quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Pastor, eu sou gay!

Por Pr Vinicius - Pastor Batista - via Pensar e Orar

– Pastor, eu sinto atração é por homens, não por meninas!

Fred tinha apenas 16 anos quando disse esta frase para mim. Sentado à frente da mesa do gabinete pastoral, por mais que toda a congregação sempre achasse estranho o jeito meigo e delicado de Fred, ele estava na igreja desde o nascimento. Ninguém, nem mesmo eu, acharia que isto fosse possível. Por alguns segundos, que pareceram horas, enquanto me refazia do susto, por minha cabeça passou como um filme em fast forward desde o dia em que apresentei aquele bebê a Deus.

– Bem... É... É... – Eu não sabia o que dizer. Eu não estava pronto para isso.

É muito fácil atacar o homossexualismo no púlpito, mas quando me vi diante de um jovem, dizendo o que disse, em meu gabinete pastoral, confesso que tremi por dento.

– Pode falar pastor, acho que estou preparado para qualquer coisa – me interrompeu Fred.

– Veja bem, não é isto. É que você me pegou de surpresa.

Na verdade eu não tinha nada para dizer. Eu conhecia aquele menino. Sempre deu um excelente testemunho, talvez o melhor dos crentes da minha congregação. Orava muito bem, participava dos evangelismos. Conhecia a Bíblia melhor do que todos os diáconos juntos. Cantava que era uma bênção! Como pode ser isto?

– Bem Fred – tentei começar de novo – tenho de confessar que estou desarmado. Vamos orar agora e marcamos outro dia. O assunto é complicado e não vamos resolvê-lo agora. Penso que se você veio aqui é porque quer algum tipo de ajuda.

Enquanto dizia isto, olhei nos olhos dele e pude sentir que ele queria exatamente ouvir o que acabara de dizer.

– Podemos nos falar na próxima sexta – falei quase imperativamente. Você conversou com mais alguém sobre o que acabou de me contar?

Meu medo de ele dizer sim foi enorme, mas para meu alívio, ele balançou a cabeça em sinal de negativo. Então, oramos e nos despedimos.

Depois de alguns encontros, onde tentei ganhar tempo procurando colegas mais antigos, psicólogos pastores e apelando para Deus por um milagre mosaico, como não via luz no fim do túnel, eu tive a coragem de perguntar:

– Você já... – Balancei a cabeça, franzi a testa, esperei alguns segundos...

– Não!

Por dentro eu disse: ufa! Então continuei.

– Eu não sei dizer porque isto acontece. Eu percebi toda a sua sinceridade mas para muitas coisas eu não tenho resposta. Como já te disse antes, eu quero compreender você. Eu mais do que ninguém posso testemunhar que você é um convertido ao Senhor. Eu tomei sua profissão de fé e te batizei. Infelizmente não sei explicar por qual razão seus sentimentos estão distorcidos. Mas eu quero te ajudar.

Fred me olhou com carinho. Mas antes que dissesse algo, fui em frente.

– Se você já tivesse tido relacionamentos, não sei o que seria de mim para aconselhar você, mas graças a Deus, acho que temos uma porta de escape.

Pesquisei em tudo quanto tive acesso. Ouvi gente dizer que homossexualismo é natural, é genético, é sem-vergonhice. Outros dizem que é demônio e outros que é a criação dada à criança. Sinceramente... Acho que pode ser tudo isto. E muito mais.

No caso de Fred chegamos a um consenso. Ele prometeu se manter celibatário e usar toda sua vida a serviço do Senhor, ou até que ele chegasse a um entendimento ou cura, sei lá.

Lembro de ter dito a ele que deveríamos ficar com o que temos revelado na Bíblia. O que a Bíblia condena veementemente é o ato homossexual. Como no caso de Fred ele não havia nem vivia um relacionamento homossexual, achamos que esta era a melhor solução para nós.

Ele prometeu não se envolver com garotas, pois isto poderia ser um refúgio furado, podendo não resolver o seu problema e magoar alguém. O fato é que faz 12 anos que ele está envolvido em trabalhos sociais, servindo a Deus, evangelizando e sendo uma bênção.

Se ele se curou da atração por homens? Não sei. Nunca perguntei nem ele me disse mais nada. Acho que ele vive um dia de cada vez. E eu oro, um dia de cada vez, por ele.

Ele vai para o céu? Não sei. Quem sabe é Deus. Se eu julgar pela sua confissão de fé, que permanece até hoje, pelos frutos que ele produz, tenho certeza que vamos no mesmo ônibus.

4 comentários:

Marcelo disse...

Gente,

Este é um mundo caído, somos pessoas caídas, ainda que muitos sejam remidos, sim.

E isso causa as distorções que vivemos: meu egoísmo, a vaidade do meu vizinho, etc.

O homossexualismo do rapaz aqui citado não é diferente disso tudo, e não o faz pior do que ninguém. À sombra da cruz somos todos iguais, e só.

