domingo, 23 de outubro de 2011

Nas garras do impossível - Parte 2

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Por Mauricio Zágari - Blog APENAS

“Porque para Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas”
“Mas ele respondeu: Os impossíveis dos homens são possíveis para Deus”

Há uma única escapatória das presas sanguinolentas do impossível: o milagre de Deus. O grande problema é que não sabemos qual é a vontade absoluta dele. Nós ali, de costas contra a parede, encurralados pelo impossível, que como uma besta-fera sadicamente caminha de um lado ao outro esperando a hora da devora. E, de repente, pode acontecer que apenas ouviremos a voz distante do Nazareno dizer “a minha graça te basta”. E aí teremos de conviver com a realidade da fúria do impossível. Mas pode acontecer que, diante de nossas lágrimas e de nosso clamor, o Mestre chegue. E com apenas uma única palavra o impossível caia fulminado e inerte no chão.

Como vencer a angústia dessa espera? O Mestre virá? Nunca sabemos. Pode ser que Ele queira que nos fortaleçamos ao encarar o impossivel. Pois “o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”  Se alguém descobrir o segredo me avise. Não tenho respostas para tudo e vivo os meus impossíveis do meu modo: oro ao Senhor e, se o impossivel dá botes, dentadas e unhadas, procuro esmurrá-lo com quaisquer tocos de madeira que haja ao alcance da minha mão, esperando retardar sua ação. Me esforçando, enquanto isso, para acreditar que o socorro virá.

Encurralado. Com medo. O hálito fétido do impossível se entranha em minhas narinas. Nessa hora elevo os meus olhos para os montes, buscando desesperadamente ver de onde me virá o socorro. E então me lembro que o meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra… E que Ele não permitirá que os meus pés vacilem.

O impossível está aí, Pai.

sábado, 22 de outubro de 2011

You are for me - Kari Jobe

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Tão fiel, tão constante, tão amoroso e tão verdadeiro
Tão poderoso em tudo que faz
Você me preenche, Você me vê
Você sabe que cada movimento meu
Você ama quando canto a Ti

Eu sei que Tu és por mim, eu sei que Tu és por mim
Eu sei que Você nunca vai me abandonar em minha fraqueza
E eu sei que Você veio agora mesmo a escrever sobre o meu coração
Para me lembrar quem Tu és

Tão paciente, tão gracioso, tão misericordioso e fiel
Tão maravilhoso em tudo que faz
Você me preenche, Você me vê
Você sabe que cada movimento meu
Você ama quando canto a Ti

Senhor, eu sei que Tu és por mim, eu sei que Tu és por mim
Eu sei que Você nunca vai me abandonar em minha fraqueza
E eu sei que Você veio agora mesmo a escrever sobre o meu coração
Para me lembrar

Senhor, eu sei que Tu és por mim, eu sei que Tu és por mim
Eu sei que Você nunca vai me abandonar na minha fraqueza
E eu sei que Você veio agora mesmo a escrever sobre o meu coração
Para me lembrar quem Tu és
Para me lembrar

Eu sei que Tu és por mim, eu sei que Tu és por mim
Eu sei que Você nunca vai me abandonar em minha fraqueza
E eu sei que Você veio agora mesmo a escrever sobre o meu coração
Para me lembrar quem Tu és



sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Nas garras do impossível - Parte 1

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Por Mauricio Zágari - Blog APENAS

A vida é cheia de impossíveis.  Amores impossíveis. Curas impossíveis. Sonhos impossíveis. Companhias impossíveis. Empregos impossiveis. Vidas impossíveis. A impossibilidade nos cerca, nos esmaga, nos devasta. Esticamos a mão mas não alcançamos. Queremos mas não temos. Pois esse animal leproso chamado “o impossivel” nos açoita com azogues diários. Só você e Deus sabem qual e como é o teu impossível, mas tenha ele a cara que tiver, certamente é horripilante, assustador. Todo impossível é venenoso e tem ferrões que furam a alma e abatem o espirito.

