sábado, 26 de junho de 2010

Falando de inveja!

0 comentários
Por Esther Carrenho - Cristianismo Hoje

A inveja é um dos sentimentos mais difíceis de serem identificados e reconhecidos. Ignoramos que não há ninguém que respire que seja tão bem resolvido na vida a ponto de nunca desejar, pelo menos um pouco, daquilo que se admira no outro. O sentimento da inveja é filho da admiração – o que não significa que não exista admiração sem inveja. Mas onde existir a inveja, com certeza, houve a admiração antes. A inveja, enquanto sentimento, não é boa nem má. É apenas o desejo de possuir ou ser o que o outro tem ou é. O que pode ser mau ou bom é o comportamento que adotarmos diante desse sentimento. Traçado o limite entre a admiração e a inveja, o que importa é cada um identificar no próprio coração qual é a reação que aflora e que poderá determinar seu comportamento.

Podemos reagir de três formas quando identificamos e aceitamos em nós mesmos o sentimento de inveja. A primeira forma é reconhecer que se quer o que o outro é ou tem, avaliando as possibilidades reais de ser ou possuir o que admiramos no próximo. Posso desejar ter um carro de luxo caro, mas quando faço as contas descubro que, com o salário que ganho, é impossível adquirir um. Diante disso, há quem abra mão de outras coisas, esforça-se mais e se sacrifique para conquistar aquele objetivo. Neste caso, o sentimento de inveja foi positivo: um estímulo para o uso dos próprios recursos no empenho de conseguir o que se deseja.

A segunda reação é quando admiramos e desejamos o que outro tem, mas diante da impossibilidade de tê-lo passamos a desvalorizar e criticar aquilo que não temos condições de adquirir. No caso do carro, o invejoso diria: “Este carro não presta. Consome muito combustível, sua manutenção é caríssima e ocupa muito espaço.” Às vezes, esse tipo de comportamento até começa com um elogio, mas logo em seguida vem a crítica, o menosprezo. E a terceira maneira de reagir diante da inveja é quando, diante da impossibilidade de conseguir o que desejamos, adotamos um comportamento destrutivo em relação à pessoa e ou aos bens que são alvo dos nossos desejos. É o caso da pessoa, que muitas vezes, até sem perceber, assume uma postura de: “Já que não posso ter, você também não terá.”

O lado bom da história é que podemos tirar proveito quando detectamos os sentimentos de inveja no nosso coração. Eles apontam para uma deficiência na capacidade de reconhecer o nosso próprio valor, o nosso potencial, e desenvolvê-lo de tal forma que se tornem uma fonte de contentamento e realização. Enquanto simplesmente invejamos o próximo, tiramos o foco do que somos e temos, e gastamos inutilmente uma energia que poderia ser canalizada para o desenvolvimento das nossas habilidades e talentos. Tentamos a todo custo ter a vida do outro. E nessa tentativa perdemos a oportunidade de sermos nós mesmos.

sábado, 19 de junho de 2010

Vinho novo, odres novos.

1 comentários

Não sem motivo, a crítica às igrejas chamadas tradicionais cresce a cada dia. Por igrejas tradicionais me refiro àquelas vítimas do tradicionalismo (aqui sempre fizemos as coisas desse jeito!), legalismo (aqui as boas doutrinas e o bom comportamento valem mais do que as boas pessoas, até porque, exceto nós, não existem boas pessoas!) e do formalismo (silêncio, você está na casa do Senhor!). A resposta que se dá a esse cenário é múltipla. Há os que abandonam a vida comunitária e passam a caminhar sozinhos, de roda em roda e de bar em bar, chamando de igreja qualquer reunião de chopp entre dois ou três cristãos, ou tentando cultivar a piedade na virtualidade por meio de mp3, podcasts, cultos online e afins. Há também os que escolhem formar grupos informais, que se reúnem regularmente, por exemplo, no cyber-espaço, nas lanchonetes, pátios de universidades, auditórios alugados para fins de semana e, principalmente, nas casas dos cristãos, que funcionam como mini-auditórios para encontros informais ao redor da mesa.

