tem o blog/site mais bonito, quem prega melhor, quem é isso ou aquilo. E eu me refiro não só ao escopo do mundo virtual, mas em todos os âmbitos de nossa vida. Até quando vamos ficar perdendo tempo? Devemos sim, como atalaias de Cristo anunciar, ou melhor, denunciar os erros e enganos mas jamais devemos perder o foco, fugir à missão: pregar o Evangelho! Ter zelo pela Palavra de Deus não basta, Ela precisa ser pregada. Se há erros, devem ser denunciados. Mas se eles existem é porque falta instrução, porque o povo está sedento de algo que nós podemos oferecer, mas temos falhado nisso. E não adianta alguém querer ficar ofendido com o que escrevo, pois esta é a relidade dura e crua. Estamos falhando na missão que Jesus nos deixou. Enquanto isso os falsos profetas, que surgem aos tantos todos os dias, têm triunfado e conseguido êxito em suas empreitadas, tanto humana quanto espiriritual.

Mamon nunca foi tão cultuado como tem sido nestes últimos dias. Verdadeiros altares têm-se levantado para ele, templos suntuosos são construídos, a mídia tem estado ao seu lado e a igreja, claro, tem dado ao deus do dinheiro mais valor que ao Deus Eterno. Idolatria? Sim, evidente. Mas muito mais que isso, muito mais que arrancar dinheiro dos incautos, está a questão da salvação em Cristo. O sangue inocente derramado na cruz para remissão dos nossos pecados está sendo debochado, desmerecido, esquecido… Tudo o que o Senhor sofreu para nos garantir a salvação não é nada, não tem valor algum. Sua morte e ressureição servem somente para demonstrações teatrais para atrair mais e mais clientes – não fieis. O dízimo é o deus, as ofertas os atores principais. Sua alma? Essa que vá para o inferno!

Pode parecer um tanto exagerado de minha parte, mas quem pode dizer que estou errado? Não sou o dono da verdade, nem nunca serei mas tenho zelo pela Verdade e pelo Senhor. Não sou melhor que ninguém mas como costumo dizer: apenas um servo. Mas isso não me dá o direito (ou dever) de ficar calado, de braços cruzados, estático a tudo o que tem acontecido ao meu redor. Se estes pilantras malditos querem os prazeres deste mundo, que fiquem com ele. Se preferem a glória do diabo à Glória de Deus, que fiquem com ela. Mas que o façam sozinhos, não levando uma multidão sem-número de leigos e incautos com eles. Vamos cruzar os braços e continuar a entoar o mantra: “Isso tudo já estava previsto”? ou vamos arregaçar as mangas e batalhar pelo genuíno Evangelho de Jesus Cristo e a salvação das almas, pelas quais o Senhor deu a própria vida? Ou você é egoísta ao ponto de ter sua salvação garantida (será?) e não se preocupar com mais ninguém?

Voltemos ao Evangelho, voltemos para Deus. Vamos deixar os prazeres deste mundo para aqueles que, mesmo conhecendo as riquezas de Deus – e eu falo em termos espirituais – preferem a dor das trevas. Focar novamente no Senhor e levar para Ele estes que hoje são enganados. Mas não devemos nunca esquecer que muito mais do que o que vemos e ouvimos, tem algo por trás. Sim, há um mundo espiritual que deve ser lembrado e combatido. Nunca com força humana ou conhecimentos deste mundo, mas sempre com oração, muita oração e renúncia. Mais do que fulano que prega isso ou ciclano que faz aquilo, devemos ter em mente que quem está por trás dele não é sua vontade ou o Senhor (ou Deus iria contra seus próprios princípios?), mas sim os poderes das trevas, o domínio de Satanás e seus demônios. Não adianta somente ficarmos combatendo as ações do mundo, afinal nossa luta não é contra a carne nem o sangue, sabemos disso. Ou pelo menos deveríamos saber.

Antes de escrever, de denúnciar ou até mesmo – e principalmente – evangelizar, temos que orar. Buscar ao Senhor, depender d’Ele, fazer Sua vontade, ouvir Sua voz. Não é misticísmo, não é conto de fadas, não é superstição. Se somos cristão e temos a Jesus como nosso Senhor e Salvador precisamos ter comunhão com Deus. Fora disso, tudo o que fazemos é em vão. Vamos parar de acariciar nossos egos e enfrentar a realidade. Coloque sua vida à disposição do Senhor e ame os perdidos, valorize aqueles por quem o Senhor deu sua vida. Voltemos ao Evangelho!

Com amor,

Danilo Miguel

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A unção de Rick Warren ou a unção do Apóstolo Paulo?

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O apóstolo Paulo fez quatro viagens missionárias, entre Israel, no Oriente Médio, e a Europa. Tal qual hoje, era uma interação em regiões de culturas religiosas altamente inflamáveis.

Mas como discípulo daquele que é o Príncipe da Paz, por onde andava, Paulo semeava a paz. A missão dele era promover parceria entre as religiões a fim de combater as guerras, a pobreza, a corrupção, as doenças e o analfabetismo.

O trabalho de Paulo era extremamente difícil, pois a ONU — sem mencionar o Rev. Moon — ainda não havia nascido, com sua Iniciativa das Religiões Unidas. Una as religiões em parcerias para o bem, e a paz reinará neste mundo.

Na verdade, Paulo nunca agiu dessa forma, mas cristãos liberais e esquerdistas bem que gostariam que ele tivesse tido tal mentalidade.

E se Paulo fosse um pastor famoso dos nossos dias? Ele seguiria ou não uma teologia de “paz e harmonia com tudo e com todos” se vivesse em nossa geração? Ele sacrificaria uma estratosférica reputação secular arriscando fazer a vontade de Deus, que muitas vezes está na contramão da sociedade e dos sistemas religiosos? Ou ele agradaria a todos, a fim de conservar uma boa imagem diante do público e garantir o sucesso televisivo?

Não dá para saber exatamente o que Paulo faria em nossos dias, mas certamente dá para ver o que pastores famosos estão fazendo hoje.

Dias atrás, Rick Warren conseguiu de novo.

Ele participou de um importante evento muçulmano, onde pediu parceria entre muçulmanos e cristãos para combater as guerras, a pobreza, a corrupção, as doenças e o analfabetismo.

Por onde passa, Warren deixa em seu rastro paz e harmonia entre diferentes religiosos.

Não é errado nem pecado querer a paz. Mas quando o Evangelho verdadeiro entra num lugar, Jesus diz o que acontece:

“Vocês pensam que eu vim trazer paz ao mundo? Pois eu afirmo a vocês que não vim trazer paz, mas divisão. Porque daqui em diante uma família de cinco pessoas ficará dividida: três contra duas e duas contra três. Os pais vão ficar contra os filhos, e os filhos, contra os pais. As mães vão ficar contra as filhas, e as filhas, contra as mães. As sogras vão ficar contra as noras, e as noras, contra as sogras.” (Lucas 12:51-53)


O apóstolo Paulo é prova dessa verdade. Suas atividades missionárias lhe custaram experiências bem distantes de “paz e harmonia”. Paulo mesmo diz:

“Tenho sido chicoteado… e muitas vezes estive em perigo de morte. Em cinco ocasiões os judeus me deram trinta e nove chicotadas. Três vezes os romanos me bateram com porretes, e uma vez fui apedrejado. Três vezes o navio em que eu estava viajando afundou, e numa dessas vezes passei vinte e quatro horas boiando no mar. Nas muitas viagens que fiz, tenho estado em perigos de inundações e de ladrões; em perigos causados pelos meus patrícios, os judeus, e também pelos não-judeus. Tenho estado no meio de perigos nas cidades, nos desertos e em alto mar; e também em perigos causados por falsos irmãos. Tenho tido trabalhos e canseiras. Muitas vezes tenho ficado sem dormir. Tenho passado fome e sede; têm me faltado casa, comida e roupas.” (2 Coríntios 11:23-27)


Olhando para o confortabilíssimo sucesso midiático adquirido no mundo, alguém como Warren teria muita dificuldade de se enveredar pelos caminhos espinhosos, intranquilos e desconfortáveis de Paulo. Ele preferiria se envolver nos assuntos da moda — aquecimento global, AIDS, etc. —, sem ofender ninguém.

