terça-feira, 31 de agosto de 2010

Mais Cristo, menos Cristianismo.

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Toda religião está estruturada em dogmas, rituais e códigos morais. O Cristianismo também. Mas não são os dogmas, os rituais e os códigos morais que definem a experiência pessoal com Cristo.

O apóstolo Paulo esclareceu que os seguidores de Jesus não podem ser reduzidos a observadores de rituais e padrões morais: Portanto, não permitam que ninguém os julgue pelo que vocês comem ou bebem, ou com relação a alguma festividade religiosa ou à celebração das luas novas ou dos dias de sábado. Estas coisas são sombras do que haveria de vir; a realidade, porém, encontra-se em Cristo […] Já que vocês morreram com Cristo para os princípios elementares deste mundo, por que, como se ainda pertencessem a ele, vocês se submetem a regras: "Não manuseie!", "Não prove!", "Não toque!"? Todas essas coisas estão destinadas a perecer pelo uso, pois se baseiam em mandamentos e ensinos humanos. Essas regras têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne. Colossenses 2.16,17,20-23

A experiência mística do Cristo crucificado e ressurreto, comunhão com Ele, viver nEle, estar nEle, andar nEle [1Coríntios 1.9; Colossenses 1.2, 26,27; 2.6,7; 3.2], enfim, a devoção e a adoração a Cristo importam mais que a defesa do Cristianismo, isto é, dos dogmas, rituais e códigos morais considerados cristãos.

A imitação de Cristo é a essência do seguimento de Jesus, e importa mais que a adesão ao Cristianismo. Consta que Mahatma Gandhi teria afirmado a respeito dos protestantes ingleses: "Aceito seu Cristo, mas não aceito seu Cristianismo". Eis aí uma constatação interessante: não poucas vezes a maneira como pretendemos servir a Cristo implica trair o espírito de Cristo. Talvez tenha sido isso o que Friedrich Nietzsche quis dizer ao afirmar que "se mais remidos se parecessem os remidos, mais fácil me seria crer no Redentor".

O apóstolo Paulo estava ciente desse perigo e, por isso, recomendou aos cristãos: Vocês já se despiram do velho homem com suas práticas e se revestiram do novo, o qual está sendo renovado em conhecimento, à imagem do seu Criador. Nessa nova vida já não há diferença entre grego e judeu, circunciso e incircunciso, bárbaro e cita escravo e livre, mas Cristo é tudo e está em todos. Portanto, como povo escolhido de Deus, santo e amado, revistam-se de profunda compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou. Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o elo perfeito. Que a paz de Cristo seja o juiz em seu coração, visto que vocês foram chamados para viver em paz, como membros de um só corpo. E sejam agradecidos. Habite ricamente em vocês a palavra de Cristo; ensinem e aconselhem-se uns aos outros com toda a sabedoria, e cantem salmos, hinos e cânticos espirituais com gratidão a Deus em seu coração. Tudo o que fizerem, seja em palavra ou em ação, façam-no em nome do Senhor Jesus, dando por meio dele graças a Deus Pai. Colossenses 3.9-17

Há muitas pessoas que se declaram adeptas da religião Cristianismo, mas não se comprometem a viver como Jesus Cristo viveu e ensinou. Não estão ocupadas em guardar (obedecer) todas as coisas que ele ordenou [Mateus 28.18-20], nem tampouco em andar como Ele andou [1João 2.6]. A respeito dessas pessoas, o próprio Jesus declarou: Nem todo aquele que me diz: "Senhor, Senhor", entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: "Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?" Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal! Mateus 7.21-23

Cristo é maior que o Cristianismo. Por essa razão, a adoração a Cristo é mais importante que a defesa do Cristianismo, e a imitação de Cristo é mais importante que a adesão ao Cristianismo. Ser como Cristo e fazer mais por Cristo, eis as legítimas aspirações de todo aquele que se comprometeu com o caminho de Cristo.

sábado, 28 de agosto de 2010

Uma oração.

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Eterno,

Quanta ousadia! Um homem como eu, frágil, pequeno frente a vastidão da existência, dirigindo-lhe o coração em palavras. Nem sei, ao certo, o que é orar. Atropelo-me em palavras outras, perco o fio da meada, distraio-me em devaneios, falo sem pensar. Oro porque não posso deixar de orar. Sinto que é parte de minha nova natureza esse divino conversar.

O que diria a Ti? És mais íntimo que a própria intimidade. Quando olho para mim o que vejo assusta. Sou pecador, trago no peito desejos perigosos, uma espécie de fúria da alma habita minha retina. O ato de ajoelhar-me é um sacrifício, pois leva-me a dobrar não apenas o corpo, mas vontades que guerreiam nas esquinas sombrias que tenho. Não é fácil orar.

