terça-feira, 27 de outubro de 2009

Nada melhor do que Salmos 23!

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Hoje foi um daqueles dias! Uma conversa de alguns minutos ao telefone tem o poder de nos derrubar, ainda mais quando essa conversa é com a própria mãe.

Enfim, diante do que foi dito, ou melhor, discutido, entre tantos altos e baixos, em um relacionamento de pouca demonstração de afeto, poucas palavras amorosas e críticas (construtivas?), notei que sou fruto do rancor e ódio, da intolerância e insegurança, da soberba e ojeriza, da melancolia dos dias...

Cansei de declarar que os dias estão ruins, que as pessoas são folgadas, que o mundo está em crise.

Sabe por quê?

Por que: O Senhor é o meu pastor; de nada terei falta. Em verdes pastagens me faz repousar e me conduz a águas tranquilas; restaura-me o vigor. Guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome. Mesmo quando eu andar por um vale de trevas e morte, não temerei perigo algum, pois tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me protegem. Preparas um banquete para mim à vista dos meus inimigos. Tu me honras, ungindo a minha cabeça com óleo e fazendo transbordar o meu cálice. Sei que a bondade e a fidelidade me acompanharão todos os dias da minha vida, e voltarei à casa do Senhor enquanto eu viver.

Em busca de lágrimas absolutas.

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Minhas antigas amizades se dissolvem como bolhas de sabão. Esqueci nomes. Mal consigo lembrar os olhos de quem já passou por minha vida. O passado diluiu momentos que poderiam torná-los familiares. Fiz-me irmão, e doei-me inteiramente a companheiros, mas hoje hesito. Desconfiado, reparto pedaços do coração. Não suporto imaginar a dor de outras separações, de mais decepções.

Tenho medo de abrir os porões da alma. A desarrumação de minha casa faz sentido para mim. O que os outros consideram bagunça, tem uma sincronicidade própria, que me deixa em paz. Vacilo em rasgar os envelopes selados, onde escondo segredos. Sei detectar os traumas que me deixaram chorão, os complexos que me deram olhos melosos, as circunstâncias que me fizeram viver à beira do pranto, as fragilidades que me transformaram em tímido. Mas não pretendo explicar nada a ninguém.

Tornei-me cauteloso quando brinco e rio. Fujo dos que procuram analisar a minha felicidade; ela não carece de julgamentos. O riso que meus lábios desenham não tem que ser explicado. Introjeto a alegria para que não seja pisoteada como a pérola da parábola. Prezo em não deixar vazar frágeis contentamentos; a pouca riqueza que amealhei merece ser guardada debaixo de mil segredos.

Olho para colegas e antecipo navalhadas. Resguardo as costas dos estiletes da inveja. Assusto-me. As maldades que já sofri são parecidas com as que eu próprio já acalentei no peito. Se não sei explicar o porquê de atitudes mesquinhas em mim, também não justifico a estreiteza que observo no próximo. Não sou pior nem melhor que os demais. Por isso, cerco o quintal de casa contra lobos ferozes. Sempre espero alguém ávido para destruir o pedacinho da dignidade que me resta.

Meus desalentos não serão rasos. Desço às regiões abissais da angústia. Envolvo-me na absoluta escuridão da casmurrice; que o lençol do desgosto me isole. Quero ficar na quarentena dos tristes. E provar a verdade de que “são bem-aventurados os que choram, porque serão consolados”.

Soli Deo Gloria

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Eu erro, mas um dia tomo tento!

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Um misto de sentimentos é o que tenho.

Qualquer dia desse eu vou explodir de tanta ansiedade, quero ser alguém, quero ter alguém além daqueles que já tenho, quero... Quero... E quero. Não vou desistir, ainda que não saiba realmente qual a intenção desse querer incontrolável que me assola como um trator.

Uma pena que, ‘querer’ realmente não significa ‘poder’. Mas sigo assim mesmo, caminhado e cantando, às vezes calado também, pois o silêncio é a melhor resposta para algumas situações.

Conversa de doido não é? Mas, aqui posto o que bem entendo, embora o que acontece nesse exato momento é algo que não dá para entender, mas e daí? O que é preciso entender para sentir algo indescritível? Quero continuar nesses erros e acertos, pois só assim um dia poderei entender o porquê das coisas, mas deixo claro que não vivo de erros pecaminosos, aposto que pensou exatamente isto, meus erros são iguais ao de qualquer pessoa, são iguais aos seus erros.

Eu Erro...

... por não saber controlar a emoção e falar o que vem ao pensamento...

... por não deixar a emoção explodir em lágrima a qualquer momento...

... por não falar baixinho (que indiscrição, que vergonha) então só lamento ...

... por temer a morte e mesmo assim dizer que tenho sorte, pois meu Deus é forte ...

... por temer fazer aquilo que minha consciência pede, que constrangimento ...

... por devastar alguém só com um olhar, e agora o mal impera e não tomo tento ...

... por não saber e por muitas vezes não querer saber, daí erro mesmo ...

Enfim, eu erro muito minha gente, mas sabe de uma coisa... se não fossem os erros talvez nunca que escreveria algo assim, tão meu ... só meu, e por alguns instantes tão seu e meu.

As vezes algumas leituras não servem para nada, acredito que esta será uma delas, mas fazer o que se escrever sentimentos é isso, é escrever um misto, e dedilhar o dedo e deixar acontecer.

P
eço desculpas por ter perdido seu precioso tempo no desenrolar enrolado dessas palavras.

A Vila ... ou melhor A Igreja.

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Por Theo Pimenta do blog Evangelho x Religião

Estrelado pelo diretor M. Night Shyamalan (Sexto Sentido e Sinais) o filme A Vila faz uma forte denúncia a toda forma de limitação.

Em resumo, o filme trata da história de pessoas que moram num vilarejo no qual criam suas famílias isoladas de qualquer contato com o mundo externo.

