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quarta-feira, 17 de março de 2010

Blog Celebrai sorteia livros.

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No dicionário:

Celebrar (latim celebro, -are, assistir em grande número e solenemente, festejar)


v. tr.

1. Realizar com solenidade.

2. Solenizar.

3. Prestar solenidade a.

4. Exaltar com ironia.

v. intr.

5. Dizer missa.


Na blogosfera é isso e muito mais! CELEBRAI!Já citei o cara aqui no blog, quando estava (e talvez ainda esteja) em um processo de metamorfose bem parecido com o de muitos por aí.


Mas agora ele está generoso e feliz da vida, tanto é que está sorteando dois livros, uma para a galera do Twitter e o outro entre os blogueiros.


Quais são os livros?

Para a galera do Twitter: "O Livro mais mal-humorado da Bíblia" de Ed René Kivitz Editora @mundocristao. Para concorrer é muito simples. Quem mais der RT na frase abaixo, ganhará:

O @willcjc vai dar um livro do Ed René (@mundocristao) pra quem mais dar RT nesta frase! Confira: www.celebraii.blogspot.com #Celebrai


Já o outro livro "A Bacia das Almas" do Paulo Brabo, e, também, publicado pela Mundo Cristão, bem que poderia ser meu, né? rsrs


Abçs Will e vamo que vamo!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

O Pequeno Príncipe e a Raposa.

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E foi então que apareceu a raposa:

- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu educadamente o Pequeno Príncipe que, olhando a sua volta, nada viu.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira.
- Quem és tu? Tu és bem bonita!
- Sou uma raposa.
- Vem brincar comigo, estou tão triste.
- Eu não posso brincar contigo, não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.

Mas após refletir, acrescentou:

- Que quer dizer “cativar”?
- Tu não és daqui. Que procuras?
- Procuro os homens. Que quer dizer “cativar”?
- Os homens, têm fuzis e caçam. É assustador! Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de interessante. Tu procuras galinhas?
- Não, eu procuro amigos. Que quer dizer “cativar”?
- É algo quase sempre esquecido. Significa “criar laços”.
- Criar laços?
- Exatamente. Tu não és ainda para mim, senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo.
- Começo a compreender. Existe uma flor… eu creio que ela me cativou…
- É possível. Vê-se tanta coisa na Terra.
- Oh! Não foi na Terra.

A raposa pareceu intrigada:

- Num outro planeta?
- Sim.
- Há caçadores nesse planeta?
- Não.
- Que bom! E galinhas?
- Também não.
- Nada é perfeito, suspirou a raposa.

Mas a raposa retomou seu raciocínio.

- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E isso me incomoda um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.
Os teus me chamaram para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim não vale nada. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo.

A raposa calou-se e observou por muito tempo o príncipe:

- Por favor… cativa-me!
- Eu até gostaria, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer?
- É preciso ser paciente. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás um pouco mais perto.

No dia seguinte o principezinho voltou.

- Teria sido melhor se voltasses à mesma hora. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada, descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei à hora de preparar meu coração. É preciso que haja um ritual.
- Que é um “ritual”?
- É uma coisa muito esquecida também. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, adotam um ritual. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira é então o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem em qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu nunca teria férias!

Assim o Pequeno Príncipe cativou a raposa. Mas, quando chegou à hora da partida, a raposa disse:

- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse.
- Quis.
- Mas tu vais chorar!
- Vou.
- Então, não terás ganho nada!
- Terei sim, por causa da cor do trigo.

Depois ela acrescentou:

- Vai rever as rosas. Assim compreenderás que a tua é única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te presentearei com um segredo.

O Pequeno Príncipe foi rever as rosas:

- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu a tornei minha amiga. Agora, ela é única no mundo.

E as rosas ficaram desapontadas.

- Sois belas, mas vazias. Não se pode morrer por vós. Um passante qualquer sem dúvida, pensaria que a minha rosa se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que todas vós, pois foi ela quem eu reguei. Foi ela quem pus sob a redoma. Foi ela quem abriguei com o pára-vento. Foi nela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi ela quem eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. Já que ela é a minha rosa.

E voltou, então, à raposa:

- Adeus…
- Adeus. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.
- O essencial é invisível aos olhos, repetiu o principezinho, para não se esquecer.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que a fez tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa, repetiu ele para não se esquecer.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse ainda raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa.
- Eu sou responsável pela minha rosa, repetiu o principezinho, para não se esquecer.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

De 2009 para 1942.

