PavaBlog

sábado, 4 de julho de 2009

Quero morrer.

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É isto mesmo que você leu no título: Eu quero morrer.

Na verdade, anseio morrer faz três anos, mas minhas tentativas têm sido frustradas. Já tive ideias mirabolantes, de causar inveja ao Tião Gavião, personagem do desenho Penélope Charmosa ou ao Coiote, do desenho Papa-Léguas. Também fiz tentativas estúpidas, das quais saí um pouco machucado, mas não chegaram nem perto do meu objetivo principal, que é a morte.

Compartilho da mesma filosofia de todo tipo de suicida, apesar de me considerar de um tipo bem diferente. Creio que a morte vai trazer finalmente paz para o meu coração atribulado.

Acabo de ter uma ideia muito boa para concretizar meu intento. Após analisar meus sucessivos fracassos, decidi pedir ajuda, pois cheguei à conclusão de que sou tão incompetente que nem mesmo morrer eu consigo, mais um motivo para querer a morte.

Às vezes, até acho que meus planos foram frustrados porque lá no fundo eu não quero morrer. Eu preciso morrer, pois a cada dia que passa suporto menos este mundo e a mim mesmo, mas não consigo abrir mão da minha vida. Eu quero, mas não consigo, por isto necessitarei de auxílio.

E não pedirei ajuda para um qualquer não, tem que ser um profissional, entendido do assunto. Não quero que nada dê errado e eu me torne um vivo inválido, me arrastando ou sendo carregado pelo resto da vida, ou pior, vegetando apenas.

Já escolhi meu executor, e o escolhi muito bem. Sei que ele é especialista e se preocupa em cumprir este trabalho, evitando a dor de sua vítima, desde que esta não se debata muito.

Como já disse, faz três anos que quero morrer e busco isto, mas tenho falhado.

Quero morrer para este mundo, pois não há nada de bom nele para mim.

Quero morrer para a vaidade, que insiste em me dizer que sou mais bonito que uns, que sou mais inteligente e tenho mais conhecimento que outros e que pelo que tenho, sou melhor.

Quero morrer para a minha soberba, que faz com que me relacione com as pessoas com ar de superioridade.

Quero morrer para a minha falta de compromisso com o que creio e prego e deixar de ser um hipócrita.

Quero morrer também para a minha mesquinhez, que pede misericórdia e perdão para os meus erros, mas justiça e castigo para os outros.

Também desejo morrer para a minha falta de amor, que serve de contra-testemunho para aquilo que digo crer.

Talvez você entenda agora os motivos dos meus sucessivos fracassos em tentar morrer. E saiba que esta lista não se encerra por aqui.

Meu executor? Como disse, é especialista em morte. Tão especialista que até ele mesmo já morreu e é na morte dele que desejo de todo o meu coração morrer. Mas morrerei na esperança de que viverei novamente a vida do meu amado executor, porque ele vive.

Meu executor? Bem… Creio que já faz ideia de quem seja.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Lewis e o Orgulho.

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"O orgulho sempre olha as pessoas e as coisa de cima para baixo; ora, enquanto estivermos olhando para baixo, é claro que não conseguiremos enxergar o que está acima de nós. Isto levanta uma questão terrível: como pode haver pessoas que, estando a todas as luzes completamente carcomidas pelo orgulho, mesmo assim afirmem acreditar em Deus e se considerem profundamente religiosas? Receio que isso signifique que adoram um Deus imaginário. Admitem, em teoria, que não são nada diante desse Deus-fantasma, mas na verdade passam o tempo a imaginar como que Ele está encantado com elas e as considera muito melhores do que as pessoas comuns."

C. S. Lewis - Mero Cristianismo. (Pag. 128 e 129)

Algumas palavras falam por si só...

É verdade, eu já olhei algumas pessoas de cima para baixo! Acho que já vivi momentos de pura fantasia ao achar que Deus estava feliz por eu ser exatamente como sou e por ajudar tantos necessitados. Confesso até que já pensei que Deus estava me abençoando por me considerar melhor do que os outros.

É verdade, eu já compartilhei da "Graça" em situação de desgraça. Era preciso, afinal, o que valia naquele momento era parecer o 'tal'.