Para manter o isolamento, esse grupo, chamado pelos habitantes da vila de “Os Anciãos”, cria uma lenda sobre monstros que habitam a floresta que cerca o vilarejo. Todos os que entrarem na floresta serão mortos pelos seres chamados “Aqueles de quem não mencionamos”.

Dessa forma os anciãos utilizam estratégias mentirosas e ardilosas para amedrontar os habitantes da comunidade e mantê-los submissos e dominados. Utilizam vestimentas de monstros, matam animais e deixam seus corpos expostos na vila, tudo com a ´nobre finalidade´ de manter a ordem e o equilíbrio na comunidade para que ninguém decida deixá-la.

Na realidade o filme trata sobre a dominação que o líder ou líderes acabam tendo sobre seus liderados e deixa claro que todas as estratégias são válidas para mater o código de conduta imposto pela instituição criada.

Não sei porque tenho a impressão que conheço isso muito de perto...

Vivi praticamente toda a minha vida dentro das limitações impostas a mim pela instituição religiosa da qual fazia parte: "isso é proibido", "isto não agrada a Deus", "isso é mundano", "obedeça seu pastor", "seja submisso a seus líderes", "não retenha o que é do Senhor (ou do pastor??)" - caso contrário Deus não vai te abençoar...

Se analisarmos bem vamos perceber que cada igreja (denominação) cria seu próprio código de conduta (dizem que tiram da bíblia...) e utilizam toda a estratégia e autoridade possível para manter seus liderados limitados ao que eles querem.

É triste, mas muitos são vítimas desse sistema e acabam aprisionados nas mentiras teológicas (isso mesmo, mentiras em nome de Deus) e passam a tê-las como verdades que a levarão a um relacionamento correto com Deus.

Que bom que fui alcançado pela graça do Senhor e não preciso mais das limitações impostas pela instituição para conquistar a minha salvação e desfrutar a minha comunhão com Deus.

Nunca é tarde... liberte-se da religião... resista as limitações impostas pela instituição...

...fuja dos líderes dominadores e que utilizam a bíblia para conquistar seus próprios interesses...

...faça parte, definitivamente, da graça do nosso Senhor Jesus Cristo...

domingo, 25 de outubro de 2009

Entre colchetes.

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A mulher respondeu:

— Agora eu sei que o senhor é um profeta! Os nossos antepassados adoravam a Deus neste monte, mas vocês, judeus, dizem que Jerusalém é o lugar onde devemos adorá-lo. Jo 4.19,20

[Desculpe-me, por entrar na conversa. Mas, quando você desconfiou que ele era profeta; já que você diz “agora eu sei que o senhor é profeta”?

A mulher respondeu:

Quando ele disse que se eu soubesse o Deus tem para dar, e quem era o que me pedia, eu lhe pediria e ele me daria água da vida. Entre nós, água da vida é um rio de águas correntes, e também lugar apropriado para batismo, para a purificação. Ele estava me chamando a atenção para questões espirituais. Por isso eu perguntei se ele era maior do que o nosso pai Jacó. Com o que ele falou sobre mim, a desconfiança virou certeza.

Ah! Grato! Saio como se não tivesse entrado.]

Jesus disse:

— Mulher, creia no que eu digo: chegará o tempo em que ninguém vai adorar a Deus nem neste monte nem em Jerusalém. Vocês, samaritanos, não sabem o que adoram, mas nós sabemos o que adoramos porque a salvação vem dos judeus. Mas virá o tempo, e, de fato, já chegou, em que os verdadeiros adoradores vão adorar o Pai em espírito e em verdade. Pois são esses que o Pai quer que o adorem. Deus é Espírito, e por isso os que o adoram devem adorá-lo em espírito e em verdade. Jo 4.21-24

[Intrometendo-me, de novo... Jesus! Ela mudou de assunto? E o Senhor a acompanhou?

Jesus respondeu: Pergunte a ela, se ela, de fato, mudou de assunto!

A mulher respondeu:

Não mudei de assunto, não! Adorar a Deus é viver do jeito de Deus, segundo a lei, e quando a gente tropeça na lei, adorar é ir pedir perdão, o mais rápido que a gente puder; e ir ao templo ou ao altar no monte Gerisim levando um cordeiro ou um pássaro, que será sacrificado para que a gente possa ser perdoado. O profeta me chamou a atenção para o fato de que estou em débito com Deus. Eu lhe disse que ninguém sabe onde, de fato, a gente pede perdão a Deus: no monte Gerisim, como nos ensinaram os nossos pais, ou em Jerusalém, como ensinaram os pais dele. Ele disse: em Jerusalém, mas acrescentou: a partir de agora é em qualquer lugar, a partir de mim mesma.

Entendi. Espero não atrapalhar mais.]

A mulher respondeu:

— Eu sei que o Messias, chamado Cristo, tem de vir. E, quando ele vier, vai explicar tudo para nós. Jo 4.25

[Cá estou, de novo... Por que você diz que vai esperar pelo Messias? A palavra do profeta não basta?

A mulher respondeu:

Veja! O profeta está mudando coisa demais! Ele está dizendo que para eu pedir perdão a Deus eu não preciso mais ir ao templo de Jerusalém, ou ao altar no monte. Ou seja, ele acabou de destruir o templo e o altar! E, mais, quem vai morrer em meu lugar? Ele acabou de abolir o sacrifício! É mudança demais! Ele está mexendo em questões sagradas! Só o Messias tem autoridade para tanto.

Entendi, faz sentido, realmente, é mudança demais! (Eu sabia quem ia morrer, ou melhor, já tinha morrido no lugar dela, mas não quis atropelar o processo, já tinha me intrometido demais)]

Então Jesus afirmou:

— Pois eu, que estou falando com você, sou o Messias. Jo 4.26

[E agora, minha senhora? Ops! Desculpe! Eu de novo! O homem disse que ele é o Messias, portanto, quem tem autoridade para mudar todas as coisas... O que você fará?