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"Não é a razão que me tira a fé - pelo contrário, essa fé está inteiramente baseada na razão-; são a imaginação e as emoções. A luta trava-se entre a fé e a razão de um lado, e a emoção e a imaginação do outro. (...) Um rapaz sabe, com base em evidências absolutamente certas, que determinada moça bonita que conhece é mentirosa e não é capaz de guardar um segredo, e que portanto não deveria merecer confiança; mas, quando se encontra com ela, a sua mente perde a fé nesse conhecimento e ele começa a pensar: 'Pode ser que desta vez seja diferente', e mais uma vez comete a tolice de contar-lhe o que não devia. Foram os seus sentimentos e emoções que destruíram a fé no que sabia de verdade."

C. S. Lewis - Mero Cristianismo. (Pag. 142)

Como pode um texto tão antigo, de 1942, expressar com tamanha veracidade a situação atual dos relacionamentos? O mais interessante é que eu literalmente vivi algo bem semelhante. Se não fosse tão grande a exposição para a outra pessoa faria agora mesmo a troca dos substantivos rapaz e moça e lhes contaria um segredo! rsrs


Porém, o foco não é falar da situação que passei em meados deste ano, mas sim refletir na falta absoluta de crescimento e evolução nos relacionamentos atuais, e não falo somente dos relacionamentos amorosos. Hoje em dia é tudo tão superficial que devemos dar uma valor enorme para as amizades geradas de um sentimento genuíno de respeito e dedicação, não em prol de si mesmo, mas em prol do coletivo.

Um fato interessante desse texto é que não se fala da fé em Cristo, mas da fé em pessoas. Você por acaso já perdeu a fé que depositava em alguém? Eu já! Confesso que é assustador. É como estar junto e perceber que não a conheço tão bem quanto achava que a conhecesse, e por mais que andássemos juntos, compartilhássemos assuntos, a sensação após a perda da fé nela é que realmente nunca fomos tão próximos um do outro.

Então temos uma pergunta: Em uma amizade superficial, quem mentiu para quem?

Lembrem-se que, temos a tendência de sempre deixar a emoção falar mais alto que a razão, e a imaginação falar mais alto que a fé.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Lewis e o Orgulho.

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"O orgulho sempre olha as pessoas e as coisa de cima para baixo; ora, enquanto estivermos olhando para baixo, é claro que não conseguiremos enxergar o que está acima de nós. Isto levanta uma questão terrível: como pode haver pessoas que, estando a todas as luzes completamente carcomidas pelo orgulho, mesmo assim afirmem acreditar em Deus e se considerem profundamente religiosas? Receio que isso signifique que adoram um Deus imaginário. Admitem, em teoria, que não são nada diante desse Deus-fantasma, mas na verdade passam o tempo a imaginar como que Ele está encantado com elas e as considera muito melhores do que as pessoas comuns."

C. S. Lewis - Mero Cristianismo. (Pag. 128 e 129)

Algumas palavras falam por si só...

É verdade, eu já olhei algumas pessoas de cima para baixo! Acho que já vivi momentos de pura fantasia ao achar que Deus estava feliz por eu ser exatamente como sou e por ajudar tantos necessitados. Confesso até que já pensei que Deus estava me abençoando por me considerar melhor do que os outros.

É verdade, eu já compartilhei da "Graça" em situação de desgraça. Era preciso, afinal, o que valia naquele momento era parecer o 'tal'.

É verdade, que na maioria das situações (quando a vergonha chega) é bem mais confortável falar do outros, pois estamos de fora e temos uma visão mais apurada de cada um que nos cerca, mas que adianta eu falar dos outros? Preciso começar de mim!

É verdade, que tenho medo de ter falado muito mais de mim, nesses últimos posts, do que dos outros. Mas se isso aconteceu de fato, é por que talvez o iceberg do "meu" orgulho esteja em degelo.

É verdade que não me envergonho pela auto-crítica, sinto até um pouco de orgulho por isso. Olha ele aí de novo, mas qual a receita para nos livrarmos do orgulho de uma vez por todas?

Uma das respostas... Posso me orgulhar de algo ou de alguém, não há problema nisso. Só haverá problema se me orgulhar a ponto de achar que algo ou alguém é melhor do que o outro.

Vida inteligente no cristianismo.