É verdade, que na maioria das situações (quando a vergonha chega) é bem mais confortável falar do outros, pois estamos de fora e temos uma visão mais apurada de cada um que nos cerca, mas que adianta eu falar dos outros? Preciso começar de mim!

É verdade, que tenho medo de ter falado muito mais de mim, nesses últimos posts, do que dos outros. Mas se isso aconteceu de fato, é por que talvez o iceberg do "meu" orgulho esteja em degelo.

É verdade que não me envergonho pela auto-crítica, sinto até um pouco de orgulho por isso. Olha ele aí de novo, mas qual a receita para nos livrarmos do orgulho de uma vez por todas?

Uma das respostas... Posso me orgulhar de algo ou de alguém, não há problema nisso. Só haverá problema se me orgulhar a ponto de achar que algo ou alguém é melhor do que o outro.

O sono da morte.

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Vivemos como pêndulos suspensos por fios de seda. Dependemos de mãos desconhecidas. Somos delicado cristal, perigosamente estilhaçáveis. Insistimos no colo que nos aqueça no inverno.

Vivemos no limiar da morte, à espera da Fortuna que, muitas vezes escondida numa esquina sombria, foge de nós. Padecemos do mal da solidão. Sofremos de febre existencial; febre que mata sem calor.

Vivemos rodeados por armadilhas. No caminho, ameaçados por minas prestes a explodir nossas pernas. Tornamos todos os silêncios, ardis, todas as falas, contrafações, todos os gestos, seduções. A travessia vira um beco sombrio. Assombrados, viajamos com pressa. Inconformados, vemos as vielas se contorcendo em labirintos lúgubres. Fatigados, notamos a jornada longa; que se dissolve no infinito.

Vivemos na ante-sala do desespero. Toda a lucidez não aplaca o choro do nosso coração, toda a loucura não espairece a sede do nosso espírito, toda a sisudez não asfixia o grito das nossas vísceras. Sabemo-nos incompletos. Vemo-nos retalhados. Reconhecemo-nos bestiais.

Vivemos nas franjas de um oásis transcendental. Ouvimos o murmúrio de águas, paradoxalmente, próximas e inalcançáveis. Angustiados, esboçamos uma única petição:

"Até quando, Senhor? Para sempre te esquecerás de mim? Até quando esconderás de mim o teu rosto? Até quando terei inquietações e tristeza no coração dia após dia? Até quando o meu inimigo triunfará sobre mim? Olha para mim e responde, Senhor, meu Deus. Ilumina os meus olhos, ou do contrário dormirei o sono da morte." Salmos 13:1a3

Vida inteligente no cristianismo.

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Por Juliana Dacoregio - Heresia Loira

Terminei a leitura de Alma Sobrevivente, do escritor evangélico Philip Yancey. Fazia tempos que não lia algo declaradamente cristão, mas vindo de alguém que escreveu Decepcionados com Deus, pode-se esperar algo mais pensante do que a média das publicações evangélicas.

Já conhecia Philip Yancey, do Perguntas que Precisam de Respostas, que li no período mais "xiita" de meu cristianismo. O livro é uma coletânea de artigos publicados na revista Christianity Today. Yancey, mesmo declarando sua crença nas bases do cristianismo, tem coragem de fazer perguntas que a maioria dos crentes não se permite fazer. Por exemplo...

Por que tão poucos cristãos demonstram alegria? Uma pessoa alegre seria mais parecida com a Madre Teresa ou com a Madonna?

Como pode uma religião que inclui um texto como Cantares de Salomão entre seus escritos sagrados ser conhecida como inimiga do sexo?

Como podem os evangelistas da televisão promover com tanta animação a teologia da prosperidade em um mundo cheio de injustiça e sofrimento como o nosso?

Na fase em que eu estava - de jogar fora qualquer objeto relacionado à Disney, queimar livros do Paulo Coelho (não pela qualidade literária, o que seria compreensível, mas por tratar de temas relativos a pseudo-bruxaria) e queimar fotos de baladas antigas ("as coisas velhas se passaram" e eu queria livrar-me das lembranças do pecado) - Yancey apareceu para dar uma arejada na minha mente que já estava bem estreita e alienada.