A mulher respondeu:

Eu? Vou correndo contar para todo mundo que o Messias chegou, e a gente pode, então, pedir perdão a qualquer hora, do nosso coração para o coração de Deus, e ser perdoado! O Messias chegou! E a Liberdade está ao alcance de um grito: Perdão, Deus! Perdão!]

Interessante! Para os daquele tempo, adorar era pedir perdão! Quer dizer: era viver de acordo com a lei e pedir perdão, o mais rápido possível, se quebrasse a lei. Para nós é elogiar a Deus. Quem estará certo?

Deus é o criador, nós, criaturas. Logo, menores que Deus. Deus é infinito, nós, finitos. Logo, infinitamente menores que Deus, porque tudo o que é menor do que o infinito é infinitamente menor.

Então, todo o elogio que fazemos a Deus é infinitamente menor do que ele é de fato. Seja amor, bondade, misericórdia... tudo, em Deus, é infinitamente maior do que conseguimos dizer ou perceber.

É... A palavra da gente só encontra Deus quando pedimos perdão, quando reconhecemos que Deus está certo e a gente em erro e lhe pedimos que nos perdoe.

Eles estavam certos!

Adorar, portanto, é viver do jeito de Deus. Toda vez que a gente não vive assim, seja em sentimento, pensamento, palavra e ações, a gente deve pedir perdão. Cada vez que a gente pede perdão o Espírito de Deus nos comunica o perdão da Trindade e nos leva na retomada do caminho de viver do jeito de Deus (1Co 3.18) . O Messias fez o necessário para que possamos ser perdoados e reconduzidos ao caminho.

Hoje, viver do jeito de Deus é viver como Jesus de Nazaré, em quem a gente vê Deus como é e a gente como a gente deve ser. Jesus é o caminho de vida em que, pela graça, somos repostos quando pedimos perdão!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

I never lost my praise.

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I've lost
Some good friends
Along life's way
Some loved ones departed
In heaven to stay
But thank god
I didn't lose everything
I've lost faith in people
Who said they cared
In time of my crisis
They were never there
But in my disappointment
In my season of pain
One thing never wavered
One thing never changed

Chorus:
I never lost my Hope
I never lost my Joy
I never lost my Faith
But most of all
I never lost my Praise

My praise still here
My praise still here

I've let some blessings
Slip away
When i lost my focus
And went astray
But thank God
I didn't lost everything
I lost possessions
That were so dear
I lost some battles
Walking in fear
But in the midst
Of my struggles
In my season of pain
One thing never wavered
One thing never changed

(chorus)

Praise, praise, praise
Praise, praise
Most of all
I never lost my praise

My praise still here
My praise still here

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Simplicidade idiota.

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Me admira que pessoas prefiram categorizar a vida de modo tão radical e simplista. Como se fôssemos amebas, limitadas a uma constituição unicelular ridícula e totalmente compreensível. Ignoramos até mesmo as complexidades sentimentais e, por isto, frustramos a outros e a nós mesmos na tentativa de encontrar modelos de conduta verdadeiramente aplicáveis na vida prática.

Tentamos fazer do evangelho uma série de regras em que podemos acertadamente dizer “isto é certo” ou “isto é errado”. Como se a vida dada por Deus pudesse ser reduzida a meros erros e acertos. Como se as complexidades de nosso ser tivessem fugido ao controle do Criador.

Apenas a VERDADE pode nos libertar por que ela revela quem somos e o quanto somos incapazes de encontrar uma auto-redenção. Apenas renunciando até à capacidade de acertar, seremos encontrados aptos a genuinamente vivermos a nova vida em Cristo. Aquele que desistiu de não errar, encontra-se na situação ideal e preferida do Redentor.

Mais do que apenas abandonar as velhas práticas, a fé operosa será caracterizada como aquela que possui seu foco em SER aquilo que Cristo diz que devemos ser. Apenas isto.

Aqueles que insistirem em simplificar os processos, concentrando seus esforços na luta contra as práticas da carne, inevitavelmente se frustrarão. Pois a carne sempre vencerá. Não se pode combater fogo com fogo. Por isso, esta é uma luta perdida.

Pra exterminar o fogo, deve-se primeiramente encontrar uma fonte suficiente de água. Pra um fogo incontrolável, uma fonte inesgotável.

Em cada nuance de nossa miséria, complexidade, sentimentos e angústias; em cada pequeno detalhe, podemos sentir a inspiração do Criador. Em cada gole, em cada respiração. Em cada segundo, a eternidade. Em cada detalhe, o infinito.

Consegue sentar-se com amigos verdadeiros de frente à praia e não sentir-se em casa?
Consegue perceber que há amigos recentes que parecem ser velhos conhecidos?
Consegue ouvir Coldplay e não sentir Deus?

Será que o evangelho realmente o tornou livre o suficiente para que possa compreender o que estou tentando dizer?

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Vazio.

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Por Sou o que os olhos de Deus vêem..., e nada mais!- Via Blog Falei!

Ontem fui a um "culto" de uma igreja daqui da cidade. Fato que deveria ser mais normal, mas não tem sido não, confesso..., e não como erro, mas confesso que não me sinto atraído por aquilo que tem se chamado de "culto" ultimamente.

Sabe aqueles momentos de extremo vazio na sua vida?? Sabe aqueles momentos em que você vai a uma festa de aniversário de alguém que não tem amigos em comum com você? E você fica como peixe fora d'água? Sabe o que é sentir um vazio enorme, onde o ideal era nos sentirmos satisfeitos? Sabe quando você fica "morrendo" de sono mesmo diante de barulho, som alto, gente falando, de tão chato que está o momento?

