terça-feira, 8 de setembro de 2009

O silêncio da morte.

A morte nos trás momentos dignos de reflexão. Nos deixa sem chão, e nos coloca na contra-mão de tudo ao nosso redor.

Enquanto muitos estavam comemorando a vitória do Brasil em cima da Argentina, outros recebiam a notícia mais temida. Por volta das 21h00 do dia 05/09 faleceu alguém muito especial, um tio discreto e de bem com a vida, Seu Lindolfo.

Tudo foi tão rápido... depois de meses lutando contra um câncer. Enfim a cirurgia, mas após alguns dias precisou ir para a U.T.I., e por problemas ocasionados por falta de proteínas no sangue, não resistiu (embora tenha lutado bravamente).

Por mais que tivéssemos esperança, nada pode ser feito... ele se foi.

A angústia toma conta de todos, a madrugada de sábado para domingo tem um gosto amargo, o sono não vem, o telefone não toca. As 2h00 da madrugada de domingo a notícia do velório e enterro e em menos de oito horas deixaríamos um corpo irreconhecível ser enterrado.

Por alguns instantes quero esquecer as imagens do velório e do enterro, prefiro lembrar-me de alguém que viveu muito (70 anos é muito tempo), foi um exemplo de Marido, Pai, Avô. Um senhor simples, risonho, cheio de graça. Fanático por futebol, corinthiano roxo (isso era péssimo... rsrs), não perdia um jogo na telinha com seu radinho de pilha ao pé do ouvido. Na reuniões da igreja em sua casa sempre estava no cantinho ouvindo tudo atentamente, gostava de ouvir os hinos da igreja. Lembro-me de um em especial:

Sossegai (Hinos e Cânticos 446)

Ó Mestre, o mar se revolta, as ondas nos dão pavor! O céu se reveste de trevas, não temos um salvador! Não se Te dá que morramos? Podes assim dormir, se a cada momento nos vemos, sim prestes a submergir?

CORO:
"As ondas atendem ao Meu mandar: Sossegai!
Seja o encapelado mar, a ira dos homens, o génio do mal,
tais águas não podem a nau tragar, que leva o Senhor, Rei do céu e mar.
Pois todos ouvem o Meu mandar: Sossegai! Sossegai!
Convosco estou para vos salvar; Sim, sossegai!"

Mestre, na minha tristeza estou quase a sucumbir. A dor que perturba minh'alma, eu peço-Te, vem banir! De ondas do mal que me encobrem, quem me fará sair? Pereço sem Ti, ó meu Mestre! Vem logo, vem me acudir!

Mestre, chegou a bonança, em paz eis o céu e o mar! O meu coração goza calma que não poderá findar. Fica comigo, ó meu Mestre, dono da terra e céu, E assim chegarei bem seguro ao porto, destino meu.

***

Quero encontrá-lo, quando eu chegar ao céus!

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