E o impossível, como uma fera que arrasta atras de si sua longa cauda, traz consigo dor. A dor do impossivel. É uma das dores mais insuportáveis que há, pois é uma dor que não depende de nós para ser superada. Nada podemos fazer. Somos impotentes, manietados, presos em nossas limitações.

O impossível é um animal feroz que devora nossas entranhas e nos joga na cara quem nós somos: pó. Limitados. Impotentes. Meros humanos. O impossível dá lições de humildade, pois mostra ao autossuficiente que ele é dependente. Nós olhamos nos olhos do impossível e ele nos encara com seu olhar injetado, suas garras sujas e afiadas e seu hálito de morte.

E o que fazer quando o impossível surge em nossas vidas? Sinceramente? Nada. Não há nada a fazer. Me perdoem os triunfalistas, os que falam que dizem que tendo fé se resolve qualquer parada, os que declaram, decretam e “tomam posse” da vitória. Pois por vezes isso não adianta nada. Somos encurralados pelo impossível e só nos resta chorar de horror e  esperar um milagre para subverter o curso das coisas. Quando o impossível nos encurrala contra uma parede, não há para onde correr, não há! Senão o impossível não se chamaria im…possível.

A única esperança é um milagre. E o único que pode fazer esse milagre se chama Jesus de Nazaré.

...

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Louvor errado

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A Primeira Igreja Batista de Orlando produziu um vídeo destacando de forma bem humorada a superficialidade do louvor entoado por alguns crentes.

Rapidamente tornou-se um viral no Facebook e fez com que muitos usuários da rede social fizessem uma reflexão mais séria sobre o assunto.

Os cantores no vídeo são Livings George, Doug Pierce e Melissa Vasquez, todos são membros do ministério de adoração da Primeira Igreja Batista.

A ideia originalmente era ilustrar um sermão pregado naquela igreja falando sobre o “culto errado”.

A Primeira Igreja Batista de Orlando explica, na descrição no YouTube, que o vídeo serve para mostrar que “às vezes, quando adoramos, não estamos sendo sinceros. Queremos ilustrar como seria se estivéssemos cantando o que realmente pensamos”.


sábado, 15 de outubro de 2011

O Sempre e o Nunca.

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*Esse é um grito da alma escrito com calma para que você possa ‘ler correndo’, como sempre.

Eu sempre soube que não seria fácil, nunca o é! Quer saber de uma coisa? O sempre é tão vasto quanto o nunca. E nunca pensei que admitiria isso algum dia... Ou sempre soube que isso aconteceria.

Enfim, alguém que é especial postou esses dias no Facebook que: ‘Em qualquer relacionamento, quando apenas uma das partes se manifesta há desequilíbrio’, eu concordo discordando.

Concordo pela verdade nua e crua na frase e discordo por imaginar que muitos daqueles que dizem ser “a parte a se manifestar”, não o fazem com verdade.

Não condeno os motivos que fazem dos tais relacionamentos parecerem como as ruínas no deserto, e nem mesmo critico a mim mesmo ou me pego tentando achar o tal do ‘onde foi que eu errei desta vez’. O que sei (instintivamente) é que certos distanciamentos se fazem necessários para que possamos (eu e o outrem) crescer e caminhar em frente, mas nem sempre é bom, prazeroso ou gratificante, e podemos dizer também que, nem sempre é doloroso, infeliz ou penoso.

Muitas vezes me pego pensando em momentos agradáveis apesar das pessoas que os compunham. É isso mesmo! Apesar das pessoas, e mais ainda, apesar de mim.

Diria tantas coisas à Maria, José e João, e o mesmo falaria aos fulanos e ciclanos, que: “Os amo apesar de tudo”. Aperta o coração pensar que se fosse fácil assim nunca aconteceria o tal do distanciamento. Mas não é fácil, e o meu coração dilacera.