Então, Philip Yancey foi responsável por atiçar a semente questionadora, que sempre existiu em mim, e me fazer perceber que eu estava agindo como um robô. Talvez lá tenha começado o início de minha desconversão ou do meu abrir de olhos.

Dessa vez, com Alma Sobrevivente, ele me fez voltar a ter algum respeito por alguns tipos de evangélicos. No livro, que tem o subtítulo de Sou Cristão, Apesar da Igreja, o autor fala de pessoas que foram exemplos de fé para ele. A boa notícia é que ele não cita só evangélicos. Entre os nomes que fizeram com que ele compreendesse melhor a mensagem de amor do cristianismo estão Gandhi, Dostoievski, Tolstoi e a escritora católica Annie Dillard. Philip Yancey não escolhe seus exemplos de vida por causa de seus currículos de santidade, mas baseado no quanto de amor e compreensão aquelas pessoas transmitiram em suas vidas. Apesar de continuar não crendo na Bíblia ou na salvação da alma, posso afirmar que fiz um pouco as pazes com o cristianismo ao ler Alma Sobrevivente. Foi um livro que me fez lembrar que, independente da cruz de Cristo ou da remissão dos pecados, a mensagem cristã é uma mensagem de amor, humildade, compreensão e paz.

Yancey é um autor que faz com que cristãos radicais não engulam qualquer fórmula pronta vinda dos púlpitos e, ao mesmo tempo, mostra aos decepcionados com o cristianismo que existe vida inteligente no meio evangélico.

Pouca... Mas existe.

(Obs.: Muito obrigada a Pavarini, outro desses exemplos de vida cristã inteligente, por me presentear com um exemplar de Alma Sobrevivente.)

Se for assim, eu me simpatizo com o capeta.

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Por volta de 1997, houve grande alvoroço na cidade de Uberlândia por causa de um projeto da Câmara Municipal que tentava aprovar um Plano Diretor para a cidade. A idéia era criar uma série de regulamentações que normatizassem construções, comércios e também IGREJAS.

Na época, as igrejas se uniram para fazer pressão nos vereadores, forçando o abandono das medidas que definiam regras para a liberação do alvará de funcionamento para templos evangélicos. Disseram nos cultos que era o “fim dos tempos”. Que era Satanás que se levantava contra a igreja e outras bobagens igualmente sem tamanho.

Passados 10 anos, começo a refletir sobre o que a prefeitura tentou fazer. A regulamentação basicamente era sobre a obrigatoriedade de haver estacionamento em templos com certa capacidade e sobre isolamento acústico adequado.

A única coisa que passa pela minha cabeça é que, se estas coisas são realmente do diabo, então eu até simpatizo com o chifrudo. Ou será que sou apenas eu que sofro para estacionar na frente da igreja? Será que só eu estou realmente preocupado com o incômodo causado aos vizinhos? Hipocrisia é fingirmos que está tudo bem e que toda reclamação é proveniente do inferno. Será que nós não estamos trazendo o inferno para o local onde estamos?

Lendo alguns trechos da Carta a Diogneto, me surpreendi com a visão do autor no que se refere às características de um cristão nos primeiros séculos.

“Os cristãos não se distinguem dos demais homens, nem pela terra, nem pela língua, nem pelos costumes. Nem, em parte alguma, habitam cidades peculiares, nem usam alguma língua distinta, nem vivem uma vida de natureza singular.”

(Carta a Diogneto – aproximadamente 120 dC)

Dá vontade de chorar. Sinto vergonha de ser parte de um corpo que é o oposto do observado nesta carta citada acima. Hoje fazemos questão de nos distinguirmos dos demais por todos estes aspectos. Queremos ser aqueles que possuirão as terras (quanto mais, mais abençoados somos), criamos nossa própria língua evangélica e costumes para nos diferenciarmos das demais pessoas.

Fazemos questão de ter uma vida de natureza singular. E ainda achamos que isto é sinal de que Deus está a nosso favor. Creio que os que ouvirão um “apartai-vos de mim vós que praticais a iniquidade” estão bem mais próximos do que imaginamos.

Igualmente a Adão, buscamos jogar a culpa de tudo que não nos convém no diabo. Claro que eu sei que o diabo e seus anjos existem e blábláblá. Mas estou cansado de conviver com um evangelho mesquinho, interesseiro e que enche a boca de palavras pra gritar VENHA A NÓS O VOSSO REINO, porém omitindo a parte mais importante da oração, que é o SEJA FEITA A TUA VONTADE.