Peço-te a gentileza do auxílio. Há uma infinidade de coisas que não posso sozinho. Careço da graça. Não sei perdoar, não sei amar. O que sei vem marcado por imperfeições, visto que é desse material que sou composto. Se não for a tua bondosa ajuda, perco-me nas trilhas que eu mesmo invento pra fugir de mim. Eu sei o quanto careço de direção.

Thomas Merton dizia que "o desejo de te agradar, de fato te agrada". Procuro por esse desejo. Quero querer. Livra-me da tentação de possuir uma teologia sem tua presença. Entendimento sem zelo. Possuir sem amar. Livra-me das amarras de uma idolatria institucional, onde o que vale é ir ao templo sem ser Templo do teu Espírito.

Que de alguma forma eu possa revelar a tua glória.

Amém

Até mais...

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Música: Tua Graça Me Basta

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Essa música faz parte do cd Tua Graça Me Basta do Sérgio Saas.

Tua Graça Me Basta
Compositor: Sérgio Saas

Mas o mal que eu não quero fazer
Esse eu faço Senhor
E o bem que eu tento fazer
Não consigo meu Deus

O meu interior tem prazer na lei de Deus
Mas quando sou tentado, erro vez após vez
Miserável homem que sou não mereço viver
Pois o bem que eu quero não consigo fazer

O mal que eu não quero esse eu faço Senhor
E o bem que eu tento não consigo meu Deus
Descobri que sou falho mesmo quando acerto
Um espinho na carne, um inimigo por perto

Mas aqueles que sob a graça estão
Favor não merecido não mais condenação
Dêem glórias a Deus pela graça dos céus
Diga o fraco sou forte no Senhor.


quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Confissões... (3)

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 Um mês é muito pouco para demonstrar o quanto preciso de um tempo... Tempo para administrar tudo que tem acontecido e para di-ge-rir mais alguns sapos. Mas não posso perder o hábito de escrever aqui, não mesmo! Sinto-me na obrigação de falar com você meu 'caro amigo', talvez só aqui possa me ouvir.

Não consigo entender, ou melhor, até entendo, mas fico imaginando como as pessoas podem se esquecer de certos feitos. Talvez eu não tenha tanta misericórdia assim, é verdade, e é por isso que não consigo (ainda) olhar para uma determinada situação e fingir que nada aconteceu. Muitos vão aqui dizer que esse é o milagre do perdão, concordo com esses muitos, mas pergunto: já perdoaram a todos os seus desafectos? Ah?? Desafectos? Sim, crente também tem desafectos, e olha que não são poucos...

Passei uma longa temporada reflectindo sobre o 'deixar pra lá', ouvi tantas coisas que me encorajaram a tomar essa atitude, e o fiz de fato. Mas essa sensação de 'deixar pra lá' sempre é esquecida aos domingos quando os vejo. Sei que Deus está no controle de tudo e está no controle desta situação também, e é por isso que preciso do meu tempo, do Seu tempo meu Deus.

... tempo de amar e tempo de odiar, tempo de lutar e tempo de viver em paz ... Eclesiastes 3:8 

Sabe o que somos? Somos medíocres! Dia desses eu estava conversando com algumas pessoas e cheguamos a seguinte conclusão: vivemos em uma redoma de vidro, em uma espécie de bolha religiosa que nos faz sentir mais 'santo' que os outros e que nos cega para aquilo que está acontecendo ao nosso redor. Estamos sempre no meio termo, nunca envolvidos, nunca comprometidos, nunca alicerçados. Somos demasiadamente crentes nas 'igrejas', porém, fora delas voltamos a ser o que somos de verdade, e é quando não tem ninguém por perto que aparece o nosso verdadeiro 'eu'.

Eu sou medíocre quando me ocupo com uma situação tão ridícula e com alfinetadas já esperadas de um casal tão 'esperto' que insiste em falar de Deus e blá blá blá, enquanto amigos e familiares vão me deixando, porque os deixei primeiro.

Mas comprometo-me a mudar, primeiramente com meus amigos e familiares. Irei visitá-los mais vezes, quem sabe lhes telefonar com frequência, mas quero sempre estar por perto para alguma emergência.

Já com relação aos meus desafectos, deixarei um lugar reservado para todos eles. Esse lugar está bem próximo da linha do esquecimento onde já não importa mais o que façam ou digam, mesmo porque tão próximo desta linha só me fará lembrar que um dia os conheci, mas não completamente, que um dia desisti de 'vê-los' pela ótica deles.
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