Um Paulo provoca “transtornos”, seja no primeiro século ou no século 21. Um Warren que faz sucesso no mundo secular e religioso do século 21 com sua mensagem de “parceria entre todos” teria dificuldade de fazer o mesmo sucesso no primeiro século?

Evidentemente, o mesmo mundo que rejeitava Paulo há 2.000 anos o rejeitaria hoje. Paulo simplesmente não sabia se envolver nos assuntos da moda e promover parceria entre diferentes religiões para combater a fome, guerras, etc. O que ele acharia de receber um pouco da “unção de Warren”?

Não se sabe se Warren está agradando a Deus com seus agrados aos grandes, aos poderosos e aos religiosos. Mas sabe-se com certeza que Paulo agradava a Deus e não agradava aos grandes, aos poderosos e aos religiosos.

O que Rick Warren acharia de receber um pouco da “unção de Paulo”?

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Adestramento cristão.

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Crente é um bicho estranho. Você grita “AMÉM?” e ele responde gritando o mesmo. Se perguntar pela segunda vez, ele responderá mais alto. Se no meio do louvor você gritar “pule na presença do Senhorrrrrrrr”, então eles pulam. Se você dançar de modo estranho, verá correspondência imediata nas pessoas.

Sua linguagem é facilmente influenciável por jargões. Basta pegar qualquer expressão bíblica cujo significado seja obscuro para a maioria, e pronto! Também colam as expressões inventadas que possuem aparência de espiritual, como por exemplo “ato profético”. Difícil de crer que nem existe esta expressão na Bíblia né?

Facilmente também estereotipamos outras coisas que fazem do crente um ser quase alienígena: os lugares que frequenta, o conteúdo de suas conversas e a aversão às coisas “do mundo”.

Pena que os crentes não são condicionados a obedecer a todo tipo de “comando”. Parece que o adestramento a que foram submetidos possui limitações. Nem todos aceitam sugestionamentos que os levem a renunciar a seus interesses; ou dividirem suas posses com os necessitados; ou mesmo disponibilizar tempo para aqueles que estão abandonados em asilos, orfanatos e nas ruas.

Ah… antes que eu me esqueça, quero deixar claro que amo os crentes. E exatamente por ser um deles é que me incomodo tanto com estas coisas incompreensíveis que aceitamos passivamente em nossa conduta.

***

Comentário e resposta!

Fala Ariovaldo!!

Tudo que disse aí é a mais pura verdade!

Temos vivido um momento de estagnação nas igrejas, onde o modismo dos jargões estão em alta.

Hoje em dia os crentes buscam o bispo, o apóstolo, o profeta, suas profecias, suas palavras abençoadas, daí quando encontram ficam por um tempo até que tais palavras/profecias do individuo não estejam mais de acordo com os anseios do seu coração e correm atrás de outro mais espiritual, avivado … o ungido do Senhor!

Eles esquecem que o que mais importa é o relacionamento íntimo com Deus.

Abçs!!

Ariovaldo > Cara… eu sinceramente tô cansado desse espiritualismo idiota. Não consigo entender mesmo por que as pessoas estão se alimentando deste self service de hipocrisia. Ainda bem que a salvação é pro remanescente! Um abraço.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Everything - Jesus drama.

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Lifehouse's Everything

Find me there, And speak to me
I want to feel you, I need to hear you
You are the light, That's leading me, To the place
Where I find peace.. again

You are the strength, That keeps me walking
You are the hope, That keeps me trusting
You are the life, To my soul
You are my purpose, You're everything

And how can I stand here with you
And not be moved by you
Would you tell me how could it be any better than this

You calm the storms, And you give me rest
You hold me in your hands, You won't let me fall
You steal my heart, And you take my breath away
Would you take me in, Take me deeper, now

And how can I stand here with you
And not be moved by you
Would you tell me how could it be any better than this

And how can I stand here with you
And not be moved by you
Would you tell me how could it be any better than this

'Cause you're all that I want, You're all I need
You're everything, everything
You're all I want, You're all I need
You're everything, everything
You're all I want, You're all I need
You're everything, everything
You're all I want, You're all I need
Everything, everything

And how can I stand here with you
And not be moved by you
Would you tell me how could it be any better than this

And how can I stand here with you
And not be moved by you
Would you tell me how could it be any better any better than this

And how can I stand here with you
And not be moved by you
Would you tell me how could it be any better than this
Would you tell me how could it be any better than this

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Ser ou não ser Pedro, eis a questão.

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Momentos antes de sua prisão, e logo após a sua última ceia, Cristo presenciou um forte bate-boca entre os discípulos; eles discutiam quem entre eles seria o maior. Foi nessa ocasião que o Mestre deu uma grande lição aos seus pupilos, ao dizer: “o maior entre vós, seja como o menor; e quem governa seja como quem serve”.

Os últimos instantes do Mestre junto aos seus discípulos, narrados por Lucas, nos dá a impressão de que Pedro estava meio alheio ante a gravidade dos fatos que estavam prestes a acontecer, quando Cristo, veementemente, o chamou por duas vezes para transmitir-lhe uma notícia não muito boa. Disse Cristo: “Simão, Simão, Satanás vos pediu para vos peneirar como trigo. Mas eu roguei por ti para que a tua fé não desfaleça. E tu quando te converterdes, fortalece os teus irmãos” (Lucas 22: 31 – 32)

O quanto se torna difícil entender que Pedro não era um convertido, quando se sabe que lá no começo de sua caminhada cristã ele tinha dado provas de sua extraordinária convicção, ao responder enfaticamente diante do Mestre dos mestres: “Tu És o Cristo, Filho do Deus vivo!” (Mateus 16: 16)

Quem poderá imaginar o que deve ter passado pela cabeça de Pedro ao ouvir da boca do Mestre (lá atrás no começo de Seu Ministério) essa grandiloquente declaração: “Eu te darei as chaves do Reino dos céus” (Mateus 16: 19). Um presente como esse, para quem não era ainda um convertido, no mínimo deve ter levado o EGO desse apóstolo às alturas, e ao mesmo tempo deve ter deixado os outros discípulos em um conflito interno movido por pitadas de inveja. Ao serem tomados por este sorrateiro e sutil sentimento, quem sabe, se os outros apóstolos não confabularam entre si, dizendo o correspondente a frase comumente usada hoje: "Esse é o cara?"

À primeira vista, a confrontação das passagens de Mateus com as de Lucas, pode nos levar, racionalmente, a entender que Pedro era um convencido e não um convertido.