A maioria dessas pessoas, ou teve uma experiência negativa com as igrejas chamadas tradicionais ou dela foram banidas contra a sua vontade e, por esta razão, buscaram novos jeitos de ser igreja. Poucas fizeram uma opção deliberada de rompimento justificado pela busca de uma espiritualidade mais autêntica e mais profunda. O fato é que, independentemente das razões pelas quais se reúnem fora dos horizontes institucionais tradicionais, há algo que precisa ser sublinhado: a maioria dessas pessoas é vítima de uma mentalidade religiosa nociva e obsoleta. Do lado de fora das igrejas tradicionais existe um contingente imenso de pessoas que, com a mesma intensidade com que busca a Deus, rejeita a incoerência, a hipocrisia e os desmandos das estruturas de poder eclesiástico.

Por outro lado, há também uma característica comum a esses grupos informais: a maioria acredita que o fato de estarem fora das igrejas chamadas tradicionais implica a natural participação e experiência do que Jesus chamou de “odres novos”. Não devemos confundir odres novos com novas formas de igreja. O odre novo capaz de conter o vinho novo do evangelho é a nova mentalidade, gerada pela experiência da graça de Deus, e não uma nova instituição ou nova forma de organização de pessoas. Qualquer forma e sistema que se pretenda oferecer para conter o vinho novo do Evangelho da graça será um odre velho, pois o vinho novo está derramado sobre todos os que foram feitos livres pelo sopro do Espírito de Deus, que sopra onde quer. O vinho novo, portanto, está presente em, e por meio de, todos os que nasceram da água e do Espírito, e se manifesta em todo lugar, todo tempo, por meio de tudo o que fazem, qualquer que seja a instituição, estrutura eclesiástica ou forma organizacional em que estejam.

Ouço muita gente dizer que os “odres novos” são equivalentes a estruturas organizacionais mais leves, ágeis, flexíveis, não engessadas e assim por diante. Mas a questão é que qualquer estrutura é odre velho, pois o Evangelho não visa a gerar novas instituições, mas pessoas novas. O “odre novo”, meu irmão, minha irmã, é você, sua cabeça e seu coração. O que passa disso é ilusão e destruição, pois, de fato, “ninguém põe vinho novo em odre velho; se o fizer, o odre rebentará, o vinho se derramará e odre se estragará. Ao contrário, põe-se vinho novo em odre novo; e ambos se conservam”.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Graça.

0 comentários

Ainda há pouco, ao reler o admirável Sermão do Monte, percebi como a graça esteve presente nos princípios expostos por Jesus. Mesmo reconhecendo que a graça foi exaustivamente estudada e definida pela teologia, é preciso redescobri-la nos lábios do Nazareno. Os favores imerecidos de Deus não podem ficar circunscritos às codificações teológicas. Naquele relvado, na encosta de um morro qualquer, Cristo falou de assuntos diversos, mas não se esqueceu de explicitar que Deus se relaciona com seus filhos diferente de todas as divindades conhecidas. Após séculos de argumentação sobre os significados da graça, os cristãos precisam despertar para ao fato de que ela é o chão da espiritualidade cristã.

Um neopaganismo levedou a fé de tal forma que muitos transformaram a oração em uma simples fórmula para canalizar e receber os favores divinos. Para obter resposta às petições, implora-se, pena-se, insiste-se, no aguardo de que Deus escute. Quando não se recebe, justifica-se assumindo culpas irreais, como falta de disciplina. Acha-se que é necessário continuar implorando para Deus se sensibilizar. Mede-se a espiritualidade pelo número de respostas aos seus pedidos e, quando malsucedidos, castiga-se por não merecer. A própria linguagem denuncia romeiros católicos e evangélicos, que lotam os espaços religiosos: é preciso “alcançar uma graça”.

Graça liberta do imperativo de dar certo. O Sermão da Montanha começa felicitando pobres em espírito, chorosos, mansos e perseguidos. Os triunfantes não podem se gloriar de serem mais privilegiados do que os malogrados. Graça revela um Deus teimosamente insistindo em permanecer do lado de quem não conseguiu triunfar; até porque a companhia de Deus não significa automática reversão das adversidades.

Graça permite o autoexame, a análise das motivações mais secretas da alma, sem medo. Na série de afirmações sobre ódio, adultério, divórcio e vingança, Cristo deixou claro que ninguém pode se vangloriar quando desce às profundezas do coração. No nível das intenções, todos são carentes. O olhar sutil indica adultério. O ódio despistado revela homicidas em potencial. A vingança disfarçada contamina as ações superficiais. Lá onde brotam as fontes das decisões, tudo é confuso; vícios e virtudes se confundem. Somente com a certeza de que não haverá rejeição é possível confrontar os intentos do coração para ser íntegro.