Como havia dito no início, sempre soube que não seria fácil, e gostaria aqui de explicar algumas coisas:

Faz alguns meses que escolhi um caminho, e sabia que esse caminho fatalmente me distanciaria daquilo que me dá todo o apoio moral, ético e cívico. Faz alguns meses que deixei de lado o espiritual e estou à deriva nesse mundo. Nunca pensei que reconheceria isso, mas é verdade que, sempre é preciso perder, e deixar de ter, e também deixar de ser, até chegar bem no fundo do poço, para que do fundo possa eu, enxergar a luz.

Só que tem um detalhe muito importante nisso tudo, ainda estou em queda livre. E nessa queda percebo que estou perdendo o respeito, os valores, o juízo. Caindo ainda mais, percebo que estou perdendo alguns amigos. E na queda, perco algumas das minhas expectativas e me frustro. E na queda, o meu ego rasga ao raspar nas paredes no abismo. E na queda não dá tempo, não há tempo, vai vendo...

Alguém pensou: “Anjos caídos! É Satã!”, não meu amigo, é o Rodrigo caindo mesmo. Você consegue enxergar? Olhe bem! Lembra-se dele? Daí você se questiona: ‘Dele quem?’ Daí, respondo: ‘Eu!’.

Fico com outra frase de efeito do Facebook, Não preciso de muitos, só dos verdadeiros!”

“Empurraram-me para forçar a minha queda, mas o Senhor me ajudou.”

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Avivamento no Brasil?

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Por Augustus Nicodemos
Via Vinacc- Fonte O Tempora! O Mores! (texto na íntegra)

O termo “avivamento” tem sido usado para designar momentos específicos na história da Igreja em que Deus visitou seu povo de maneira especial, pelo Espírito, trazendo quebrantamento espiritual, arrependimento dos pecados, mudança de vidas, renovação da fé e dos compromissos com ele, de tal forma que as igrejas, assim renovadas, produzem um impacto distinto e perceptível no mundo ao seu redor...

“Avivamento” é uma palavra muito gasta hoje. Ela está no meio evangélico há alguns séculos. As diferentes tradições empregam-na de várias formas distintas. O termo remonta ao período dos puritanos (séc. XVII), embora o fenômeno em si seja bem mais antigo, dependendo do significado com que empregarmos o termo. O período da Reforma protestante, por exemplo, pode ser considerado como um dos maiores avivamentos espirituais já ocorridos.

Há diversas obras clássicas que tratam do assunto. Elas usam a palavra “avivamento” no mesmo sentido que “reavivamento”, isto é, a revivificação da religião experimental na vida de cristãos individuais ou mesmo coletivamente, em igrejas, cidades e até países inteiros...

...O primeiro livro que li sobre avivamento foi Avivamento: a ciência de um milagre, da Editora Betânia. Eu era recém convertido e o livro me foi doado por um pastor que percebeu meu interesse pelo assunto. O livro tratava do ministério de Charles Finney, que ministrou nos Estados Unidos no século XIX, e registrava eventos extraordinários que acompanhavam as suas pregações, como conversões de cidades inteiras. Além das histórias, o livro trazia extratos de obras do próprio Finney onde ele falava sobre avivamento. Para Finney, um reavivamento espiritual era o resultado do emprego de leis espirituais, tanto quanto uma colheita é o resultado das leis naturais que regem o plantio. Não era, portanto, um milagre, algo sobrenatural. Se os crentes se arrependerem de seus pecados, orarem e jejuarem o suficiente, então Deus necessariamente derramará seu Espírito em poder, para converter os incrédulos e santificar os crentes. Para Finney, avivamento é resultado direto do esforço dos crentes em buscá-lo. Se não vem, é porque não estamos buscando o suficiente.

As idéias de Finney marcaram o início de minha vida cristã. Hoje, muitos anos e muitos outros livros depois, entendo o que não poderia ter entendido à época. Finney era semi-pelagiano e arminiano, e muito do que ele ensinou e praticou nas reuniões de avivamento que realizou era resultado direto da sua compreensão de que o homem não nascia pecador, que era perfeitamente capaz de aceitar por si mesmo a oferta do Evangelho, sem a ajuda do Espírito Santo. As idéias de Finney sobre avivamento, principalmente o conceito de que o homem é capaz de produzir avivamento espiritual, influenciaram tremendamente setores inteiros do evangelicalismo e do pentecostalismo.