Foi esse misto de sentimentos e perguntas que ficaram na minha cabeça ontem. E não, não desprezo a presença do Deus vivo, o poder das escrituras, a maravilha da oração, a liberdade da graça, etc...

Mas parece que não se dava atenção alguma a nada disso lá!! Dava-se atenção a uma liturgia bem distribuída e um monte de dogmas sendo cumpridos. Faltava vida!!!
Faltava movimento!! Faltava espontaneidade!!!

Com tudo isso ficava me perguntando se era possível ser sincero ali. Se poderia compartilhar minhas experiências, meus pecados, minhas dificuldades..., livremente. Se poderia interromper há qualquer momento o decorrer da liturgia pra pedir uma oração, dar uma palavrinha pra alguém, orar por outros..., sei lá..., algo espontâneo..., será??

Ouvi a palavra e me concentrei, pedindo para, no mínimo, Deus falar algo pra mim que tivesse a ver com nosso relacionamento, nossa amizade, e não com o que tava rolando ali..., e o pregador da noite trouxe uma palavra sobre Salmo 34:8: "Provai e vede que o Senhor é bom. Como são felizes os que nele se refugiam".

Com toda (nítida!) falta de preparo, falta de experiência, sem exegese, hermenêutica ou homilética alguma lá se foi o pregador a falar sobre provar. Repetiu várias vezes a mesma coisa. Se mostrou preocupado com sua própria inexperiência pedindo desculpas. Repetiu mais algumas várias vezes a mesma coisa. E sim, Deus falou comigo. Esse texto foi muito propício pra um momento que tenho passado. Mas, ainda assim, fiquei triste e preocupado..., olhei para o lado tinha gente dormindo. Gente que tava bem aceso na hora das músicas.Alguns mais preocupados com os besouros que entravam e voavam pelo salão. E outros com cara de tédio mesmo, de "não-tô-entendendo". O som ainda estava ruim, pra piorar. Era difícil entender o pregador se não "lêssemos sua boca" e aquilo que pronunciava.

E aí saímos..., eu um pouco satisfeito porque a palavra, lida em seu contexto direto na bíblia e fazendo sentido com o que estou passando (que nada tem com o que o pregador quis dizer!), mas triste e insatisfeito por (re?)constatar algumas coisas:

- O que tem sido dado de alimento para os que buscam nas instituições serem satisfeitos?
- Como poderemos encontrar liberdade e/ou um ambiente propício para sermos sinceros e honestos com nossos mais profundos sentimentos?
- Onde encontraremos uma comunidade aberta pra compartilhar a vida que vivemos com Cristo, com a sociedade ao redor (amigos e inimigos) e conosco mesmo?
- Quando é que a preocupação com as pessoas vai vencer a preocupação com a liturgia e a doutrina, excencialmente institucionais?
- E porque é preciso uma vencer a outra se era pra existir somente uma e não a outra???

Liberdade, honestidade, sinceridade, cumplicidade, vidas compartilhadas..., comunidade!! Quando vamos sair do vazio das nossas instituições pra verdade da vida em comunidade contigo como centro Jesus??

Vazio..., não satisfeito mas insatisfeito com a situação...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Podcast do Teóphilo.

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Com certeza alguns de vocês já ouviram falar do blog do Teóphilo.

Se ainda não visitou, não perca tempo e acesse agora mesmo ESTE MUNDO JAZ NO MALIGNO, lá vocês encontrarão material excelente para leitura e reflexão, com temas atuais e polêmicos.

Além da leitura prazerosa, gostaria de destacar o podcast que na sua simplicidade está cheio de verdades e convites.

Fiquei surpreendido ao ouví-lo, confesso que desmontei o Teóphilo que havia construído através da minha imaginação para construí-lo através desta nova percepção.

Mandou muito bem! Parabéns!

E por isso convido vocês a usarem alguns minutos para ouví-lo, são poucos minutos. Garanto que vai valer a pena!

Clique aqui para iniciar o download ou aqui para ser direcionado ao post do podcast.

Conhecer para depois concluir.

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Por André Luís Oliveira - Vida Cristã Normal

Uma péssima mania do ser humano em geral é concluir antes de conhecer, fazendo julgamentos segundo a aparência, que, além de errôneos, geram falsas impressões e a também popularmente conhecida "fofoca".

Vejam quantas coisas negativas foram citadas no parágrafo acima somente pelos julgamentos prévios, antes de se conhecer algo devidamente. Quanto desperdício de tempo e de energia às custas de um relacionamento que poderia ser estabelecido e não foi, uma ideia que poderia ser revista e não foi.

O mesmo ocorre com Deus e o Cristianismo. Quantas vezes, antes de me converter, eu mesmo criticava tudo isso e colocava tudo na mesma panela! Mas ainda bem que Deus teve misericórdia da minha vida e me mostrou que esse caminho me levaria a abismos, que meus ideais de vida estavam errados e que era necessário que eu me aproximasse e conhecesse mais d'Ele. E isto está confirmado em Hebreus 10:22 : "Sendo assim, aproximemo-nos de Deus com um coração sincero e com plena convicção de fé, tendo os corações aspergidos para nos purificar de uma consciência culpada, e tendo os nossos corpos lavados com água pura."

Não adianta escapar, para conhecer é necessário aproximar-se. Afinal, que amizade ou relacionamento existirá sem que alguma das partes se disponha a pôr sua confiança na outra?

Outra maneira de conhecer o Senhor é temê-Lo. Lembre-se: temor e não terror. Temor = cuidado, vigilância; terror = pavor constante. Vejam o que diz Pv 2, 3-5 (NTLH): "Sim, peça sabedoria e grite pedindo entendimento. Procure essas coisas, como se procurasse prata ou um tesouro escondido. Se você fizer isso, saberá o que quer dizer temer o SENHOR, e aprenderá a conhecê-lo"

E esse conhecimento vai aumentando conforme vamos nos dispondo a conhecer Deus, o que torna a relação mais prazeirosa. Cl 3.10 (NTLH): "E se vestiram com uma nova natureza. Essa natureza é a nova pessoa que Deus, o seu criador, está sempre renovando para que ela se torne parecida com ele, a fim de fazer com que vocês o conheçam completamente."