Graça convida a amar. Jesus afirmou que Deus “faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos”. Para revelar sua bondade, Deus não precisou ser convencido a querer bem. Deus não faz acepção de pessoas; o seu amor não está condicionado a méritos. Quando as pessoas são inspiradas por gratidão, reconhecimento e admiração por tão grande amor, se sentem impulsionadas a imitá-lo. Deus surpreende por dispensar bondade sem contrapartida de virtude. Assim, na improbabilidade de os seres humanos se mostrarem graciosos, os discípulos devem almejar a única virtude que pode torná-los perfeitos como Deus -- o amor.

Graça é convicção de que o acesso a Deus não depende de competência. Quem acredita que será aceito pelo tom de voz piedoso ou pela insistência em repetir preces nega a paternidade divina. Antes de pedirmos qualquer coisa, Deus já estava voltado para nós. Os exercícios espirituais não precisam ser dominados como uma técnica, mas desenvolvidos como uma intimidade. O secreto do quarto fechado representa um convite à solitude, à tranquilidade que não acontece com sofreguidão.

Graça libera energia espiritual que pode ser dirigida ao próximo. Buscar o reino de Deus e sua justiça só é possível porque não é preciso preocupar-se com o que comer e vestir e por jamais ter de bater na porta do sagrado para conquistar benefícios particulares. Basta atentar para os lírios do campo e pardais para perceber que as ambições devem escapar à mesquinhez de passar a vida administrando o dia-a-dia.

Graça devolve leveza para que os filhos de Deus sintam-se à vontade em sua presença, como meninos na casa dos avós. Graça libera as pessoas para se tornarem amigas de Deus, em vez de vê-lo como um adestrador inclemente. Graça não permite delírios narcisistas. Nenhuma soberba se sustenta diante da percepção de que Deus aposta na humanidade e ainda se convida a cear entre amigos.

Graça distensiona o culto porque avisa: tudo o que precisava acontecer para reconciliar a humanidade com Deus foi concluído: “Consumatum est”. Portanto, enquanto a graça não for redescoberta de fato como a mais preciosa verdade da fé, as pessoas podem até afirmar que foram livres, mas continuarão presas à lógica religiosa das compensações. Devedores, jamais entenderão que o reino de Deus é alegria. A graça liquida com pendências legais. Não restam alegações a serem lançadas em rosto -- “Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus?”.

A religiosidade legalista insiste que é perigoso falar excessivamente sobre a graça. Anteparos seriam então necessários para proteger as pessoas da liberdade que a graça gera. Mas o amor que tudo crê, tudo espera e tudo suporta não aceita outro tipo de relacionamento senão abrindo espaço para que haja amadurecimento. Deus ama assim, e o Sermão da Montanha não deixa dúvidas de que todo discurso sobre o reino de Deus deve começar com graça.

Soli Deo Gloria

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Autocontrole.

0 comentários
Por Eliana Fontana (mensagem recebida por e-mail)

"Melhor o longânimo do que o valente; e o que domina o seu espírito do que o que toma uma cidade." Provérbios 16:32

Quem controla o seu espírito é capaz de qualquer coisa. Todo fruto do Espírito é especial. O domínio próprio é fantástico e fundamental. Pense: quando você se encontra por qualquer motivo com o sangue fervendo qual a reação? Há dificuldade para controlar a língua e a agressividade? Quando menos espera você já fez ou disse algo que vai amargurar? A sensação depois de uma atitude desequilibrada é arrazadora. Muitas vezes, não há como impedir os danos causados.

"Até um tolo calado é tido como sábio." Provérbios 17:28

A falta de controle verbal é tão ruim como qualquer agressão física. Na hora do descontrole, vem aos lábios palavras que há tempos deviam estar no esquecimento. Sai tudo aos brotões, uma enxurrada de ofensas. Quem mais sofre e se desgasta é quem está fora de controle. A taquicardia, o suor frio, a palpitação são sensações desagradáveis que surgem depois de uma crise de descontrole emocional. Mas nada se compara ao peso que o pecado traz. Desagradável.

Quantas tragédias poderiam ser evitadas. Dias destes vi uma horrível cena no trânsito. O motorista e a acompanhante sairam de um carro para brigar com os ocupantes de um outro veículo. Mesmo no meio de tanta gente nada os intimidou. Estavam dominados pelo descontrole. Não pude ver o desfecho, pois o trânsito estava super congestionado e a confusão aumentou. Situação perigosa. Qualquer coisa pode acontecer quando os ânimos estão exaltados.