Mas afinal: Quem somos nós? Somos ou não somos convertidos?

Isto nos leva a refletir sobre o dilema de Hamlet: “Ser ou não ser, eis a questão”.

Mas, os pressupostos do cristianismo sinalizam que o “ser” ou “não ser” não é uma questão. Se, somos seres em movimento e não entidades estáticas, podemos “ser” e “não ser”. Em nossa caminhada diuturna, a luz do sol clareia pela manhã um lado do nosso corpo, parte essa do corpo que mais tarde, será tomada pela escuridão da sombra. É impossível fugir da rotina fatigante, que nos traz um mal a cada dia.

O meu eu transcendental que diz que sou um convertido, ignora o sol de minha individualidade e de minha realidade. Tenho momentos de fé e de contemplação, mas, também, tenho momentos de dúvidas e de descrenças.

Sobre a noção de que o SER é uma substância intemporal e imutável como pensava Parmênides e Platão, eu contraponho o conceito de Heráclito e Hegel de que a vida é um processo e não algo determinado, como uma substância. A vida é um eterno “transformar-se” e isto implica mudanças, em que o que temos como a verdade de hoje, não necessariamente, será a verdade de amanhã. A renovação do nosso entendimento implica transformações (é Bíblico). As notas musicais são as mesmas, apenas mudamos a posição das mesmas na pauta, para que se possa cantar um cântico novo.

Sou humano, por isso, não nego que ora em minha caminhada tenho sido o "Pedro" de Mateus 16: 16, e em outros momentos tenho me sentido como o "Pedro" de Lucas 22: 31. Às vezes, sinto-me resplandecente ante a glória dos céus, como ocorreu com Pedro lá no monte da transfiguração; outras vezes, sinto-me triste e acabrunhado quando Cristo sussurra ao meu ouvido, dizendo que ainda não sou um convertido, como aconteceu com o Pedro narrado em Lucas.

Quem me livrará desse terrível paradoxo, que me faz, às vezes, ser o Pedro com as chaves do reino dos céus nas mãos, e outras vezes, ser o Pedro envergonhado por negar a Cristo, três vezes seguidas, mesmo tendo sido alertado antes, que o diabo queria com ele cirandar.

Não! Decididamente, não posso aplicar aqui, o conceito Shakespeareano do “Ser ou não ser, eis a questão”

Fico com o filósofo Paulo de Tarso que disse: “pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço”. No momento em que digo: “sou” fraco, Ele diz és forte. No momento que penso “ser” forte, Ele me mostra o contrário.

Que me perdoe Shakespeare, mas com o advento de Cristo não há mais questão a ser resolvida, pois o ideal do “ser” é sustentado pela esperança de vida eterna. Quanto ao “espinho na carne”, símbolo da fraqueza do “querer ser” quando não se “pode ser” ─ a Graça Divina me basta, pois é ela que preenche a lacuna do meu vazio existencial. É justamente ela, que me faz entender que o poder de Deus se aperfeiçoa na fraqueza do “não poder ser”.

Sendo assim, o “ser convertido” e o não “ser convertido” são apenas instâncias ou momentos na vida do crente; são as faces opostas de uma daquelas monumentais pedras a que Cristo se referiu, quando falou que sobre ela construiria a sua Igreja. Em outras palavras, Ele quis dizer que, sobre as vicissitudes e faces paradoxais do homem (loucura para os sábios), se assentariam as bases de uma nova aliança Divina, que busca incessantemente, através da Graça, o “que não é”, para confundir o que “é”.

Porque não dizer que nós somos este Pedro paradoxal?

Porque negar o Pedro que temos dentro de nós, quando sabemos que a pedra (com suas faces opostas) a que Cristo se referiu, é uma das maiores metáforas existenciais que, indubitavelmente, simboliza o nosso ser ambivalente com todo o seu corolário de afetos contraditórios?

Sofreremos muito mais, enquanto não atentarmos para essa grande verdade: a de que as faces da PEDRA que habita em nós, jamais poderão ser vistas de um mesmo ângulo. Esta pedra tem várias faces: uma está voltada para cima, outra para baixo, outra para frente, outra para retaguarda e outras para as laterais. Para o expectador que nos vê, há sempre uma parte de nós encoberta, que ele não conhece.

Devemos aceitar de bom grado, esse grande espinho em nossa carne, que é o ter que carregar por toda a nossa vida esta cruz de muitos lados.

“E foi me dado um espinho na carne [...] afim de não me exaltar” (II Coríntios 12: 7)

Legalismo.

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Geralmente ouvimos alguém se referir a uma outra pessoa como legalista: “fulano é legalista”. O que significa ser legalista? Quais são as características de uma pessoa legalista? Queremos tratar neste breve artigo sobre este tema.

Legalismo significa que um relacionamento é governado primariamente por regras ou por leis. Pode ser o relacionamento com o próximo ou o relacionamento com Deus. O legalismo está também ligado com a palavra fundamentalismo. Geralmente um legalista é fundamentalista e vice-versa.

Vamos falar sobre o legalismo na vida cristã ou aquele encontrado nos grupos religiosos. Uma pessoa legalista tem uma maneira de ver a vida que ela julga ser à correta, a única certa. Qualquer pessoa que não tem a mesma característica que ela tem, será julgada e muitas vezes condenada. Deixe-me exemplificar. Uma pessoa que gosta de cantar somente hinos e não permite ou não aceita a ideia que alguém pode louvar a Deus com outro estilo musical irá rejeitar o irmão que não canta hinos. O legalista crê que Deus gosta somente de hinos (mesmo que na Bíblia não tenha nenhuma indicação de que Deus somente aceita hinos como louvor) e por isso ele acha que é uma afronta a Deus cantar qualquer coisa que não seja hinos.

Um legalista não tem muita criatividade e nem tem espaço para aceitar qualquer coisa que fere os costumes que ele aprendeu desde cedo na igreja ou em casa. Se o legalista aprendeu que Deus somente ouve a oração de quem usa terno, ele terá dificuldades em ver um jovem de bermudas na igreja. O legalista olha muito para a aparência dos outros. Toda aparência que não combina com aquilo que ele acha normal é condenada. Um legalista fica horrorizado quando um jovem que usa brincos, uma camiseta colorida, cabelos compridos ou raspados. Poderíamos citar muitos exemplos aqui.

Fundamentalmente o problema do legalismo é limitar a maneira como Deus age nas vidas das pessoas. Tudo é julgado a partir dos pré-conceitos que formaram a sua vida cristã. Como consequência do legalismo, nós vamos encontrar a falta de compaixão e a falta de amor. Tudo é levado a ferro e fogo e ai de quem não se enquadra nos seus conceitos. O legalista tem o “dom” de chatear a vida dos outros.

O que podemos fazer com os legalistas? Infelizmente pouca coisa. Primeiro temos que desenvolver um sentimento de compaixão para com eles. Eles acham que são os fortes na fé, mas na verdade são os fracos na fé, pois qualquer coisa que foge daquilo que eles crêem como verdade os abala. Segundo ore por eles. Normalmente os legalistas não são piedosos, portanto, não seja você um legalista ao reverso. Em terceiro lugar procure ser aberto para ouvir o que eles têm a dizer e tente o diálogo. Não sendo possível, respeite a opinião deles (mesmo que eles não respeitem a sua) e toque a vida pra frente, porque é isso mesmo que a Bíblia nos orienta em Hebreus 12.1-3, “... corramos com perseverança olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus Cristo”.