Hoje, tenho outra concepção acerca do assunto.

Eu uso o termo avivamento no sentido tradicional usado pelos puritanos. E portanto, creio que é seguro dizer que apesar de toda a agitação em torno do nome, o Brasil ainda não conheceu um verdadeiro avivamento espiritual. Depois de Finney, Billy Graham, do metodismo moderno e do pentecostalismo em geral, “avivamento” tem sido usado para designar cruzadas de evangelização, campanhas de santidade, reuniões onde se realizam curas e expulsões de demônios, ou pregações fervorosas. Mais recentemente, após o neopentecostalismo, avivamento é sinônimo de louvorzão, dançar no Espírito, ministração de louvor, show gospel, cair no Espírito, etc. etc. Nesse sentido, muitos acham que está havendo um grande avivamento no Brasil. Eu não consigo concordar. Continuo orando por um avivamento no Brasil. Acho que ainda precisamos de um, pelos seguintes motivos:

1. Apesar do crescimento numérico, os evangélicos não têm feito muita diferença na sociedade brasileira quanto à ética, usos e costumes, como uma força que influencia a cultura para o bem, para melhor. Historicamente, os avivamentos espirituais foram responsáveis diretos por transformações de cidades inteiras, mudanças de leis e transformação de culturas...

2. Há muito show, muita música, muito louvor – mas pouco ensino bíblico. Nunca os evangélicos cantaram tanto e nunca foram tão analfabetos de Bíblia. Nunca houve tantos animadores de auditório e tão poucos pregadores da palavra de Deus. Quando o Espírito de Deus está agindo de fato, ele desperta o povo de Deus para a Palavra. Ele gera amor e interesse nos corações pela revelação inspirada e final de Deus... A venda de CDs e DVDs com shows gospel cresce em proporção geométrica no Brasil e ultrapassa em muito a venda de Bíblias.

3. Há muitos suspiros, gemidos, sussurros, lágrimas, olhos fechados e mãos levantadas ao alto, mas pouco arrependimento, quebrantamento, convicção de pecado, mudança de vida e santidade... Durante um verdadeiro avivamento, contudo, os corações são quebrantados, há profunda convicção de pecado da parte dos crentes, gemidos de angústia por haverem quebrado a lei de Deus, uma profunda consciência da corrupção interior do coração, que acaba por levar os crentes a reformar suas vidas, a se tornarem mais sérios em seus compromissos com Deus, a mudar realmente de vida.

4. Um avivamento promove a união dos verdadeiros crentes em torno dos pontos centrais do Evangelho. Historicamente, durante os avivamentos, diferenças foram esquecidas, brigas antigas foram postas de lado, mágoas passadas foram perdoadas. A consciência da presença de Deus era tão grande que os crentes se uniram para pregar a Palavra aos pecadores, distribuir Bíblias, socorrer os necessitados e enviar missionários...

5. Um avivamento dissipa o nevoeiro moral cinzento em que vivem os cristãos e que lhes impede de ver com clareza o certo e o errado, e a distinguir um do outro. Durante a operação intensa do Espírito de Deus, o pecado é visto em suas verdadeiras cores, suas conseqüências são seriamente avaliadas. A verdade também é reconhecida e abraçada. A diferença entre a Igreja e o mundo se torna visível...

6. Um avivamento espiritual traz coragem e ousadia para que os cristãos assumam sua postura de crentes e posição firme contra o erro, levantando-se contra a tibieza, frouxidão e covardia moral que marca a nossa época.