Por fim, não desanimemos se o mundo não reconhecer nosso esforço pois para ele conhecer alguém invisível será loucura, mas assim como é triste para um sóbrio ver um bêbado fazer escândalo, assim é para o cristão ver o ímpio escarnecer de Deus. O ímpio acha loucura crer em Deus mas acha normal crer em Geração Espontânea, em acaso, em seus próprios e limitados conceitos. Para tudo isso, vale a pena ver o que diz em 1Jo 3, 1 (NTLH): "Vejam como é grande o amor do Pai por nós! O seu amor é tão grande, que somos chamados de filhos de Deus e somos, de fato, seus filhos. É por isso que o mundo não nos conhece, pois não conheceu a Deus."

Por fim, qualquer conclusão só poderá ser tomada após realmente conhecer o assunto. Será que você pode aplicar isso na sua vida hoje?

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Juliana Dacoregio responde...

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Juliana Dacoregio*, do blog Heresia Loira, resolveu responder algumas perguntas sobre sua relação com a fé e sobre o tempo que era evangélica.

Quem fez as perguntas? Foi a Helen, do blog Incumbências.

Vamos então para as respostas sinceras da Juliana:

E se Deus existir?
Se Ele existir eu espero que me ame como meus pais me amam. Isso dá e sobra.

O que Deus deveria fazer pra que você acreditasse em sua existência?
Vixi, não sei... Paz e amor no mundo inteiro, talvez.

Como você acha que Ele deveria exercer seu papel de Deus?

Usando o poder ilimitado dele para fazer com que mais nenhuma pessoa seja violentada, nenhuma criança tenha sua inocência maculada, ninguém passe fome, não haja guerras, essas coisas.

Por que Deus não pode simplesmente existir, você tem medo dessa possibilidade, ou melhor, tem medo Dele?
Ele pode simplesmente existir sim, mas dadas as condições da raça humana eu posso simplesmente duvidar da existência dele. Se ele for mesmo como os pastores o descrevem eu tenho medo dele sim. Se ele deixa que pessoas passem a eternidade no inferno, eu tenho muito medo dele.

O que faria/sentiria se Jesus voltasse agora e você se deparasse com a realidade de sua promessa?
Eu falaria "puta merda, aquele bando de crente louco tava certo!"

Por que você deixou de crer em Deus, por causa da experiência com os crentes e a igreja ou por outro motivo?
Por causa do inferno. Não posso crer num Deus que tenha o inferno como uma opção para suas criaturas. Eu tenho dó de queimar livros meus ou de jogar fora minhas bonecas de quando eu criança, imagina se eu iria criar um bando de gente, com alma, com sentimentos, com emoções e pensamentos próprios e depois ia deixar que elas passassem a eternidade queimando, gemendo e rangendo os dentes?! Então, basicamente comecei a questionar a doutrina do inferno, dentre outras incongruências da Bíblia. Por fim decidi que não poderia continuar frequentando uma igreja evangélica se não acredito nas premissas básicas da fé que ela prega.

Quando era cristã se sentia livre, amada por Deus?
Me sentia livre, mas desde que eu abrisse mão de certas coisas. Não apenas coisas que qualquer um deve abrir mão, mas coisas simples e inocentes, como ouvir Beatles, por exemplo. Se eu ouvisse "músicas do mundo" já me sentia culpada. Também me sentia culpada se eu passasse um dia sem orar, se eu faltasse ao culto, coisas desse tipo. Mas me sentia amada por Deus, sim. Minha imagem de Deus era de um cara meio hippie eu acho, gente boa pra caramba, doidão, mas paizão também. Com uma imagem dessas não é de se espantar que eu não conseguisse encaixar esse Deus com o Deus "Vingador", que tem fogo e enxofre para aqueles que não o quiserem. (Agora que me liguei no paradoxo: se minha imagem de Deus era de um hippiezão, por que eu me sentia culpada com coisas tão pequenas? Acho que eu alternava a imagem do hippie-paizão com a do Deus super formal, que exige certas atitudes dos seus filhos.)

Como foi parar na igreja, era crente de "berço" ou era do "mundo" e se converteu?
Era "do mundo" e me converti. Meu irmão que me levou para a igreja. Eram uns dias em que eu andava meio deprimida e acabei "me encontrando".

Você ouvia Diante do Trono?
Ouvia e gostava muito.

Acreditava em ato profético e afins?
No início nem sabia o que era isso, mas entrei numa igreja que estava começando a transição para o G12, adoração extravagante, atos proféticos, essas coisas, então entrei nessa "vibe" junto com todos os outros.

Era uma adoradora extravagante?
Totalmente extravagante. Achava lindo esse negócio de pular, gritar, rir, chorar, dar pirueta, virar cambalhota... Mas fazia tudo isso com sinceridade. Acho que até mesmo por ter uma personalidade bastante passional. Eu me jogava de cabeça na adoração! E não só com essas manifestações externas, também era capaz de ficar quietinha, só cantando, ouvindo um louvor e curtindo uma sensação boa demais que eu achava até que podia durar para sempre. Quase um transe. Hoje essas boas sensações me assaltam em outros momentos, mas são tão bonitas e puras quanto aquelas que eu acreditava serem proporcionadas por momentos com Deus.

*Descrição em seu blog 'Heresia Loira': Juliana Dacoregio - Jornalista, leitora voraz, escritora, cinéfila. Observadora, vaidosa, passional, sensível. Desertora da fé evangélica, mas cheia de fé em si mesma. Lágrimas abundantes e gargalhadas sinceras. Leal aos amigos e ligada à família. Cheia de opiniões e de capacidade de analisá-las e transformá-las. Hábitos simples e pensamentos complexos. Ou vice-versa.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A Teologia da Prosperidade.