Concluindo eu diria que todos nós devemos ter o cuidado de não sermos legalistas ao reverso, ou seja: eu começo a pensar que somente eu que tenho a mente aberta, estilo de vida despojado e tal é que realmente sabe o que é ser crente em Cristo. Ao fim, nos tornamos exatamente o que eles são – legalista.

Guarda-me, ó Deus, porque em ti me refugio Salmo 16:1.

domingo, 20 de setembro de 2009

Deus é inocente.

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"Se o céu existe, Deus tem muito que explicar". Essa afirmação do Robert De Niro faz eco em meu coração. Também experimento o incômodo de deixar Deus sub judice diante do sofrimento humano. Não me conformo diante das injustiças da vida. O argumento de que todos somos maus e em última análise ninguém mereceria ser poupado do mal não me satisfaz. Sou daqueles que acreditam que coisas ruins acontecem às pessoas boas e acalentam silenciosos uma certa contrariedade quando coisas boas acontecem às pessoas ruins. Acredito, sim, que no mundo existe gente boa e gente ruim. E também acredito que a maioria das pessoas não merece a tragédia que sofre. O casal que perde o filho recém nascido, o adolescente que fica tetraplégico após um displicente mergulho na piscina do clube, a mulher que se vê mutilada pelo câncer, o pai de família que percorre as ruas na indignidade do desemprego e que, por vergonha ou por caráter - as duas coisas, não sabe nem mesmo esmolar, são situações cotidianas que me fazem dormir mal sob o peso do veredicto: Deus tem mesmo muito que explicar.

Mas trago no coração duas outras certezas que me apaziguam a alma, me dão coragem para viver e me animam à solidariedade, ainda que tímida e não poucas vezes insuficiente. O céu existe. Não sei como é. Não sei onde fica. Não sei quando acontece. Mas que existe, existe. Este mundo não é a realidade definitiva. O presente estado das coisas não é a versão final da obra de Deus. Uma coisa é o mundo em que vivemos. Outra, o mundo em que viveremos eternamente. E a respeito das coisas que acontecem neste mundo e não deveriam acontecer, e que não acontecerão no mundo vindouro, Deus já se explicou. Deus se pronunciou em alto e bom som, há mais de dois mil anos, na cruz do Calvário, onde foi morto Jesus de Nazaré, o Cristo, unigênito de Deus.

A tradição cristã afirma que "Deus prova seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores". Quem duvida do amor de Deus deve olhar para o Calvário. No dia em que o sofrimento se agiganta e a visão do amor de Deus fica ofuscada pelas lágrimas da dor quase insuportável, a cruz do Calvário é o grito apaixonado de Deus. John Stott disse que na cruz de Cristo Deus justifica não apenas a humanidade, mas justifica a si mesmo. Na cruz de Cristo, Deus se levanta diante de todos os que o acusam de ser injusto, tirano, indiferente ao sofrimento e à dor humanas, e pronuncia a sentença de inocência sobre si mesmo. A cruz de Cristo é a prova irrefutável do amor de Deus.

Na cruz de Cristo há quatro afirmações que provam o amor e definem a inocência de Deus. Na cruz de Cristo Deus é declarado inocente porque se solidariza com as vítimas do mal e da malignidade. Através da morte de Jesus Cristo, seu Filho, Deus afirma "O mal também me feriu", "O sofrimento chegou também à minha casa", "As lágrimas pelo padecimento injusto também rolam dos meus olhos", "Eu e as vítimas do mal e da malignidade somos um".

Aqueles que imaginam que o Deus que "habita em luz inacessível" vive confortavelmente no ar condicionado do céu, enquanto suas criaturas penam contra o diabo na terra do sol, estão absolutamente enganados. Deus tem a cara suja pelas lágrimas que borram seu rosto sofrido com a dor de cada um dos seus filhos por adoção e do seu unigênito. Na cruz de Cristo Deus sofre conosco. Sofre por nós. Sofre em nosso lugar. Deus sabe o que é padecer. Seu Filho é homem de dores. Ovelha muda entre seus sanguinários tosquiadores. Na cruz de Cristo Deus atravessou não apenas o vale da sombra da morte. Atravessou a própria morte.

Na cruz de Cristo Deus é declarado inocente porque não é contato entre os promotores do mal, mas entre os que sofrem os danos da malignidade. Na cruz de Cristo Deus afirma "Não olhem para mim como se eu ordenasse o mal", "Quando estiver sofrendo, não me conte entre os que lhe causam a dor", "Na cruz, eu não batia pregos na mão de ninguém. Na cruz, a mão sob os pregos ferozes era a minha". Quase posso escutar Deus dizendo à mãe que chora a filha atropelada: "Não me tome como quem passou por cima, eu estava em baixo, sendo esmagado sob o peso da borracha negra que me dilacerava a carne e a alma".

Na cruz de Cristo Deus sofre o mal. Na cruz de Cristo Deus é exposto como vítima da malignidade e não como algoz que causa dor e sofrimento. Na cruz de Cristo os verdadeiros promotores da morte são publicamente desmascarados. Cai o pano. E todo mundo pode ver que Deus não está com mãos sujas de sangue inocente. Na cruz de Cristo Deus é a mão inocente que sangra.

Na cruz de Cristo Deus é declarado inocente porque fica evidente que a causa do sofrimento é o pecado da raça humana. Os pecadores estão pensos nas cruzes laterais, mas a cruz do meio sustém um inocente. Na cruz de Cristo Deus afirma: "Vocês deflagraram o mal", "Vocês abriram a caixa de Pandora", "Vocês soltaram a besta fera", "Vocês macularam o Paraíso". O aviso ainda ecoa pelo universo: "No dia em que pecar, certamente morrerás". A presença da morte é evidência de pecado. E o pecado é responsabilidade da raça. A cruz de Cristo somente se explica porque o pecado que a faz necessária. Naquele dia em que Deus provava seu amor para conosco éramos de fato ainda pecadores.

Na cruz de Cristo Deus é declarado inocente porque é o que morre, e não o que mata. Na cruz de Cristo pende o justo morrendo a morte dos injustos. O veredicto está lançado: há pecado, pois que haja morte. O salário do pecado é a morte, disse o apóstolo. A justiça do Deus três vezes santo há que ser satisfeita. Deus está diante de seu dilema eterno: matar ou morrer. E sua opção é definitiva, desde antes da criação do mundo: morrer. Na cruz de Cristo Deus faz sua escolha e anuncia sua disposição de amor absoluto: se alguém tem que morrer para que a justiça volte a brilhar no universo maculado pela culpa da raça humana, que viva a raça e que morra eu-Eu.

O primeiro dos dilemas é criar ou não criar. O segundo é criar com liberdade ou sem liberdade. O terceiro é assumir o ônus da liberdade ou deixar este ônus nas mãos da criatura. Deus faz as escolhas que o machucam, que lhe causam dor, que o fazem sofrer, que o diminuem. Simone Weil diz que "Deus e todas as suas criaturas é menos do que Deus sozinho". Deus escolhe criar. Escolhe criar um ser livre, pois não fosse livre não seria à imagem do Criador. E escolhe arcar com ônus da liberdade que concede à sua criatura. Na cruz de Cristo está Deus, dando ao rebelde o direito de existir. Na cruz de Cristo está Deus entregando a sua vida, voluntariamente, em favor dos pecadores. O mal deflagrado pela raça levanta sua sombra sobre o trono de Deus. E Deus se levanta como um Cordeiro que se doa, pois escolhera morrer, em detrimento de matar. Na cruz de Cristo está o Deus que morre para que todos tenham vida, vida completa, abundante vida.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Fake conhecido!