7. Um avivamento espiritual desperta os corações dos crentes e os enche de amor pelos perdidos. Muitos dos missionários que no século passado viajaram mundo afora pregando o Evangelho foram despertados em reuniões e pregações ocorridas em tempos de avivamento espiritual. Os avivamentos ocorridos nos Estados Unidos no século XIX produziram centenas e centenas de vocações missionárias e coincidem com o período das chamadas missões de fé. Em meados do século passado houve dezenas de avivamentos espirituais em colégios e universidades americanas. Faz alguns anos ouvi Dr. Russell Shedd dizer que foi chamado para ser missionário durante seu tempo de colégio, quando houve um reavivamento espiritual surpreendente entre os alunos, que durou alguns dias. Naquela época, uma centena de jovens dedicou a vida a Cristo, e entre eles o próprio Shedd.

Não ignoro o outro lado dos avivamentos. Quando Deus começa a agir, o diabo se levanta com todas as suas forças. Avivamentos são sempre misturados. Há uma mescla de verdade e erro, de emoções genuínas e falsas, de conversões verdadeiras e de imitações, experiências reais com Deus e mero emocionalismo. Em alguns casos, houve rachas, divisões e brigas. Todavia, pesadas todas as coisas, creio que um avivamento ainda vale a pena.

Ao contrário de Finney, não creio que um avivamento possa ser produzido pelos crentes. Todavia, junto com Lloyd-Jones, Spurgeon, Nettleton, Whitefield e os puritanos, acredito que posso clamar a Deus por um, humilhar-me diante dele e pedir que ele comece em mim. Foi isso que fizeram os homens presbiterianos da Coréia em 1906, durante uma longa e grave crise espiritual na Igreja Coreana. Durante uma semana se reuniram para orar, confessar seus pecados, se reconciliarem uns com os outros e com Deus. Durante aquela semana Deus os atendeu e começou o grande avivamento coreano, provocando milhares e milhares de conversões genuínas meses a fio, e dando início ao crescimento espantoso dos evangélicos na Coréia.

Só lamento em tudo isso que os abusos para com o termo “avivamento” tem feito com que os reformados falem pouco desse tema. E pior, que orem pouco por ele.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Como vai a sua Igreja?

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Por Oziel Alves (artigo públicado em 30/04/2009)

REVEAL*: Uma pesquisa realizada pela igreja evangélica mais influente dos EUA – a Willow Creek Community – revela que boa parte de seus membros se consideram insatisfeitos com o papel da instituição em seu crescimento espiritual.

Não é novidade para ninguém. Nas últimas duas décadas, milhões de igrejas evangélicas em todo o mundo, passaram por grandes transformações. Algumas nos usos e costumes; outras tantas no próprio ritual de culto. Na música houve um avanço considerável. Nas artes, conquistas inimagináveis. No sermão de exortação um abrandamento da palavra, privilegiando muito mais a prosperidade e a felicidade terrena do que mesmo “a vida eterna” como a maior recompensa para os sofrimentos deste mundo. Para ganhar as massas a Igreja aderiu à mídia. Investiu em marketing, programas de relacionamento e entretenimento. E, assim como o mundo corporativo, passou a adotar técnicas – de evangelismo, discipulado, formação de liderança e gestão de pessoal -, muito semelhantes às estratégias utilizadas pela administração secular, como a definição de metas e público-alvo. Resultado? Templos superlotados.

Mas, afinal, diante de tantas novidades que tem incrementado a população das igrejas será que o “evangelho pregado” está sendo relevante para as pessoas? Ou é a mídia, a boa música e os programas de entretenimento que têm levado multidões à congregar numa denominação? Será que a inserção de programas estratégicos cada vez mais criativos, tem ajudado no crescimento espiritual de seus membros ou estes programas apenas tem mantido a membresia ocupada?