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Por Juliana Dacoregio - Heresia Loira

Terminei a leitura de Alma Sobrevivente, do escritor evangélico Philip Yancey. Fazia tempos que não lia algo declaradamente cristão, mas vindo de alguém que escreveu Decepcionados com Deus, pode-se esperar algo mais pensante do que a média das publicações evangélicas.

Já conhecia Philip Yancey, do Perguntas que Precisam de Respostas, que li no período mais "xiita" de meu cristianismo. O livro é uma coletânea de artigos publicados na revista Christianity Today. Yancey, mesmo declarando sua crença nas bases do cristianismo, tem coragem de fazer perguntas que a maioria dos crentes não se permite fazer. Por exemplo...

Por que tão poucos cristãos demonstram alegria? Uma pessoa alegre seria mais parecida com a Madre Teresa ou com a Madonna?

Como pode uma religião que inclui um texto como Cantares de Salomão entre seus escritos sagrados ser conhecida como inimiga do sexo?

Como podem os evangelistas da televisão promover com tanta animação a teologia da prosperidade em um mundo cheio de injustiça e sofrimento como o nosso?

Na fase em que eu estava - de jogar fora qualquer objeto relacionado à Disney, queimar livros do Paulo Coelho (não pela qualidade literária, o que seria compreensível, mas por tratar de temas relativos a pseudo-bruxaria) e queimar fotos de baladas antigas ("as coisas velhas se passaram" e eu queria livrar-me das lembranças do pecado) - Yancey apareceu para dar uma arejada na minha mente que já estava bem estreita e alienada.

Então, Philip Yancey foi responsável por atiçar a semente questionadora, que sempre existiu em mim, e me fazer perceber que eu estava agindo como um robô. Talvez lá tenha começado o início de minha desconversão ou do meu abrir de olhos.

Dessa vez, com Alma Sobrevivente, ele me fez voltar a ter algum respeito por alguns tipos de evangélicos. No livro, que tem o subtítulo de Sou Cristão, Apesar da Igreja, o autor fala de pessoas que foram exemplos de fé para ele. A boa notícia é que ele não cita só evangélicos. Entre os nomes que fizeram com que ele compreendesse melhor a mensagem de amor do cristianismo estão Gandhi, Dostoievski, Tolstoi e a escritora católica Annie Dillard. Philip Yancey não escolhe seus exemplos de vida por causa de seus currículos de santidade, mas baseado no quanto de amor e compreensão aquelas pessoas transmitiram em suas vidas. Apesar de continuar não crendo na Bíblia ou na salvação da alma, posso afirmar que fiz um pouco as pazes com o cristianismo ao ler Alma Sobrevivente. Foi um livro que me fez lembrar que, independente da cruz de Cristo ou da remissão dos pecados, a mensagem cristã é uma mensagem de amor, humildade, compreensão e paz.

Yancey é um autor que faz com que cristãos radicais não engulam qualquer fórmula pronta vinda dos púlpitos e, ao mesmo tempo, mostra aos decepcionados com o cristianismo que existe vida inteligente no meio evangélico.

Pouca... Mas existe.

(Obs.: Muito obrigada a Pavarini, outro desses exemplos de vida cristã inteligente, por me presentear com um exemplar de Alma Sobrevivente.)

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Mais (muito mais) inquietações!

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Por Flávio - Stay Freak

Enxergo a soberania e plenitude de Deus ao ver os pássaros exaltando com júbilo pela manhã, celebrando com a mais linda canção o nascer radiante do Sol, enquanto borboletas, as flores aladas, em seu pleno vôo, polinizam e mostram sua sensibilidade majestosa, não com excentricidades religiosas sobre todo o poder que Deus tem pra fazer minha empresa sair do vermelho.