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Estou enrolando para escrever esse post a semanas, mais precisamente no dia em que ouvi os podcasts BBB - Qual o seu valor? e FAKE - O Diabo Veste Prada, ambos do JVnaEstrada. Enquanto ouvia, minha cabeça fervia revirando a memória, até encontrar você, meu querido 'fake conhecido'!

Desde aquele fatídico aparecimento na rede até hoje não entendi muito bem o que motiva a sua vida, o seu 'levantar da cama' de todos os dias. É verdade que para um fake como você devemos tirar o chapéu, pois imaginem só que alguém com tantos afazeres prestou-se ao trabalho de apresentar-se assim, 'Alguém que Você conhece.'

Não, não te conheço, a verdade é que nunca o conheci de fato. Lembro-me de muitas conversas, muitos passeios e muitas risadas, teve também momentos emocionantes e tudo isso compartilhamos juntos. Então, o teto de vidro da nossa amizade (Hoje pergunto, qual?) foi atingido por pedras lançadas pelo seu orgulho e por minha indiferença, a partir daí veio o silêncio...

Mas depois de um longo período em silêncio quero lhe falar, à você e à todos: Fake conhecido só é pior quando também denomina-se crente, e bota crente nisso, pois precisa ter fé suficiente (quem sabe dois grãos de mostarda) em si mesmo para acreditar que consegue enganar todas as pessoas ao seu redor.

Não vou dar-te o Ibope desejado, mas usarei isso como uma lição, porque percebi que muitas pessoas vivem realmente em um mundo só seu, onde só entra quem é convidado e quando é conveniente, do contrário é 'carta fora do baralho'. Para muitas pessoas que o conhecem, do mundo de faz-de-conta, nada mudou e mesmo que elas te enxerguem com outros olhos, mais aguçados talvez, um fake nunca perde a maestria, porém, sobrou a mim o aprendizado de que não se deve entrar no mundo das pessoas sem ser convidado, ainda que a vida dela seja atraente e comovente ao mesmo tempo, ainda que só de olhar saibamos o que está acontecendo.

Alguém que se dá ao trabalho de manter uma página de relacionamentos como se fosse um boneco Vodu de tantas alfinetas que aparecem nos textos 'floridos' e 'cheios de deus', que mantém uma mentira virtual para se livrar da verdade carnal, que pensa (trama) minuciosamente em tudo, pois tem um coração gelado, esse alguém precisa encontrar de fato, o cara que pode mudar tudo isso, um tal de J.C., pois esse alguém ainda só O conhece de ouvir falar!

***

Galera do JVnaEstrada, show de bola os podcasts!

É fácil ser pastor...

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Quando a ignorância na Igreja não é vista como um inimigo a ser vencido, mas um importante aliado, copiando descaradamente o modelo governamental secular.

Quando se confunde a Igreja com propriedade particular, e aí cumpre-se o dito ambíguo que diz que o problema de alguns pastores é “que eles fazem na vida pública o que fariam na privada!”.

Quando encher os bancos (da Igreja) a qualquer custo é a meta, e encher os outros bancos é o objetivo.

Quando pregar é uma diversão e nunca uma responsabilidade, e aí se usa as oportunidades para entreter e divertir e nunca para ensinar e conscientizar.

Quando as agendas cheias transformam tarefas, como aconselhar, em uma "prática" (e terrível!) declamação da sabedoria duvidosa dos gurus da auto-ajuda.

Quando ouvir o aflito e angustiado está fora de cogitação. É mais fácil dizer: "reunam todos os quebrados aqui na frente que farei um clamor por atacado", e tudo resolvido...

Quando o referencial de gente bem sucedida é a classe política, os charlatões e os estelionatários da fé.

Quando estar acima da crítica é mais importante do que estar do lado da verdade.

Quando a relação com os demais obreiros é a de chefe e empregados, e nunca de companheiros na mesma luta.

Quando se busca a própria glória, o tapinha nas costas, a bajulação.

Quando não existe o menor esforço para ver Cristo formado nos irmãos.

Quando a única reforma que se conhece é de tijolo e cimento, e nunca do pensamento e da vida.

Quando o púlpito é o lugar mais escancarado da Igreja, que precisa ser ocupado por quem tem habilidade com manipulação das massas; e os métodos e as técnicas são mais apreciados do que conteúdo bíblico e teológico.

Quando os interesses e prioridades não são os de Cristo e do Reino, mas da cúpula e do império.

Enfim, é fácil ser pastor, quando se atropela a orientação da Palavra de Deus. Sim, é tudo muito fácil, "extremamente fácil", mas exige uma coragem imensa porque um dia se prestará contas ao Sumo-Pastor!

"A ordem de Jesus à Pedro foi 'apascenta as minhas ovelhas', não foi faça experiências com minhas cobaias, e nem ensine novos truques aos meus cães" C.S.Lewis

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Você é "Louco"! E "EU" com isso?!

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Tem um tempo para mim? Leia por favor!

Estou realmente acabado. É uma sensação de desgaste total. Isso só aconteceu porque entre tantas tarefas no trabalho ainda tenho que ouvir algumas pessoas e 'entendê-las', mas afinal, quem é que vai entender-me?

Quem deixará os ouvidos à postos para meia hora de desabafo meu?

Lidar com o ser humano é algo extremamente difícil. Vejam só vocês, durante esses últimos três meses precisei conviver com uma pessoa de bom coração, de boa fala, de boa família, diria até... acima de qualquer suspeita, mas ao longo desses meses e, em meio a tantas conversas e o próprio trabalho, descobri que estava lidando com um louco! É verdade, esse post não é uma brincadeira...

Entendam, não estou criticando a pessoa, ou estou? Se estou, não é a intenção.

Responde aí... você já trabalhou com alguém assim, com síndrome do pânico, com mania de perseguição ou com temperamento bipolar? Agora imagine uma pessoa com esses três problemas? Imaginou?

Bom galera... só queria compartilhar com vocês esse meu momento de total desgaste psicológico, alguém manda um help?

Como lidar com alguém assim?

Os girassóis e nós.

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Eles são submissos. Mas não há sofrimento nesta submissão. A sabedoria vegetal os conduz a uma forma de seguimento surpreendente. Fidelidade incondicional que os determina no mundo, mas sem escravizá-los.

A lógica é simples. Não há conflito naquele que está no lugar certo, fazendo o que deveria. É regra da vida que não passa pela força do argumento, nem tampouco no aprendizado dos livros. É força natural que conduz o caule, ordenando e determinando que a rosa realize o giro, toda vez que mudar a direção do Regente.

Estão mergulhados numa forma de saber milenar, regra que a criação fez questão de deixar na memória da espécie. Eles não podem sobreviver sem a força que os ilumina. Por isso, estão entregues aos intermitentes e místicos movimentos de procura. Eles giram e querem o sol. Eles são girassóis.