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O pessoal do podcast irmaos.com mais uma vez surpreende ao falar de um tema que está assolando a Igreja, a Teologia da Prosperidade. Falam com propriedade e com muito bom humor.

A Adriana desta vez mostra toda sua indignação com esse papo. rsrs

Paulinho, João R. Weronka e Marcelo, parabéns pelos argumentos e por 'denunciar' aquilo que todos estão vendo mas poucos fazem algo para mudar, será que é por medo do 'Untado do Senhor'?.

E preparem-se para o 'grand finale' do Giuliano, muito bom mesmo, daria um ótimo tele-evangelista fez direitinho! rsrs.

Pessoal, vale o download!!


Paulinho Degaspari, Adriana Degaspari, Marcelo Mathias, Giuliano Barcelos e João Rodrigo Weronka reúnem-se para falar sobre uma das maiores pragas do cristinismo contemporâneo: a famigerada Teologia da Prosperidade.

Descubra onde surgiu o movimento, quem são seus maiores propagadores, por que ele faz tanto sucesso e quais as vítimas e os culpados de toda essa história, além de ser mais uma vez desafiado por um de nós, agora de uma forma muito especial.


ALTA (128 Kbps) - Download (52.72 MB) | Abrir no pop-up | Download .zip


PADRÃO (64 Kbps) - Download (35.17 MB) | Abrir no pop-up | Download .zip


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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Verdade X Alucinação.

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O culto pegava fogo. O frenesi do povo crescia, estimulado por um pastor quase grisalho, engravatado e bastante brilhantina nos cabelos. Mesmo acostumado a ambientes pentecostais, estranhei o exagero dos gestos e das palavras.

Concentrei-me para entender o que o pastor dizia em meio a tantos gritos. Percebi que ele literalmente dava ordens a Deus. Exigia que honrasse a sua Palavra e que não deixasse "nenhuma pessoa ali sem a bênção". Enquanto os decibéis subiam, estranhei o tamanho da sua arrogância. A ousadia do líder contagiou os participantes. Todos pareciam valentes, cheios de coragem. Assombrei-me quando ouvi uma ordem vinda do púlpito: "chegou a hora de colocarmos Deus no canto da parede. Vamos receber o nosso milagre e exigir os nossos direitos". Foi a gota d'água. Levantei-me e fui embora.

Os ambientes religiosos neopentecostais se tornaram alucinatórios porque geram fascínio por poder e pela capacidade de criar um mundo protegido e previsível. Por se sentirem onipotentes, buscam produzir uma realidade fictícia. Para terem esse mundo hipotético, os sujeitos religiosos chegam ao cúmulo de se acharem gabaritados para comandar Deus. É próprio de a religião oferecer segurança, mas os neopentecostais querem produzir garantia existencial com avidez.

Em seus cultos, procuram eliminar as contingências, com a imprevisibilidade dos acidentes e os contratempos do mal. Acreditam-se capazes de domesticar a vida para acabar com possibilidade dos seus filhos adoecerem, das empresas que dirigem falirem e de se safarem, caso estejam em ônibus que despenca no barranco. Almejam uma religião preventiva, que se antecipa aos solavancos da vida. Imaginam-se aptos para transformar a aventura de viver em mar de almirante ou em um céu de brigadeiro.

Acontece que essa ideia de um mundo sem percalços não passa de alucinação. Por mais que se ore, por mais que se bata o pé dando ordens a Deus, o Eclesiastes adverte: "o que acontece com o homem bom, acontece com o pecador; o que acontece com quem faz juramentos acontece com quem teme fazê-lo" (9.2).

Mas a pergunta insiste: por que os cultos neopentecostais lotam auditórios e ganham força na mídia? Repito, pelo simples fato de prometerem aos fiéis o poder de controlar o amanhã; de eliminar os infortúnios e canalizar as bênçãos de Deus para o presente. Quando oram, pretendem gerar ambientes pretensiosamente capazes de antever quaisquer problemas para convertê-los em fortuna e felicidade.

Esta premissa deve ser contestada. Pois, pedir a Deus para nunca se contrariar, ou para ser poupado de acidentes, significa exigir que Ele coloque os seus filhos em uma bolha de aço. A vida é contingente. Tudo pode ocorrer de bom e de ruim. Uma existência sem imprevisibilidade seria maçante. O perigo da tempestade, a ameaça da doença, a eminência da morte fazem o dia a dia interessante.

A verdade não produz necessariamente felicidade. Verdade conduz à lucidez. O delírio, porém, tranqüiliza e gera um contentamento falso. Muitos recorrem à religião porque desejam fugir da verdade e se arrasam porque a paz que alucinação produz não se sustenta diante dos fatos.

Cedo ou tarde, a tempestade chega, o "dia mau" se impõe e o arrazoamento do religioso cai por terra. Interessante observar que Jesus nunca fez promessas mirabolantes. Como não se alinhou aos processos alienantes da religião, Jesus não garantiu um mundo seguro para os seus seguidores. Pelo contrário, avisou que os enviaria como ovelhas para o meio dos lobos e advertiu que muitos seriam entregues à morte por seus familiares. Sem qualquer rodeio, afirmou: "no mundo vocês terão aflições".

Quando o Espírito conduziu Jesus para o deserto, o Diabo lhe ofereceu uma vida segura, sem imprevistos. As três tentações foram ofertas de provisão, prevenção e poder, mas ele as rechaçou porque as considerou mentirosas. O mundo que o Diabo prometia não existe.

Acontece que as pessoas preferem acreditar em suas ilusões. Fugir da crueza da vida é uma grande tentação. Em um primeiro momento, parece cômodo refugiar-se da realidade, negando-a. É bom acreditar que a riqueza, a saúde, a felicidade estão pertinho dos que souberem manipular Deus.

