sábado, 28 de agosto de 2010

Uma oração.


Eterno,

Quanta ousadia! Um homem como eu, frágil, pequeno frente a vastidão da existência, dirigindo-lhe o coração em palavras. Nem sei, ao certo, o que é orar. Atropelo-me em palavras outras, perco o fio da meada, distraio-me em devaneios, falo sem pensar. Oro porque não posso deixar de orar. Sinto que é parte de minha nova natureza esse divino conversar.

O que diria a Ti? És mais íntimo que a própria intimidade. Quando olho para mim o que vejo assusta. Sou pecador, trago no peito desejos perigosos, uma espécie de fúria da alma habita minha retina. O ato de ajoelhar-me é um sacrifício, pois leva-me a dobrar não apenas o corpo, mas vontades que guerreiam nas esquinas sombrias que tenho. Não é fácil orar.

Peço-te a gentileza do auxílio. Há uma infinidade de coisas que não posso sozinho. Careço da graça. Não sei perdoar, não sei amar. O que sei vem marcado por imperfeições, visto que é desse material que sou composto. Se não for a tua bondosa ajuda, perco-me nas trilhas que eu mesmo invento pra fugir de mim. Eu sei o quanto careço de direção.

Thomas Merton dizia que "o desejo de te agradar, de fato te agrada". Procuro por esse desejo. Quero querer. Livra-me da tentação de possuir uma teologia sem tua presença. Entendimento sem zelo. Possuir sem amar. Livra-me das amarras de uma idolatria institucional, onde o que vale é ir ao templo sem ser Templo do teu Espírito.

Que de alguma forma eu possa revelar a tua glória.

Amém

Até mais...

Um comentário:

Juci Barros disse...

Que linda oração!

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