Tá na hora de começarem a entender que geração profética deveria, em tese, significar que não negociamos a verdade (ela precisa ser proclamada a qualquer custo), não buscamos nossos próprios interesses (este é o mais complicado, pois sabemos que isto nem sempre é verdade) e nós sempre devemos ser os primeiros a AGIR em favor do Reino.

Se você acha que dá pra continuar com essa vidinha hipócrita de sempre, fique à vontade. Eu não aguento mais.

***

Meu comentário no post original:

Chega… precisamos de um basta!

Em SP é só andar alguns metros por uma rua movimentada, na periferia mesmo, e já encontramos umas 3 igrejas diferentes. Cada uma com suas características peculiares.

O mais chocante é que qualquer porta de bar pode hoje virar uma igreja… então, pra que estacionamento? Deixem seus carros nas ruas. Pra que saídas de emergência? São todos salvos! (ou não).Pra que uma estrutura acústica? Se fomos chamados para ser sal e luz (mas muita das vezes amargamos nossos vizinhos e nos escondemos na escuridão do templo).

Já vi igrejas de esquina em uma determinada rua, cujo os membros contavam-se em uma das mãos, mas o barulho era de uma congregação de 1500 pessoas. Para que serve isso?!

Estou quase acreditando que a igreja é uma instituição falida… claro que falo daquelas que não dirigidas por homens gananciosos, prepotentes, arrogantes, cheios de ‘unção’, donos dos ‘milagres’, ‘financiadores’ da fé.

Eles ouviram Jesus em algum momento e o rebaixou para ‘Severino Quebra Galho’…

Bom… falei demais… acho que é o post misturando com um final de semana depressivo, depois de assistir ‘O curioso caso de Benjamim Botton’, ‘A troca’ e ‘Sete vidas’…

A Paz!!

Liderança não é para qualquer um.

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O exercício da liderança é um privilégio e uma responsabilidade de poucos. Usando nossa linguagem teológica, as "pessoas dons" (Efésios 4:11) são sempre em número muito menor do que as "pessoas com dons" (Efésios 4:12).

As pessoas dons são responsáveis pela eficácia (fazer as coisas certas) e a eficiência (fazer as coisas da maneira certa) da organização. Quando você tem um problema de liderança, você tem um problema de líderes, e não de liderados. Espera-se, portanto, que os líderes sejam líderes, isto é, tenham no mínimo, uma visão clara do futuro para onde conduzem seus liderados, uma sensibilidade aguçada para que este futuro seja fruto dos sonhos e anseios dos liderados e um senso de responsabilidade para com a organização/organismo, pois os líderes não são servos dos liderados, mas servos da visão comum. Servir os liderados é a maneira como os líderes servem à visão, e não sua finalidade essencial.

Diante destas responsabilidades, acredito que ninguém será capaz de exercer satisfatoriamente a função de liderança, sem o desenvolvimento de pelo menos três capacidades.

A capacidade de conviver com a solidão. Líderes são líderes porque enxergam, percebem, sentem, sabem, estão dispostos a sacrifícios, possuem paixão diferenciados em relação aos liderados. Um líder na média dos seus liderados é um liderado que está no lugar errado, a saber, ocupando a posição de líder. Águias não voam em bandos.

A capacidade de tomar decisões impopulares. John Kennedy disse que o segredo do fracasso é "tentar agradar todo mundo". O líder deve sempre tentar construir consenso, mas deve ter coragem para tomar decisões e assumir responsabilidades. Caso contrário, será um "facilitador de discussões", e não um líder de fato.

A capacidade de conviver com críticas. Como se diz no popular, "nem Jesus Cristo agradou todo mundo". Nesse caso, uma vez que o líder se posiciona, assumindo sua responsabilidade de levar todo mundo rumo ao bem comum, certamente contrariará interesses particulares, e consequentemente será alvo de palavras duras e imerecidas. Sempre.

Eis as razões porque o exercício da liderança não é para qualquer um.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Música: Tempos Melhores.

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Essa música faz parte do cd Pra Que Outros Possam Viver
do Ministério Livres Para Adorar.