Deles me aproximo. Penso no meu destino de ser humano. Penso no quanto eu também sou necessitado de voltar-me para uma força regente, absoluta, determinante. Preciso de Deus. Se para Ele não me volto corro o risco de me desprender de minha possibilidade de ser feliz. É Nele que meu sentido está todo contido. Ele resguarda o infinito de tudo o que ainda posso ser. Descubro maravilhado. Mas no finito que me envolve posso descobrir o desafio de antecipar no tempo, o que Nele já está realizado.

Então intuo. Deus me dá aos poucos, em partes, dia a dia, em fragmentos.

Eu Dele me recebo, assim como o girassol se recebe do sol, porque não pode sobreviver sem sua luz. A flor condensa, ainda que de forma limitada, porque é criatura, o todo de sua natureza que o sol potencializa.

O mesmo é comigo. O mesmo é com você. Deus é nosso sol, e nós não poderíamos chegar a ser quem somos, em essência, se Nele não colocarmos a direção dos nossos olhos.

Cada vez que o nosso olhar se desvia de sua regência, incorremos no risco de fazer ser o nosso sol, o que na verdade não passa de luz artificial.

Substituição desastrosa que chamamos de idolatria. Uma força humana colocada no lugar de Deus.

A vida é o lugar da Revelação divina. É na força da história que descobrimos os rastros do Sagrado. Não há nenhum problema em descobrir nas realidades humanas algumas escadarias que possam nos ajudar a chegar ao céu. Mas não podemos pensar que a escadaria é o lugar definitivo de nossa busca. Parar os nossos olhos no humano que nos fala sobre Deus é o mesmo que distribuir fragmentos de pólvora pelos cômodos de nossa morada. Um risco que não podemos correr.

Tudo o que é humano é frágil, temporário, limitado. Não é ele que pode nos salvar. Ele é apenas um condutor. É depois dele que podemos encontrar o que verdadeiramente importa. Ele, o fundamento de tudo o que nos faz ser o que somos. Ele, o Criador de toda realidade. Deus trino, onipotente, fonte de toda luz.

Sejamos como os girassóis...

Uma coisa é certa. Nós estamos todos num mesmo campo. Há em cada um de nós uma essência que nos orienta para o verdadeiro lugar que precisamos chegar, mas nem sempre realizamos o movimento da procura pela luz.

Sejamos afeitos a este movimento místico, natural. Não prenda os seus olhos no oposto de sua felicidade. Não queira o engano dos artifícios que insistem em distrair a nossa percepção. Não podemos substituir o essencial pelo acidental. É a nossa realização que está em jogo.

Girassol só pode ser feliz se para o Sol estiver orientado. É por isso que eles não perdem tempo com as sombras.

Eles já sabem, mas nós precisamos aprender.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Em quem posso tocar?

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Por Renata Éboli - Blog da Equipe

Aqui na Portas Abertas todos os dias recebemos pedidos de oração. Alguns muito semelhantes entre si. O que é completamente compreensível, pois as causas da dor humana são, em sua maioria, universais. Esses pedidos são encaminhados por irmãos brasileiros, de outros países livres e de irmãos que vivem em contexto de perseguição.

É um grande privilégio partilhar nossas necessidades com irmãos em todo o mundo. Mas, em nosso trabalho cotidiano nos vemos diante de vários desafios. Um deles, no entanto, me levou a escrever. Trata-se do risco que corremos em nos habituar com o sofrimento. A naturalização das ocorrências de intolerância, oposição e perseguição aos nossos irmãos podem nos cauterizar, nos deixando insensíveis. Mesmo que racionalmente saibamos a profundidade e a dor que eles sentem, esse fato pode se tornar corriqueiro demais em nosso dia-a-dia. E esse perigo se estende a todas as situações que nos rodeiam e que deveriam nos tocar.

Há alguns dias recebemos, aqui no escritório, um pedido de oração vindo de uma das bases da Portas Abertas na Europa. O responsável por essa base encaminhou um sofrido pedido de oração pela esposa. O relato dava conta de que em três meses de dor intensa ela havia ficado sem dor por breves 30 minutos. E revelava que saber que estávamos intercedendo por eles ajudava-os a passar por aquele momento.

Esse episódio me fez lembrar de um momento que, até hoje, é extremamente sofrido para mim. O período em que minha mãe adoeceu, sofrendo por longo três anos, e sua posterior morte, foi um dos momentos mais dolorosos da minha vida. A convivência com a perda de entes queridos chegou para mim muito cedo. Isso me fez encarar a perda ocasionada pela morte com certa abnegação. Com minha conversão, esse sentimento ficou ainda mais ameno. Mas, perder a mãe é um segundo parto, com uma nova ruptura com aquele conforto que gozamos por 9 meses, agora por anos. Esse é o meu relato de um momento de sofrimento, igual a muitos que vemos e ouvimos todos os dias. Com uma diferença crucial, é o meu, e por isso, dói de forma extraordinariamente diferente.

Mas, o que o pedido de oração vindo da base da Europa tem a ver com lembrança do sofrimento que vivi pela perda da minha mãe? Assim como nossas orações têm feito diferença na vida desse casal, fez para mim e para minha mãe. Se pensarmos racionalmente, aparentemente nada mudou. A esposa do nosso irmão europeu continuou sentindo dores, minha mãe permanecia acamada e com muitas dores, mas, algo fez, sim, grande diferença.

Lembro a felicidade da minha mãe ao receber a visita de um amigo da juventude, convertido há poucos anos. Ele e sua esposa estiveram com mamãe dois meses antes de ela falecer. Levaram oração, consolo, flores e alegria para a vida dela. Talvez eles não soubessem o tamanho do bem que estavam fazendo a ela, e o quanto ela foi surpreendida por essa demonstração de amor. As dores ainda estavam lá, a tristeza por ter sido amputada ainda estava lá, mas, aqueles dois orando por ela, dedicando uma tarde para visitá-la, aliviou a dor do corpo, do coração e trouxe consolo à alma. Eles ainda estiveram com ela no hospital, onde apesar de estar no CTI, se mantinha lúcida. Isso aconteceu há quase um ano, e até hoje sou consolada pelo gesto desses irmãos.

É assim que nossos irmãos perseguidos recebem nossos gestos de empatia, quando oramos, nos dedicamos e os amamos. O fruto da nossa atitude talvez não mude a realidade deles no campo físico e material, até pode acontecer, mas, certamente mudará de uma maneira metafísica, espiritual, anímica.

É vital para nossa caminhada cristã trazer à memória os parâmetros do Senhor Jesus para tratar a dor humana. No evangelho vemos um Deus que se importa, se envolve e se solidariza com os que sofrem e os identifica um a um: “Quem tocou em mim?” (Lc 8.45)

A oração torna nossos braços longos para abraçar os que sofrem. Ela alcança os que estão longe e perto. Mas, ela pode ser acompanhada de outros ingredientes como sorrisos, flores, abraços. Atitudes tão simples para nós quando nos dispomos, e tão grandiosa para quem as recebe. Basta acordarmos todos os dias com um desafio em mente: – Em quem posso tocar hoje?

Minha oração é para que esse texto, de alguma forma, toque em você.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

O silêncio da morte.

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A morte nos trás momentos dignos de reflexão. Nos deixa sem chão, e nos coloca na contra-mão de tudo ao nosso redor.