Cientes de que quando se trata de crescimento espiritual, números não necessariamente determinam o sucesso de um ministério, uma das igrejas evangélicas que mais se destacam na ênfase em métodos estratégicos de treinamento e discipulado, a Willow Creek Community Church (WCCC), com sede em Chicago (EUA); na pessoa de seu fundador Pastor Bill Hybels – Líder desta organização que envolve mais de 12 mil igrejas associadas em 35 países – admitiu publicamente no último Leadership Summit (uma conferência internacional realizada para cerca de 80 mil lideres eclesiásticos em todo planeta) que alguns dos projetos e estratégias, que há muito tempo eram, utilizados e aplicados pela igreja, com o fim de executar a missão: “transformar pessoas ímpias em seguidores verdadeiramente comprometidos com Cristo”, apesar dos excelentes resultados numéricos, não estavam contribuindo para o amadurecimento espiritual de sua membresia. Uma afirmação no mínimo desconfortável para uma organização multimilionária que há 30 anos tem estimulado a liderança de igrejas evangélicas espalhadas por todo o planeta a reproduzir seus programas, métodos e estratégias, já que aparentemente eles produziam bons resultados.

A constatação do pastor Hybels teve base numa pesquisa qualitativa intitulada Reveal: Where are you? (Revele: Onde você está?) que, realizada entre os anos de 2004 e 2007 com os membros da própria Willow Creek e outras 30 igrejas, “revelou resultados estrondosos e inimagináveis” diz Hybels. “Queríamos saber quais os programas e atividades da igreja estavam realmente auxiliando as pessoas a amadurecer espiritualmente e quais não atingiam essa meta”. A surpresa ficou por conta da revelação dos resultados.

Na opinião daquelas pessoas que ainda não haviam se decidido por Cristo e também daquelas que após a conversão davam os primeiros passos na fé, a igreja obteve a seguinte classificação “atende plenamente as nossas necessidades”. Porém, um quarto daqueles que se auto-intitularam “Pertos em Cristo, isto é pessoas que já passaram da fase “primeiro amor” ou ainda “maduros na fé” declararam estar insatisfeitos com o papel da igreja em seu crescimento espiritual. Mais alarmante ainda foi descobrir que 63% deste público, que frequenta esta Igreja referência, considerou deixar a denominação. Foi aí, que o alarme soou em todo o mundo. Afinal, como uma igreja que é tida como referencial de programas e estratégias para ganhar e consolidar pessoas pode chegar a esta conclusão?

“Nós cometemos um erro” admite o pastor que agora pretende fazer modificações nos cultos do meio de semana e inclusive no culto de domingo. Como? Possivelmente, diminuindo o entretenimento e ministrando a palavra de forma mais efetiva e contundente. “Descobrimos que algumas das coisas em que investimos milhões de dólares, pensando que auxiliariam as pessoas a crescer e a se desenvolver espiritualmente, não estavam ajudando tanto.” No entanto programas mais simples, aqueles que privilegiam os aspectos mais básicos da vida cristã, e que ironicamente não exigem tantos recursos para serem postos em prática, foram justamente as coisas das quais os membros mais sentiram necessidade na igreja. “O que nós deveríamos ter feito quando as pessoas cruzaram a linha da fé e se tornaram cristãs, era ensiná-las que é de sua responsabilidade a busca pelo alimento espiritual. Nós deveríamos ter cuidado das pessoas, ensinado-as, a ler suas Bíblias entre os cultos e como praticar suas disciplinas espirituais mais agressivamente e por contra própria” constatou o líder.

Bill Hybels chamou a pesquisa de “O despertar de sua vida adulta” e sua sinceridade em admitir o erro, lhe rendeu muitos elogios, mas também críticas pelos 5 continentes. Também pudera, depois de se destacar com uma das 25 pessoas mais importantes, entre as personalidades americanas, seus passos e livros tem sido seguidos à risca por milhões de líderes, e seus projetos e idéias tem influenciado milhares de igrejas, inclusive no Brasil. Entre erros e acertos, uma coisa é certa: A igreja pode inovar em todas as áreas, porém a palavra de Deus permanecerá imutável. O crescimento espiritual tão discutido e almejado por muitos, nunca dependerá de programações suntuosas, espetáculos, 40 passos, simpósios, conferências e estratégicas de marketing. Esta condição necessária à vida de todo cristão só pode ser adquirida através do jejum, da oração, do relacionamento com Deus à sós, da leitura bíblica diária, da comunhão em Cristo e do relacionamento sincero com os irmãos. E estas coisas? Bem, elas não precisam de grandes investimentos. O evangelho é simples. É para todos e está acessível até as mais humildes congregações.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

É proibido julgar?