Contemplo suas maravilhas, não com uma visão pragmática, catalogando quantas pessoas receberam cura, ganharam dinheiro ou conseguiram bons empregos vindo ao meu templo. Contemplo suas maravilhas vendo o milagre da vida: um óvulo fecundando que se transforma em um bebe ou em uma semente que se transforma numa árvore. Admirando o mar, ou olhando as estrelas na imensidão do universo que nem consigo precisar o tamanho. A fotossíntese, as metamorfoses e as sinapses. Como sabiamente disse Davi: "Os céus declaram a glória de Deus, e o firmamento proclama a obra das suas mãos". Salmo 19:1

Não consigo mais ouvir “pregadores” previsíveis, parafraseando e descontextualizando trechos da Bíblia para abarcar suas panacéias e seus discursos fantasiosos, repletos de chavões que ignoram em todos os seus níveis a realidade do mundo que estamos inseridos. Prosperidade, semeadura, vitórias, riqueza, dízimos, merecimento, escolhidos, Deus vingativo, aff.... pouco fala-se do cerne do Cristianismo: amor e graça. Investe-se em performance artística com musica, gestos, apelo emocional e pouco conteúdo. A fragilidade dos ensinos é tão evidente que é refletida na maioria da literatura cristã. É impossível olhar nas prateleiras das livrarias cristãs e ver os diversos “Manuais de como prosperar com a ajuda de Deus” ou as “fórmulas mágicas do sucesso”, os ensinos “teológicos” de auto-ajuda cristã. Sorte ainda existirem Tolstoi, Dostoiévski , C S Lewis, G K Chesterton, Phlip Yancey, Frederick Bueghner, Paul Tilich, Brennan Manning, Tim LaHaye, Ricardo Gondim, Mo Sung, Victor Hugo e Shakespeare, que em suas palavras fazem-nos tocar o divino.

Sou elevado naturalmente ao trono do Pai ao som de Tchaikovsky, Bethoven e Vivaldi sem a necessidade de fechar os meus olhos, levantar as minhas mãos, curvar minha cabeça e fazer declarações aleatórias como insistem a maioria dos ministros de louvor. Paschale Bona disse que a música é “arte de manifestar os diversos afetos de nossa alma mediante o som”, logo se eles dominassem esta arte e tivessem tais afetos, não seria necessário tais estardalhaços para alcançar a presença de Deus.

A liturgia me irrita, os cultos programados e insossos aonde você entra, senta, levanta, canta, senta, ouve e vai embora. Não quero acreditar que o cristianismo se resume a isso.

Há um esforço transcendental em manter o “negócio” funcionando. Técnicas, “visões”, estratégias, construções faraonicas, entretenimento. O foco são os resultados, de ambos os lados, para quem mantém e para quem vai a igreja. Ficaram no passado os grandes pensadores e os grandes debates do inicio do século XX. Da mesma forma as expressões artísticas e culturais. Perdemos a sensibilidade humana de manter o equilíbrio transformando o casual em sagrado e o sagrado em casual. Nos preocupamos em ser igreja e não em “estarmos” igreja.

Fomos engolidos pelo ostracismo. Contentamo-nos com pouco e com as superficialidades. Queremos todas as respostas prontas, e não nos fazermos novas perguntas. Uma vez ouvi que se no cristianismo não tivermos espaços para novas perguntas caímos em duas situações: ou perdemos o sentindo da nossa existência e da contemplação do divino, ou torna-mos tão arrogantes em nós mesmos que achamos que sabemos tudo.

Não podemos reduzir o cristianismo a simples esquemas religiosos. Não podemos resumir o plano de redenção de Deus a ir aos cultos todos os domingos. Paul Tilich disse que “Deus está para além de Deus”, e é rumo a esta realidade que devemos caminhar: rumo ao divino, fazendo a diferença no nosso mundo. Pessoas espetaculares como Luther King Jr e as questões da segregação nos EUA, Desmond Tutu na África do Sul lutando contra o Aparthaid, Wiberforce ajudando a derrubar o regime esclavagista no parlamento Britânico, Madre Teresa apoiando e recuperando os desprotegidos em Calcutá e quantos outros anónimos que fazem a diferença no mundo todos os dias, são algumas das pessoas que entenderam a verdadeira mensagem em “Amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a ti mesmo”.

Precisamos nos desvencilhar das campanhas, concentrações, superstições, marchas que levam 2 milhões de pessoas sem propósitos para a rua para ouvir meia dúzia de artistas que cobraram caches gigantescos e voltarmos onde caímos. Não precisamos reinventar o cristianismo, ao contrário, precisamos é traze-lo para as nossas vidas com a mesma simplicidade que ele foi nos dado nas palavras de Jesus: amor, amizade, relacionamento, justiça (também social), fazer o bem, perdoar, foco, lutas contra o ego, simplicidade, respeito, paternalismo, integridade, honestidade, liberdade, compreensão e sobretudo saber que a verdadeira igreja são pessoas, e Deus gosta de pessoas.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Armadilha para lobos.