Enquanto muitos estavam comemorando a vitória do Brasil em cima da Argentina, outros recebiam a notícia mais temida. Por volta das 21h00 do dia 05/09 faleceu alguém muito especial, um tio discreto e de bem com a vida, Seu Lindolfo.

Tudo foi tão rápido... depois de meses lutando contra um câncer. Enfim a cirurgia, mas após alguns dias precisou ir para a U.T.I., e por problemas ocasionados por falta de proteínas no sangue, não resistiu (embora tenha lutado bravamente).

Por mais que tivéssemos esperança, nada pode ser feito... ele se foi.

A angústia toma conta de todos, a madrugada de sábado para domingo tem um gosto amargo, o sono não vem, o telefone não toca. As 2h00 da madrugada de domingo a notícia do velório e enterro e em menos de oito horas deixaríamos um corpo irreconhecível ser enterrado.

Por alguns instantes quero esquecer as imagens do velório e do enterro, prefiro lembrar-me de alguém que viveu muito (70 anos é muito tempo), foi um exemplo de Marido, Pai, Avô. Um senhor simples, risonho, cheio de graça. Fanático por futebol, corinthiano roxo (isso era péssimo... rsrs), não perdia um jogo na telinha com seu radinho de pilha ao pé do ouvido. Na reuniões da igreja em sua casa sempre estava no cantinho ouvindo tudo atentamente, gostava de ouvir os hinos da igreja. Lembro-me de um em especial:

Sossegai (Hinos e Cânticos 446)

Ó Mestre, o mar se revolta, as ondas nos dão pavor! O céu se reveste de trevas, não temos um salvador! Não se Te dá que morramos? Podes assim dormir, se a cada momento nos vemos, sim prestes a submergir?

CORO:
"As ondas atendem ao Meu mandar: Sossegai!
Seja o encapelado mar, a ira dos homens, o génio do mal,
tais águas não podem a nau tragar, que leva o Senhor, Rei do céu e mar.
Pois todos ouvem o Meu mandar: Sossegai! Sossegai!
Convosco estou para vos salvar; Sim, sossegai!"

Mestre, na minha tristeza estou quase a sucumbir. A dor que perturba minh'alma, eu peço-Te, vem banir! De ondas do mal que me encobrem, quem me fará sair? Pereço sem Ti, ó meu Mestre! Vem logo, vem me acudir!

Mestre, chegou a bonança, em paz eis o céu e o mar! O meu coração goza calma que não poderá findar. Fica comigo, ó meu Mestre, dono da terra e céu, E assim chegarei bem seguro ao porto, destino meu.

***

Quero encontrá-lo, quando eu chegar ao céus!

sábado, 5 de setembro de 2009

O sonho que abriu meus olhos.

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... Tudo não passara de um sonho que tive acordado. Deixei-me, por um instante, ficar cego para o mundo exterior, para que os olhos da minha alma pudessem ver e sondar as profundezas, até então, indevassáveis do meu ser.

No sonho, eu via duas células se juntando. Logo depois elas davam origem a um embrião, que por sua vez se transformava em feto. De repente, uma mulher me apareceu em dores de parto. Percebi após um momento de silêncio, um choro forte de um bebê. Ouvi vozes ao longe: “Nasceu o filho da virgem Maria”.

Num segundo, lá eu estava vendo cenas da curta infância do Filho do carpinteiro José. De repente, ele me apareceu aos doze anos, corpo franzino, desengonçado, tinha a cabeleira vasta e desalinhada. Ainda tão criança já estava cuidando das coisas de seu Pai: discutindo religião com os mestres no Templo. Vi-me mergulhado no pequeno mundo dessa tenra criança.

Emocionei-me ao vê-Lo aos trinta anos, começando um breve e marcante ministério. Pude ver cenas de verdadeiros milagres. Vi muitas pessoas humildes reunidas ao seu redor, ouvindo em silêncio as suas interessantes lições sobre um Reino muito diferente daqueles que os fariseus preconizavam. Vi também homens que o perseguiam, e, eram esses homens, justamente, os sucessores de Moisés, que tinham a função de zelar pela Lei. Pela maneira que esses homens se comportavam, dava para perceber que estavam fazendo ali um “conchavo” de natureza política. Deu para notar sobre quem falavam. “É melhor que Ele morra, para que não percamos os nossos cargos” , deu para ouvir claramente.

Via-O agora aos trinta e três anos de idade, diante de uma corte de juízes. Ouvi ecoar o brado do veredicto: “será condenado à morte de cruz” , pena máxima para o horrendo pecado de blasfémia.

Vi depois, um túmulo vazio. Vozes diziam: “ele não está mais aqui”.

Fui transportado para um outro plano. Tinha chegado ao topo de uma colina, com o coração batendo forte, lutando bravamente para impedir a fuga do tempo, que teimava em avançar na sua corrida implacável, deixando dias, semanas, meses e anos para trás.

A uma distância de poucos metros, estava agora diante de dois homens. A certeza veio num estalo: estava presenciando um encontro inusitado entre um Pai e seu Filho. Cheguei mais para perto deles, pisando em lã, para não fazer barulho e não atrapalhar o significativo diálogo entre eles. Pena, que tenha perdido o começo da história que o Filho contava para o Pai, de maneira entusiástica.

Agucei bem os meus ouvidos para escutar a maravilhosa prestação de contas entre o Filho e seu querido Pai. Sentei-me de costas para uma escarpa, cuidadosamente, para não romper com o encanto daquele esplêndido quadro.

No oculto de minha doce solidão, transformei-me num expectador privilegiado de um diálogo, que mais tarde, me abriria os olhos para uma evidência maravilhosa. O diálogo emblemático, assim transcorreu:

─ Corri o risco de nunca mais voltar ─ disse o Filho para o Pai de olhar circunspecto.

─ Não havia outra alternativa para resgatar os filhos da minha maior obra da criação ─ respondeu o Pai ao seu Filho, em tom resignado. ─ Já estava cansado de tantas guerras contra os inimigos do povo que escolhi com tanto amor. Abrão, Moisés, Jacó, Davi foram grandes líderes, mas falharam na hora “H”. Todos foram tentados em seus próprios desejos, e, em maior ou menor grau, sucumbiram às artimanhas da geração daquele que, apesar de ser o mais belo e formoso dos anjos da minha corte, rebelou-se e quis usurpar o meu trono, motivo pelo qual foi lançado nas profundezas caóticas da terra.

 Compreendemos que, o maior inimigo do homem não era o seu semelhante  afirmou o Pai para o seu Filho.  A maior guerra, na verdade, estava sendo travada dentro do próprio indivíduo, entre as forças do mal e a sua consciência regida pela moral e ética que os ditames da minha Lei requeriam. Tornar esse fato, consciente, foi a razão maior do pacto que fiz contigo  concluiu o Pai, pousando suavemente a sua mão direita sobre a cabeça do Filho.