Como a religião é chata e impiedosa! Deus me livre do deus da religião.

Abraços

Marcelo

Isaias Medeiros disse...

Sinto-me inteiramente à vontade para comentar este assunto, pois minha condição é semelhante a do "Fred" do texto, com a diferença de que não pretendo mortificar a minha carne enquanto todos os meus irmãos deliciam-se diuturnamente com suas respectivas esposas.

Primeiramente,não é perfeita, mas é elogiável a postura deste pastor. Digo que não é perfeita por dois motivos.

O primeiro é o pressuposto de onde ele parte e que fica evidente na expressão "sentimentos distorcidos" do rapaz. Ora, se ele mesmo (o pastor) diz ser testemunha da criação do menino, como pode ele afirmar que os sentimentos dele são "distorcidos", enquanto que os do seu filho heterossexual, tendo a mesma criação (a priori, é claro) seriam normais ou perfeitos? Quem é ele para saber o que é normal ou não em termos de sentimentos? Como se pode julgar e/ou condenar alguém por um sentimento nato, que não se pediu para sentir?

O outro ponto, e muito mais grave, é o fato da recomendação do "celibato" por "livre e expontânea pressão" pelo fato de o rapaz ser um homossexual. Ora, homens e mulheres heterossexuais evangélicos não são privados de maneira alguma do sexo, sendo inclusive incentivados à isso, na forma do casamento, o "resolvedor universal dos problemas dos jovens e adolescentes". Aliás, quando um rapaz não se interessa por casar-se, logo é pressionado pelo grupo (a igreja) a procurar uma moça porque "não é bom" ficar sozinho. Todos os jovens heteros podem gostar (amar, apaixonar-se) por pessoas do sexo oposto e, mediante um contrato de fidelidade (chamado de casamento) podem desfrutar os prazeres carnais um com o outro "até que a morte" (ou o divórcio) os separe. Pergunto: o jovem homossexual não ama? Não se apaixona? Não sente necessidade de sentir-se querido por uma outra pessoa, que lhe conpreende, que se preocupa em ele e lhe quer bem? O jovem homossexual não tem necessidade de ejacular? Ou neste caso, e somente neste caso, a masturbação não é pecado?? Sim, porque de alguma forma o ser humano precisa fazer isso.

Para não me estender demais, quero dizer que, apesar de a postura do pastor em questão ser muito menos ruim que a da maioria dos outros pastores, ele se equivoca ao não priorizar a condição peculiar e imutável de um ser humano que nada pode (ou deve) fazer contra ela e que, portanto, precisa ser apoiado para não se perder ou até mesmo se destruir pela culpa.

Os homossexuais cristãos tem todo o direito de amar e de ser amados; de ter alguém ao seu lado; e de fazer exatemente a mesma coisa que qualquer casal hetero faz: sexo!

Forte abraço.

Anônimo disse...

Bahhhhhhhhhhhh e não é que vcs aí que comentaram, Marcelo e Isaias, estão cheios de razão.
Só não sei o que fazer com o preconceito que parece já nasce dentro de cada um de nós...
Puro preconceito? ou outra coisa que não sei o nome

Marcelo disse...

Isaías e Anônimo,

Vcs não entenderam o que eu falei. Ou entenderam conforme o desejaram fazer.

Homossexualidade é condição. A maioria que o é assim nasce.

Outra coisa é o homossexualismo, que é a negação de que a homossexualidade é distorção e resultado de nascermos como seres caídos, sim (..."assim não era desde o princípio!", diz Jesus).

Isso não é preconceito, é Palavra de Deus, mas a mesma Palavra diz que Deus ama independentemente de quem somos. MAS PRA NOS MUDAR.

Pra quem nasceu com a homossualidade em si mesmo, não adianta querer casar com mulher. O celibato é o caminho ("...há aqueles que se fazem eunucos por amor ao Reino"). Mas isso é uma decisão que tem que ser tomada pela própria pessoa, sem pressão da religião, que costuma colocar a coisa como "ou isso ou Deus não te aceita mais".

A religião erra, mas a liberalidade de vcs é tão errada quanto. A religião é o que o "filho que ficou em casa" pensa.

Mas a liberalidade é o que o filho que saiu pensa (por nós apelidado de pródigo). É colocar a sua opinião e desejos acima da Palavra.

Isaías: dizer que vc tem o direito de transar com homem só pq os heteros tbm tem...desculpe, mas vc não entendeu nada do Evangelho.

Vc tem o direito, sim, disso e de tudo o mais. Vc é livre ("...para a liberdade é que Cristo nos libertou", diz Paulo), mas essa liberdade é pra ser exercida através de um exercício de consciência pessoal mergulhada em Cristo, e não pra lhe guiar pelo "dane-se, faço o que quero pq os outros tbm fazem o que querem". A Cristo servimos, não a homens.

Abraços

Marcelo

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