Livres para adorar
Versão: Juliano Son

És o Deus deste lugar
O Rei deste povo
Senhor desta nação
Tu és

És a luz na escuridão
Esperança ao perdido
A paz ao cansado
Tu és

Não há outro igual a Ti
Não há outro igual a Ti

Tempos melhores estão por vir
Obras maiores se farão neste lugar
Tempos melhores estão por vir
Obras maiores se farão neste lugar

Louvar é preciso!

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Por Danilo Fernandes - Genizah

Outro dia eu estava conversando com amigos e constatamos que alguns grupos parecem intimidados no momento do Louvor. Em geral, são pessoas de mais idade e, em particular, irmãos de origem não protestante. É coisa fácil de notar basta ver como estas pessoas geralmente chegam mais tarde à igreja, já perto do momento da Intercessão ou da Palavra.

As razões são muitas. Já ouvi de tudo. Desde vergonha de cantar, preguiça de ficar de pé, comodismo frente a um momento de menor importância no culto (há quem pense assim), receio de transparecer a emoção e até certo incomodo com a falta de reverência que alguém venha a apresentar durante o Louvor (segundo a tradição de quem observa).

Quando eu me converti, no final da década passada, o primeiro Louvor com música contemporânea de que participei foi um cruzamento de terremoto com tsunami! Daí que, mesmo já crente, fiquei por um bom tempo ressabiado nesta hora: Torcendo para o sermão começar, ancorando as mãos nos bolsos e mantendo a emoção sob controle. Com o tempo, a experiência do primeiro louvor foi se esmaecendo...

Minha perspectiva do momento do Louvor passou a se centrar na minha relação com o tipo de música tocada, na afinação dos ministros, no meu estado emocional, etc. Uma visão bem prática do Louvor como um instrumento pré-pregação com foco nas pessoas presentes ao culto. Eu achava que a função principal do momento de louvor musical era preparar a consciência das pessoas para receber a Palavra, ou um pano de fundo para as orações ou, ainda, um facilitador para as experiências emocionais e espirituais que iriam se dar somente adiante no culto.

Até que um dia alguém “puxou as minhas orelhas” e me lembrou que este momento – o Louvor - é o mais importante para o salvo. Não é disciplina eletiva. É hora de se voltar inteiramente para o Senhor e simplesmente agradecer (e Louvá-Lo). Não se trata de mim. A importância do Louvor está adiante de mim. Esta Nele!

Ora, se é assim: Por que este momento tão especial de agradecimento e exaltação ao Senhor é feito primariamente através da música? Por que é tão fundamental que o crente não perca um só minuto desta oportunidade especial com Deus?

“A igreja de Cristo nasceu em música”. Afirmou Ralph Martin em seu livro chamado Worship in the Early Church. O povo de Deus é um povo musical, um povo cantante. E há uma razão para isto: A compreensão da maravilhosa realidade da existência de Deus. Externalizar isto exige mais do que expressão do falar. A realidade de Deus e de Sua Obra é tão estupenda que nós nem sequer podemos tentar pensar minimamente sobre isto sem sentir que qualquer que seja a nossa expressão diante deste fato, esta já é insuficiente e indevida. Ou seja, em se tratando de Louvor, estamos sempre devendo!

Jonathan Edwards, que conheceu como poucos a realidade de Deus. Realidade que preencheu de compreensão sua mente estupenda e de paixão seu coração imenso, fazendo dele o príncipe dos pregadores, estava certíssimo ao afirmar que Deus também se glorifica através das Suas criaturas, de duas formas:

1) Mente - Ao se fazer presente ao seu entendimento e compreensão (mesmo que apenas em mínima porção do Seu infinito Ser).

2) Emoção - Ao se comunicar direto ao coração das pessoas, provocando encantamento, prazer, deleite, consolo, etc. De tal maneira que Deus é glorificado não somente em Si e Por Si, mas na emoção e no deleite dos que O recebem em seu coração.

John Piper, pregador americano, diz: A Gloria de Deus é recebida por todo o ser, toda a alma, pois é percebida pelo entendimento e pelo coração. Vai daí, que quando se percebe este fato é que se começa a ver o papel vital da música e do canto na Adoração Cristã. É através do nosso canto, da nossa exaltação, que abrimos espaço para a emoção e preparamos o coração para receber a Gloria de Deus não apenas no racional, mas também no emocional! Não dá para ficar sem!