Eu tento me controlar dando um tempo para reagir. Nem sempre consigo. Contudo se passo dos limites, assim que posso, peço desculpas pelo acontecido tomando para mim toda a culpa da situação. Não é fácil, mas disciplina. Da próxima vez, como haverá uma reparação, é melhor dominar a situação antes dela extrapolar

Certo dia os díscípulos quiseram que uma cidade fosse queimada com fogo do céu. Jesus repreendeu-os. E disse-lhes que Ele veio salvar homens e não destruir.  (Lucas 9:51-56) Muitas vidas são destruídas pela falta de controle. Mais do que por fogo do céu.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Líderes ocupados demais...

1 comentários
Nos preocupamos demais com o que as pessoas pensam a nosso respeito e isso é natural, mas daí achar que tudo o que falam ou escrevem está directamente ligado a determinada liderança, aí já é demais não acham? Concordo que aquilo que escrevemos faça parte do reflexo e da mudança pertinente ao ocorrido, mas como dizem no popular 'tão se achando a última bolacha do pacote'.

O que precisamos na verdade é de bons interpretes de texto, pois uma boa leitura só nos faz crescer. Infeliz daquele que as usa para réplica no sentido de justificar seus actos e de se desculpar por erros que não se podem esconder e nem maquiar.

Me preocupa esse tipo de liderança, pois serão os novos vendilhões dos templos, os que não respeitam 'A' ou 'B', a não ser que estejam de acordo com suas 'linhas teológicas'. Brincam com tudo e com todos e se esquecem do propósito maior de ser cristão, pois apenas 'estão' cristão.

Segue agora um texto com réplica e tréplica. Leiam e reflictam, deixem ser usados por Deus.

Texto:
Na fundição das estatuetas da antiguidade, era muito comum preencher com cera os buracos e assim dar um visual mais bonito à arte final. Quando, por um acaso, uma delas saída do forno sem qualquer buraco, o uso da cera era desnecessário. Isso valorizava ainda mais a peça que era vendida como "sin cera". Daí o termo sincero.

Isto é integridade. Ser íntegro é possuir a qualidade de ser inteiro, completo, sem divisões, sem dois sentidos, sem duas lealdades, sem segundas intenções.

Quando Deus falou a Salomão, renovando a aliança que havia feito com o seu pai Davi, prometendo-lhe a confirmação do trono, Ele impôs uma condição: "Se andares perante mim como andou Davi, teu pai, com integridade de coração e com sinceridade, para fazeres segundo tudo o que te mandei e guardares os meus mandamentos e juízos, então confirmarei o trono do teu reino..." (1 Rs 9:4). Deus pede que o líder cristão seja íntegro.

"Dê-me um líder que cometa erros, mas chega a algum lugar, ao invés daquele que permanece no velho sulco, nunca faz nada errado nem faz coisa alguma." Oswald J. Smith

Réplica:
A capacidade de conviver com críticas. Como se diz no popular, "nem Jesus Cristo agradou todo mundo". Nesse caso, uma vez que o líder se posiciona, assumindo sua responsabilidade de levar todo mundo rumo ao bem comum, certamente contrariará interesses particulares, e conseqüentemente será alvo de palavras duras e imerecidas. Sempre. Eis as razões porque o exercício da liderança não é para qualquer um.

Tréplica:
Jesus pode não ter agradado a todos, mas andou em paz com todo mundo. Como foi dito, a liderança não é mesmo para qualquer um, pois em algumas pessoas faltam carácter e esse é o principal dom para uma liderança saudável. Como diz aquela frase "Carácter é o que somos no escuro" somente você sabe o que realmente é, e por muitas vezes passa os outros para trás justamente por não ter carácter algum! Infelizmente, algumas pessoas nunca tiveram a experiência de ter uma liderança antes, por isso não sabem realmente o que é ser cuidado e amado e não explorado.

Engraçado, que coloquei esse texto porque achei interessante, e não para atacar ninguém, mas como dizem "a carapuça serviu".

"A liderança não é opcional. Ela é o ingrediente essencial do sucesso de qualquer organização. Deixe de lado a liderança e a confusão substituirá a visão." É bem isso que está acontecendo, se nomeiam tão líderes, mas não entendo porque tanta confusão assim por uma coisa que graças a Deus já passou. Falam tanto de perdão, mas o engraçado é que não exercem, é fácil "falar", não?

Ao invés de confusão, visão, por favor?!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...