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Por Augustus Nicodemus Lopes


Ainda recentemente participei de uma discussão no Facebook com vários de meus amigos onde uma moça aborreceu-se com alguns comentários feitos a um terceiro (não por mim, garanto!) e retirou-se zangada, dizendo que Jesus havia ensinado que não se devia julgar os outros.

Eu sei que existem situações em que julgar é realmente errado, mas aquela não era uma destas situações. A pessoa que estava sendo "julgada" tinha feito declarações e expressado suas opiniões e os outros simplesmente estavam avaliando e rejeitando as mesmas. A atitude da mocinha, que ficou sentida, ofendida e magoada, é infelizmente comum demais no meio evangélico moderno, onde as pessoas usam as famosas palavras de Jesus de maneira errada como argumento em favor de que devemos aceitar tudo o que os outros dizem e fazem, sem pronunciarmos qualquer juízo de valor que seja contrário.

Mas, foi isto mesmo que Jesus ensinou? A passagem toda vai assim:

"Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também. Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão. Não deis o que é santo aos cães Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem." Mateus 7:1-6
Alguns pontos ficam claros da passagem.

1) O que Jesus está proibindo é o julgamento hipócrita, que consiste em vermos os defeitos dos outros sem olharmos os nossos. O Senhor determina que primeiro nos examinemos e nos submetamos humildemente ao mesmo crivo que queremos usar para medir e avaliar o procedimento e as palavras dos outros. E que, então, removamos a trave do nosso olho,  isto é, que emendemos nossos caminhos e reformemos nossa conduta.

2) Em seguida, uma vez que enxerguemos com clareza, o próprio Senhor determina que tiremos o argueiro do olho do nosso irmão. O que ele quer evitar é que alguém quase cego com um tronco de árvore no olho tente tirar um cisco no olho de outro. Mas, uma vez que estejamos enxergando claramente, após termos removido o entrave da nossa compreensão e percepção, devemos proceder à remoção do cisco do olho de outrem.

3) Jesus faz ainda uma outra determinação no versículo final da passagem (verso 6) que só pode ser obedecida se de fato julgarmos. Pois, como poderemos evitar dar  nossas coisas preciosas aos cães e aos porcos sem primeiro chegarmos a uma conclusão sobre quem se enquadra nesta categoria? Visto que é evidente que Jesus se refere a pessoas que se comportam como porcos e cães, que não vêem qualquer valor no que temos de mais precioso, que são as coisas de Deus. Para que eu evite profanar as coisas de Deus preciso avaliar, analisar, examinar e decidir - ou seja, julgar - a vida, o comportamento e as declarações das pessoas ao meu redor.

Fica claro, então, que o Senhor nunca proibiu que julgássemos os outros, e sim que o fizéssemos de maneira hipócrita, maldosa e arrogante. Julgar faz parte essencial da vida cristã. Somos diariamente chamados a exercer o papel de juízes movidos por amor pelas pessoas e zelo pelas coisas de Deus.

Quem nunca julga contribui para que o erro se propague, para que as pessoas continuem no erro. São pessoas sem convicções. Elas se tornam coniventes e cúmplices das mentiras, heresias e atos imorais e anti-éticos dos que estão ao seu redor. Paulo disse a Timóteo, "A ninguém imponhas precipitadamente as mãos. Não te tornes cúmplice de pecados de outrem. Conserva-te a ti mesmo puro" (1Tim 5:22). Não consigo imaginar de que maneira Timóteo poderia cumprir tal orientação sem exercer julgamento sobre outros.

Em resumo, julgar não é errado, cumpridas estas condições:

a) que primeiro nos examinemos;
b) que nos coloquemos sob o mesmo juízo e estejamos prontos para admitirmos que nós mesmos estamos sujeitos a errar, pecar e dizer bobagem;
c) que nosso alvo seja ajudar os outros a acertar e consertar o que porventura fizeram ou disseram.
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