O mundo neopentecostal se desconectou da realidade. Seus seguidores vivem em negação. Não aceitam partilhar a sorte de todos os mortais. Confundem esperança com deslumbre, virtude com onipotência mágica, culto com manipulação de forças esotéricas e espiritualidade com narcisismo religioso.

Os sociólogos têm razão, o crescimento numérico dos evangélicos não arrefecerá nos próximos anos. Entretanto, o problema é qualitativo. O rastro de feridos e decepcionados que embarcaram nessas promessas irreais já é maior do que se imagina.

A demanda por cuidado pastoral vai aumentar. Os egressos do "avivamento evangélico" baterão na porta dos pastores, perguntando: "por que Deus não me ouviu?" ou "o que fiz de errado?". Será preciso responder carinhosamente: "não houve nada de errado com você. Deus não lhe tratou com indiferença. Você apenas alucinou sobre o mundo e misturou fé com fantasia".

Soli Deo Gloria.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Não tenho tanta fé para ser ateu.

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Por Joelson Gomes - Postagem Livre

“Só é possível alcançar Deus se a medição da ignorância é devidamente feita.”
Jean Delumeau, do Collége de France

No mundo atual da pós-modernidade, as certezas dizem, foram pelo ralo, mas mesmo assim, nesse tempo de contradições e bases frágeis, a “ciência” tem travado uma batalha contra a fé, tentando passar a ideia de que só a ciência é concreta. Mas... têm razão os que pensam assim?

A revista francesa “L ‘ Express” convidou 16 eruditos para, nas mais diversas partes do conhecimento humano, responder a questão: “O que não sabemos?”. E as respostas não foram nada animadoras.

O paleontólogo Yves Copper diz que: “a origem do ser humano é uma verdadeira confusão (quão diferente das revistas pseudo-cientificas tipo: Galileu, Superinteressante, e afins, que dão a evolução como certa), quanto mais fósseis são encontrados, mais nos confrontamos com primatas diferentes. Hoje estamos diante de uma multidão de personagens e não sabemos como estabelecer a relação entre eles ... Nossa filiação torna-se um verdadeiro quebra-cabeça.” E conclui irônico: “ O acaso é responsável por transformações oportunas demais para se acreditar”. (1)

Com isso parece concordar o astrofísico Hubert Reeves, ele escreve que a “evolução do Universo foi governada pelas leis físicas, forças que combinam as partículas elementares - os átomos, as moléculas - depois criáramos grandes corpos celestes ... Essas leis são perfeitamente ajustadas, eles têm as propriedades ideais, mais exactamente aquelas que lhe eram necessárias para sair de seu estado inicial e produzir coisas cada vez mais complexas ... De onde vem essa magnífica coerência?”

Já o virologista Luc Montagnier afirma que na sua disciplina o que não faltam são questões. “Uma de nossas ignorâncias é sobre o lugar da vida no Universo ... Sabe-se que toda forma de vida na Terra é resultado de uma seleção”. Mas existe a pergunta, quem fez a seleção? E os códigos genéticos que desapareceram? Ele conclui: “nós nunca saberemos”.

Françoise Héritien Auge, antropóloga, depois de colocar diversas questões sobre o sistema de parentesco, afirma que não há resposta para as suas perguntas.

Jacques Testart, bióloga da reprodução, começa suas palavras dizendo que há um monte de coisas ignoradas na sua ciência. “Na verdade, nós não compreedemos nada de nada ... Não se sabe, absolutamente, porque o ovo se divide em dois” no caso de gêmeos.

Para o médico Etienne Baulieu, na sua área a ignorância de estende a tantos aspectos, que não poderia numerá-los. Afirma que “nenhuma descoberta atual nos fornece dados suficientes para supormos que a vida possa se estender por mais de 120 anos (interessante seria ler o que está em Gênesis 6:3) limite que hoje conhecemos”.

Na Historia da Arte, Pierre Rosemberg, diretor do Louvre, diz que o que não faltam são enigmas não resolvidos. “Em nossa profissão, a ignorância é geral e a competência limitada”.

Na História da Literatura, Marc Fumaroli, do College de France, limitando-se a La Fontaine, diz: “Tudo o que escrevemos pode ser , de um dia para o outro, desmentido, ou, em todo caso, profundamente revisado ... é preciso questionar-se toda hora sobre a validade dos instrumentos de que nos servimos”.

Também para Xavier Le Pichon, que estuda Geofísica e Geodinâmica, também do College de France, sua disciplina é um mar de ignorância. Como exemplo, lutam, lutam, e não conseguem prever terremotos.

A historiadora Christiane Desroches – Noblecourtt, com 65 anos de experiência no assunto, fala das ignorâncias de sua área destacando três: a religião, a pirâmide de Quéops, e os signos do zodíaco. Em tudo isso só trevas, as mais espessas.

O Linguista Claude Hagége, diz que: “em 90% dos casos, não sabemos qual é a origem de uma palavra”.

No campo da Neurobiologia Jean Pierre Changeux, depois de colocar diversos problemas em sua disciplina, conclui: “Como se desenrola tudo isso? Ignoramos amplamente”.

E a Literatura Grega, para a acadêmica Jacqueline de Romilly, é um poço de desconhecimento. Como a Psiquiatria, para o professor Edouard Zarifian, é um iceberg de ignorância.

Diante de tudo isso, eu prefiro ter fé, é muito mais racional. O alarde que a pseudo-ciência tem feito atualmente, não tem valor nenhum, nem fundo de verdade. É mais irracional do que a religião que ela condena. É impossível tirar Deus do Universo, quem tenta paga mico. E pagar mico? Eu não...

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(1) Todos os depoimentos foram publicados no Caderno 2, de O Estado de São Paulo, 10/09/1995.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Deus nas mãos de pecadores irados.