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"Cada um, porém, é tentado pelo próprio mau desejo, sendo por este arrastado e seduzido. Então esse desejo, tendo concebido, dá à luz o pecado, e o pecado, após ter se consumado, gera a morte. Meus amados irmãos, não se deixem enganar." Tiago 1:14a16

Você sabe como um esquimó pega um lobo?


Primeiro, ele pega sua faca de pesca e afia a lâmina até ficar bem afiada. Em seguida, ele coloca sangue na lâmina e o deixa congelar na faca. Ele repete o processo várias vezes, camada após camada, até que toda a lâmina esteja coberta de sangue congelado.

Feito isto, ele leva a faca ao local onde avistou uma matilha. Ele coloca a fala no chão de tal maneira que a lâmina aponte para cima. Ele vai embora. E é isso aí.

O lobo cheira o sangue na faca e segue o cheiro com seu faro sensível até chegar na faca. Quando ele encontra a faca, começa a lamber o sangue congelado. O sangue aumenta o apetite do animal, que começa a lamber mais rápido até a lâmina ficar exposta.


Por causa da sua fome, o lobo não percebe que a lâmina está cortando a sua língua e o sangue que ele está lambendo é o seu próprio sangue. Ele continua bebendo o sangue de sua língua até que a falta de sangue o deixe fraco e ele cai na neve para morrer.

Este é o retrato da amardilha da tentação. Como o lobo, achamos que fazer coisas erradas - como mentir, colar, usar drogas ou cigarros - é legal e seguro. Mas sem percebermos, nossos desejos malignos levam a ações malignas, que conduzem ao perigo e até a morte.

Não seja enganado pela tentação. A escolha errada pode ser atraente, até deliciosa, mas ela vai arruinar você no final.

Fonte: Devocional Teen

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Descobertas com Lewis.

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"Por que teria Deus desembarcado neste mundo ocultando-se sob um disfarce e criando uma espécie de 'sociedade secreta' para minar as forças do demônio? Por que não desembarcou com todos os seus efetivos, conquistando-o de uma tacada só? Será que não é suficientemente forte?

Bem, na verdade os cristãos crêem que Ele desembarcará uma segunda vez com todo o seu poderio; só não sabemos quando. Mas podemos muito bem adivinhar por que está atrasando a sua vinda: é que deseja dar-nos a oportunidade de aderir livremente a Ele. ...

Sim, Deus voltará em triunfo. Só não sei se as pessoas que exigem dEle uma intervenção aberta e direta no nosso mundo realmente compreendem o que isso significará, quando acontecer. Porque, quando acontecer, significará o fim do mundo. No momento em que autor da peça de teatro sobe ao palco, é porque a peça terminou.


Deus voltará, sim; mas de que nos adiantará dizer então que estamos do lado dEle? No momento em que virmos o universo inteiro esfumar-se como um sonho, e avançar com fragor Algo que nunca fomos capazes de imaginar, Algo tão irresistivelmente belo para uns e tão inescapavelmente terrível para outros - que liberdade de escolha nos restará? Porque, dessa vez, será Deus quem chegará sem disfarces; será qualquer coisa de tão esmagador que ou acenderá um amor irresistível em cada uma das criaturas, ou incutirá nelas um irresistível horror. E então será tarde demais para escolhermos de que lado ficar: de nada nos adianta dizer que preferimos sentar-nos quando já não conseguimos ter-nos em pé. Não, esse não será mais o tempo de fazermos as nossas escolhas; será o momento em que descobriremos qual era o lado que realmente tínhamos escolhido, quer nos tivéssemos dado conta disso, quer não.

Hoje, agora, este momento: esta é a hora para escolhermos o lado certo. Deus ainda se mantém oculto justamente para nos dar essa oportunidade. Não o fará para sempre. Devemos aceitá-lo ou rejeitá-lo."


C. S. Lewis - Mero Cristianismo. (Pag. 74 e 75)


Por vezes sinto-me cansado, parece que este mundo nunca vai acabar, não que eu o queira com fervor, mas viver neste mundo nos possibilita o inexplicável, o sofrer.

Não sei quanto a você, mas eu, por inúmeras vezes sofro sem ter um motivo real. Os profissionais podem chamar isso de depressão, desânimo, enfim, podem dar o nome que quiser, porém, eu digo que por mais que tentem explicar nunca chegaram ao íntimo do meu ser.