─ Não foi fácil meu Pai  disse o Filho franzindo o cenho. ─ Instintos medonhos habitam o oceano tenebroso da alma humana. Mergulhei profundamente no abismo profundo desse mar, onde dormem monstros terríveis que não podem ser despertados. Que pude comprovar, senão que a carne é fraca? Todas as vicissitudes e desejos humanos moeram-me por dentro. Doei–me de corpo e alma para viver a tragicidade da condição humana. Por isso mesmo me dispus perante Ti, a ser advogado de todos que me aceitaram como teu Filho, para perdoá-los em suas fraquezas. Está escrito que o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Não poderia entendê-los se o meu relacionamento fosse dentro de uma relação “Senhor  escravo”. Eram escravos e eu os transformei em amigos, para que vissem em mim um irmão, e não um senhor. Fiz-me igual a eles para ganhar a sua confiança, afim de que pudessem crer em Ti, através de mim. Desejos atrozes quiseram me dominar. Angustiei-me muitas vezes. Indignei-me com os que fizeram da Tua casa um covil de ladrões. Fui surpreendido com a fé de alguns que não eram judeus. Comovi-me com os que sofreram a perda de parentes próximos. Chorei sobre Jerusalém. Amei e intercedi pelos saudosos discípulos que me deste, os quais, foram uma parte de mim na nobre missão que me confiaste.

Eu ouvia tudo isso com o coração contrito, mas algo na minha imaginação, não encontrava eco em minha própria consciência. Sabia de antemão que Deus por ninguém é tentado. Como compreender que Ele entregara o seu único filho para ser tentado pelo veneno dos desejos pervertidos da milícia de anjos caídos que tinham como poderoso chefão, o ex-anjo de Luz, e agora Rei das trevas?

Ao ouvir atentamente toda a conversa entre eles, a minha mente, que até então estava obscurecida, abrira-se para a compreensão de que Cristo tinha inaugurado uma nova aliança, com o ser humano sob a égide da fraternidade. Fizera nascer o amor entre os irmãos. A barra transversal da cruz onde ficaram estendidos os seus braços na horizontalidade, passou a ser o símbolo maior dessa comunhão entre irmãos.

O inusitado diálogo do meu sonho acordado, trouxe-me à tona o “porquê” de Deus ter abandonado o seu Filho na cruz, a sua própria sorte. Por ter vivenciado todas as vicissitudes do drama humano, sem pecar, coube a Ele, assumir as consequências do pecado do homem, sacrificando-se até a morte, para religá-lo com o seu Criador.

Um clarão assomou a minha mente, fazendo-me lembrar do que estava escrito em Hebreus 4: 15: “Pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se de nossas fraquezas, porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado”.

Antes de despertar do meu sonho acordado, vi o Pai levantar-se do seu trono e dar um forte abraço no seu Filho único.

Antes de se retirar, tive a impressão de ver o Filho dirigir o seu olhar até onde eu estava. Não tive dúvida de que foi para mim que ele falou, encerrando o maravilhoso diálogo.

 Agora meu Pai, entendendo que a guerra interior entre a carne e o espírito é cruel e ininterrupta, toda vez que o homem fraquejar, Eu intercederei por ele, para que a Tua misericórdia o alcance  finalizou o Filho.

Foi essa frase conclusiva que me despertou do sonho acordado, abrindo os meus olhos interiores para enxergar que não estava só na minha caminhada , havia um amigo e irmão sempre ao meu lado, em qualquer situação.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Guerra santa na blogosfera cristã

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Por Antônio Mano - Blog Mano & Lívia

Desde que sentenciei-me a empregar momentos do dia com este blog, expressando e reverberando, bati inúmeras vezes na alteração da verdade, que porfia a coroa apologética entre os blogueiros cristãos, os quais desavêm em algumas faixas por mim percebidas.

º Uns de igrejas ditas históricas, com tintura intelectual geralmente;

º Uns de igrejas ditas pentecostais, possuidores de grande teor emocional e coloração espiritual;

º Uns de igrejas neopentecostais ou de outros chamativos, que se contemporizam nas formas e linguagens.

Penso que as questões diversas, têm principalmente, a Bíblia como eixo de rotação. Nisto, reputo que a Bíblia é um livro sagrado. De sagrados textos, inspirações e revelações. De santos (separados) homens escritores. Creio que Deus fala-nos através dela e contra passo não crendo que ela seja A Palava de Deus. Creio na inerrância bíblica e por isso, creio que Jesus Cristo é A Palavra de Deus. Não existe teologia no mundo que faça Deus caber na Bíblia. Se Deus não for maior, a própria é desapreciada à um grande complexo de estórias, e não de histórias.

É certo que muitos se aproveitam disto para “ver” e “ouvir” Deus e anjos (e suas nomenclaturas e ou entendimentos) em lugares diversos e de formas mais diversas ainda. Por isso talvez, Martinho Lutero tenha dito o que disse a respeito de tais experiências. E é pouco depois de Lutero, que viemos perdendo o exercício do discernimento espiritual. É mais seguro, usarmos a Bíblia como âncora e molde. Sim, é seguro, mas também, revela nossa imaturidade e insegurança. Expõe nossa cegueira e temor diante dos detractores que usurpam e manipulam as Sagradas Escrituras e o povo. E isto, nos leva aos embates teológicos.

Não me atrevo a questionar a relevância da blogagem cristã, seria pré-potente, e desonesto, visto que não conheço-a em sua totalidade. O que menciono aqui, é uma generalização cruel e injusta (toda generalização assim se torna), do reflexo da maioria dos (poucos) blogs que leio.

Graças a Deus pelas excepções!

Apesar de discorrer superficialmente, pensei ser interessante reverberar aqui estes pensamentos, mesmo me arriscando a incorrer no mesmo erro.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Reconhecer um Chamado...

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Nesses últimos dias fiquei abismado com tanta informação gerada pelos blogs que sigo. Após alguns dias de total relaxo (o meu é claro) fiquei realmente sem saber o que fazer, queria comentar em todos, mas não deu.

Mas alguns posts chamaram-me a atenção, como por exemplo a notícia do blog Aprendiz de Teólogo. Tanto o blog como o podcast chegaram ao fim. Li esse post com muito pesar, embora não acompanhasse de perto a trajetória do editor Féll e da galera que fazia o podcast, é muito triste ver algo terminar assim. Fiquei pensando... e algo que ele disse faz sentido... 'Vale prejudicar estudo, ministérios e família pra se ter um bom blog? Minha resposta foi: Não, não vale.'.



Li outro post sobre algo que nunca imaginaria ler. Prestem atenção, 'Um evento de gala ocorreu em Gaza. O Hamas foi o patrocinador de um casamento em massa para 450 casais. A maioria dos noivos estava na casa dos 25 aos 30 anos; a maioria das noivas tinham menos de dez anos.', retirei esse trecho blog Cristianismo Radical. Não consigo imaginar algo assim (e você?), mas acontece.

Entender por que um blog chega ao fim e o que motiva as pessoas deixarem essas atividades para fazerem algo diferente ou simplesmente começarem a viver melhor é tão difícil quanto imaginar o que leva um homem de 30 anos, casar-se com um menina de 10 anos. Porém para os dois casos e de maneiras bem distintas algo deve acontecer...

Quando vemos pessoas reconhecerem o seu Chamado para missões fica fácil entender essas e tantas outras coisas que acontecem ao nosso redor. Esses tema "O Chamado para Missões" foi abordado pela galera do podcast irmaos.com com a participação de Ariovaldo Ramos e Eduardo Carpenter.

Deus, obrigado por nos fazer entender o porquê de uns receberem o Chamado e deixarem de fazer algo para dedicar-se a Deus, e ver outros que por sua vez são tocados por notícias como a do casamento aí de cima e obedecem o IDE do Senhor Jesus Cristo.
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