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O pastor congregacional e teólogo estadunidense Jonathan Edwards ficou mundialmente famoso nos âmbitos secular e religioso por ter pregado um dos sermões mais impactantes e conhecidos da história do Cristianismo. Após ter ficado três dias sem comer e dormir, pedindo a Deus que lhe desse a Nova Inglaterra, Edwards, de posse de um manuscrito segurado tão rente aos olhos que tapava seu rosto à multidão (ele era míope), começou a explanar aos seus ouvintes a real e aterrorizante situação dos “Pecadores nas mãos de um Deus irado”, baseando-se apenas em um trecho de Deuteronômio 32.35 (“... a seu tempo, quando resvalar o seu pé”). Esse sermão foi proferido na noite de 8 de julho de 1741, na capela de Enfield, no estado de Connecticut (EUA), por ocasião do “Grande Despertamento” ocorrido naquela região.

Mais de dois séculos e meio se passaram, e o sermão de Edwards ainda é lembrado com alguma nostalgia por parte de muitos cristãos hodiernos. As alusões aos ouvintes agarrando-se aos bancos por pensarem que iam cair no fogo do inferno enquanto Edwards pregava são abundantes nos lábios dos pregadores e nas penas (ou teclas) dos escritores das épocas subsequentes. Entretanto, um grave erro aconteceu nessa transição de épocas. Os pregadores modernos presumiram que poderiam aperfeiçoar a abordagem de Edwards, e o resultado disso foi uma verdadeira tragédia para a sã doutrina. Começando por Charles Finney (1792-1895) até aos pregadores contemporâneos, a pregação declinou da centralidade em Deus para as necessidades do homem. A ira do Criador cedeu espaço aos caprichos da criatura nos discursos humanistas, inadequadamente chamados de pregação, fazendo com que a soberania de Deus fosse banida do ideário popular dito evangélico.

Isso resultou em um processo de descaracterização do evangelho. A força e firmeza doutrinária tão característica nos puritanos cedeu lugar a um novo tipo de “fé” que emergia dos ideais iluministas. O pragmatismo finneyano alterou radicalmente o modus operandi da igreja, que agora passou a existir unicamente para agradar aos homens. Os fins passaram a justificar os meios quando o assunto era ganhar os perdidos. “Não importa o método. Se deu certo, é porque é de Deus” – um arroubo triunfalista que sugere a ideia de um “pragmatismo consagrado”[1]. Isso fez com que os pregadores adequassem sua pregação e teologia a essa nova concepção de ser igreja no mundo, mesmo que tal adequação implicasse em flagrante contradição com ensinamentos claros das Escrituras. O sistema calvinista de doutrina foi rejeitado por se mostrar “opressivo” e por impedir a “manifestação da potencialidade humana”, com suas “ênfases na soberania de Deus, na depravação do homem, na escravidão da vontade e na conseqüente incapacidade humana para as grandes escolhas”[2]. A rejeição aos postulados dos reformadores foi deliberada.

Todo esse legado finneyano chegou intacto ao século XXI. Se na época de Finney o pecador era convidado a “aceitar” a Jesus, hoje ele não somente é conclamado a fazê-lo, mas também a “determinar” que seja por Deus abençoado, já que agora um “pacto” foi estabelecido. As pessoas são alimentadas com a ideia de que, agora que são crentes, tem o direito de ser abençoadas, e “ai” de Deus se alguma cláusula nesse “contrato” for violada. Nesse caso, Deus senta calado no banco dos réus para ser julgado pelo homem. Isso sem falar na aversão que os crentes modernos tem a palavras negativas como “ira”, “pecado”, “inferno” etc., palavras essas que foram abolidas do vocabulário de muitos pregadores contemporâneos (a não ser quando se fala da “infidelidade” financeira dos fieis). Para muitos cristãos da atualidade, falar em um Deus irado é uma ofensa grosseira aos ouvidos do cidadão pós-moderno. A própria noção de um Deus irado é incompatível com a sua natureza bondosa de Pai. O homem, pensam eles, não precisa conhecer um Deus irado, e sim, um Deus de amor, que está sempre de braços abertos. Toda essa ordem de coisas faz com que o título do sermão de Jonathan Edwards seja convertido para “Deus nas mãos de pecadores irados”, como bem observou R. C. Sproul, significando algo mais do que uma simples mudança na ordem das palavras.

Felizmente, Jonathan Edwards não viveu o suficiente para ver como os pregadores modernos torceram impiedosamente o seu sermão. Ele morreu de varíola em março de 1758, mas provavelmente morreria de infarto se porventura ainda lhe restasse uns séculos a mais de vida. Fico a refletir no que Edwards pensaria dos tele-evangelistas e “avivalistas” da atualidade, muitos dos quais se auto-intitulam “apóstolos” e “profetas”, que ficam querendo incutir na mente das ovelhas que elas agora podem tudo, inclusive inquirir a Deus, exigindo-lhe a sua parte no acordo. Não conheço nenhum pronunciamento de Edwards sobre esse particular, mas suponho que ele pregaria algo parecido com “Pregadores nas mãos de um Deus irado”. Nesse caso, seria bom que ele ainda estivesse vivo. A menos que novas vozes surjam no meio de todo esse escombro eclesiástico, para que Deus promova outro “Grande Despertamento” em nossos dias.

Soli Deo Gloria!!!

***
[1] Termo cunhado por Peter Wagner. Ver PORTELA, Solano. Planejando os rumos da igreja: Pontos positivos e críticas de posições contemporâneas. Nota de rodapé nº 9, Fides Reformata, vol. I, nº 2 (julho-dezembro 1996), 84.
[2] SOUSA, Jadiel Martins. Charles Finney e a secularização da igreja. São Paulo. Edições Parakletos, 2002. Pág. 92.
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