Me veio um lampejo após a leitura deste trecho do C.S. Lewis. Será que estou realmente preparado para o momento em que o universo esfumar-se a em um sonho? A propósito, não consigo imaginar isso ... o Mundo e seu derradeiro fim ... Por mais que saibamos, por mais que falem, é incrível não termos total compreensão do fim.

Por hora, me resta apenas, levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima!

terça-feira, 28 de abril de 2009

Debate: A Cabana.

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No dia 27/04 aconteceu na IBAB o debate mais esperando do Fórum "Deus no banco dos réus", sobre o livro "A Cabana", com a presença de Ariovaldo Ramos, Ed René Kivitz e Ricardo Quadros Gouvêia.Segue para os leitores algumas ideias a respeito do livro do ponto de vista desses caras que são feras no assunto.

Ed René Kivitz inicia o debate pedido para que Ricardo e Ariovaldo fizessem suas considerações sobre o livro A Cabana.

Ricardo - Grande Best Seller, mas não significa um grande livro. Do ponto de vista literário é uma obra medíocre. Não será um Long Seller, muito menos um Clássico. William P. Young não é um homem das artes literárias, mas trouxe em seu livro histórias relacionadas a teologia, uma tentativa que deu origem a ideias muito interessantes. O grande valor do livro está em uma pergunta: "Que Deus?", que nos leva a outras perguntas: "Eu devo adorar a Deus?", se sim: "Qual Deus?" Se me mostrarem esse deus que pregam por aí (comércio da fé), digo que esse deus é o diabo, mas se mostrarem o Deus que por amor entregou Jesus e por seu sacrifício temos acesso ao Pai, esse sim eu adoro.
Cito Calvino: "O coração do homem é uma fábrica de ídolos."

Ariovaldo - Texto de ficção que não pode ser tratado como teologia. Em seu livro, William P. Young foi corajoso por chegar na questão: "Onde estava Deus quando eu estava sofrendo?", tenta falar de um problema complexo do qual a humanidade se identifica. Aborda o sofrimento, doutrina da trindade, perdão e a respeito daquilo que nos aproxima ou afasta de Deus. O autor não escreveu o livro com grandes pretensões, porém, uma das ideias do livro é: "Viver é sofrer, e todo o juízo de Deus passa pelo sofrimento."
As pessoas anseiam pelo Deus descrito no livro. E aos que apresentam Deus; tais como pastores, líderes e etc; talvez não o façam como deveria ser, de acordo com o vício religioso de adorar aquilo que temos medo ou pavor, porém, o autor mostra que pessoas podem adorar aquilo que amam e amam aquilo que adora.
Cito um amigo, Machado: "Teologia é uma arte e não uma ciência."

Ed René Kivitz pergunta: - Qual a resposta de William P. Young para o sofrimento?

Ricardo - O problema do sofrimento humano não tem solução. O evangelho não é como os outros (religiões), não tem por obrigação resolver o problema humano. O evangelho não é uma religião e sim o substituto, o contrário a religião. O autor mostra um Deus que sofre conosco, por nós e abraça a condição humana.
Por isso, quem somos nós diante de Deus para não sofrer? Devemos reconhecer que o sofrimento faz parte da humanidade.


Ariovaldo - No livro o autor entende que o sofrimento é consequência da maldade humana a partir da queda. O sofrimento humano levou Deus ao sofrimento. Deus sofre em Cristo. A independência é fruto da possibilidade do ser humano em decidir, e decidiram errado. No livro, quando Deus é questionado em relação ao que faria a respeito do sofrimento humano, a resposta é que Deus já fez através de Cristo na cruz. Os seres humanos atraíram o sofrimento.

Ed René Kivitz pergunta: - William P. Young apresenta um Deus frágil em relação ao homem e ao pecado. Como conciliar essa figura do Deus fraco com o que é pregado hoje nas igrejas?

Ed René Kivitz - Deus é amor e não exige nada, mas quer que retribuamos o seu amor. Deus é relacional.

Ricardo - No nosso tempo e cultura, a igreja repensa o que os evangelhos significam. O que é proposto é nosso relacionamento com Deus. * pag. 132 - 'Teologia Relacional'

Ariovaldo - Não acho que o Deus apresentado seja fraco. Ele não tem medo do que Mach está sentindo. A ideia é: "Fique tranquilo, não se preocupe, eu sei o que está acontecendo. Sei exatamente o que está acontecendo." É um Deus que ama profundamente, sabe o que está acontecendo e sabe também como será o desfecho da história. Deus intervêm na história, não se impõe, mas sabe como fazer para atrair.
*pag. 178 - 'Teodiceia do autor é evangelicamente conservadora'. Do livro "... o mal perdura por um tempo, mas não tem a palavra final..."

Ed René Kivitz pergunta: - E com relação a queda no Éden e a resposta de Deus na cruz?

Ariovaldo - No texto de William P. Young a solidariedade da raça está presente. O texto indica que Deus deu alguma possibilidade do ser humano dizer não a maldade, mas não a queda. Porém, se dizem ou não, isso não muda o fato de Deus amar.

Ricardo - O livro é bastante conservador. Fala da soberania divina e do pecado original, retrata a trindade. Estamos no século 21, na pós-modernidade, o pecado não é uma ideia ou um conceito teológico, e sim uma realidade. Ter fé em Deus não implica no abandono da insegurança. Corremos o risco de não nos indignarmos suficientemente com a maldade (na teologia conservadora).
*pag. 176 - 'A fé não cresce na casa da certeza'


Ed René Kivitz pergunta: - A questão então é que estamos no lugar errado na hora errada?

Ariovaldo - Viva comigo, ande comigo, e não precisará se preocupar com o que acontece. A questão é se vou me entregar a "Grande Tristeza" ou se vou continuar a confiar naquele com quem ando.

Considerações Finais.

Ricardo - No livro, acho errado o criminoso ter sido preso, não corresponde com a realidade. Não precisava açucarar a ideia. Se o livro quer trazer a visão cristã do mundo, deve trazer a visão caída. Devemos continuar andando com Deus, apesar do mal acontecer conosco.

Ariovaldo - O autor é de origem anglo-saxão e influenciado por sua cultura, faz no final tudo dar certo. O grande anseio da humanidade hoje, é o de ser amado, essa é a proposta do autor. Gosto do fato de atacar os paradigmas em relação a trindade. Na trindade existe a paternidade, maternidade e filiação.
*Jesus sabe que vai ressuscitar Lázaro, mas chora.

Ed René Kivitz - O mal tratado no livro é o mal que fazemos uns aos outros.

"Que diremos, pois, diante dessas coisas? Se Deus e por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos dará juntamente com ele, e de graça todas as coisas? Quem fará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? Foi Cristo Jesus que morreu; e mais, que ressuscitou e está à direita de Deus, e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: "Por amor de ti enfrentamos a morte todos os dias; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro" Mas, em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor." Romanos 8:31 a 39.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Maravilhosa Graça.

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Estou lendo esse livro, e uma das frases que mais me tocou até o momento, é um dos argumentos de C.S. Lewis à cerca do perdão (cap.5 pag. 58) que diz o seguinte: "Ser cristão significa perdoar o imperdoável, porque Deus perdoou o imperdoável em você".

Como gostaria de viver essas palavras, mas não consigo! Realmente, ser cristão não é nada fácil.

Como essas palavras me tocaram! Isso porque reconheço uma situação específica, de um relacionamento desfeito pela incompreensão e orgulho mútuos, entre eu e uma pessoa que fez parte de alguns momentos felizes da minha vida. Eu disse muitas coisas, algumas delas foram que nossa amizade baseava-se em interesses e que um dia nós iríamos rir dessa situação. Agora percebo o quanto essas palavras nos afastaram ainda mais, pois com elas enterrei a possibilidade inicial de pedir perdão e congelei tanto o meu como o seu coração.

O perdão está diretamente ligado a "Graça". E para liberar perdão devemos estar cheios da graça de Deus. Quando entendemos o que a graça significa e como podemos usá-la daí sim estaremos prontos a perdoar e ser perdoados.

"Graça significa que não há nada que possamos fazer
para que Deus nos ame mais"
"Graça significa que não há nada que possamos fazer
para que Deus nos ame menos"

Deus nos ama de graça, porque a sua graça nos basta! Nós não merecemos sua graça e mesmo assim não repartirmos tal graça com os outros. Como podemos ser tão hipócritas a ponto de declarar que amamos uns aos outros, que amamos os nossos ofensores, que os perdoamos?

Deus, não deixe que a sua ira venha sobre mim, perdoe-me, faça valer cada minuto da minha vida!
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