Contudo, mais importante do que abrir um canal estéreo (Dolby Surround, etc.) com Deus para receber a Sua Glória em nós é poder fazer uso desta expressão mais completa, juntando mente e emoção, para nos achegar a uma possibilidade de expressão minimamente aceitável de descrever a maravilhosa realidade de Jesus e o nosso agradecimento por Sua Obra em nossas vidas!

A "Graça" é isto, e muito mais...

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Como definir o que é graça?

Poderá um reles humano exprimi-la em palavras?

Por mais que tentemos explicar, reconhecemos que na graça, há um resíduo inexprimível ligado a nossa subjetividade e individualidade, que a linguagem falada ou escrita é incapaz de abordá-la em sua completude. Os evangelhos a mencionam diversas vezes, em vários tipos de situações e circunstâncias.

Talvez, a nossa acomodação em não refletir sobre a graça, tenha nos acostumado na maioria das vezes, a fazer-lhe referência de um modo tão mecânico, que terminamos por transformá-la em um bordão, utilizado, habitualmente, em começo e fim de textos. O evangelista S. João, sentindo a sua evidência, de uma forma bastante clara e inspirada, assim escreveu: "[...] a Lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por intermédio de Jesus Cristo." João 1:17

Debrucemo-nos mais sobre esse tema ─ razão maior do cristianismo que abraçamos com tanta fé ─ e veremos que os saudosistas dos rituais Vétero-Testamentários estão aproveitando o vácuo da incompreensão sobre o que denominamos graça, para sem a intermediação de Cristo, enganar multidões, dizendo-se profetas-mensageiros de Deus. Na realidade, as realizações e façanhas desses “anticristos” de ocasião são puras elucubrações, não tendo nada de poder Divino.

Cristo não veio definir a graça, mas veio viver ao nosso lado para demonstrá-la, através de suas atitudes, nas diversas e emblemáticas situações com que se deparou no seu curto, porém profícuo ministério.

O que aqui escrevo em vários parágrafos, são retalhos extraídos da infinita profunda e multiforme Boa Nova do Evangelho, mas reconheço que ela é muito mais do que isso. Não tenho dúvida, de que o amigo(a) leitor(a) poderia acrescentar muito mais conceitos sobre graça, extraídos de sua experiência particular e única com Deus, além dos que aqui, passo a mencionar:

A graça é aquela misericórdia infinita que diz que devemos perdoar até setenta vezes sete.

A graça é aquela que nos sussurra diante dos julgamentos que são engendrados em nossa consciência contra o nosso próximo, e nos faz silenciar, ao soprar ao nosso ouvido: “Quem não tiver pecado seja o primeiro a lhe atirar uma pedra”.

A graça é aquela que esteve presente na afirmação enfática de Cristo, diante dos que exerciam juízo contra a prostituta: “Nem eu te condeno!”

A graça é aquela que fecha os olhos para os méritos, mas vê a simplicidade interior dos humildes que muita gente não vê.

A graça é aquela que não sabe amaldiçoar, pois só se alimenta do perdão.

A graça é aquela que cala a justiça
dos homens, em benefício dele próprio.

A graça é aquela coisa que faz acender
a nossa “luz vermelha”, pedindo que olhemos para dentro de nós, quando caímos em nossas contradições diárias.

A graça é aquela que superabundou onde o pecado abundou.

A graça é aquela que se revelou explicitamente no coração de Cristo, quando Ele explicou o motivo maior de não se odiar os que nos fazem mal: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”

A graça é aquela que escolheu as nossas fraquezas para que o poder de Deus se aperfeiçoasse nelas.

A graça é aquela que nos alerta para não incorrermos no paradoxo de se pregar, fazer milagres e maravilhas, sem ter amor.

A graça é aquela que tem de ser buscada diariamente, para que nos nossos escorregos diários, não venhamos assumir de novo os fardos pesados da maldição da Lei.

A graça é aquela consciência adquirida
através da fé em Cristo, de que não são mais necessários os sacrifícios ou penitências para apagar fatos do passado de nossa ignorância. É a certeza de que a verdade de ontem, firmada sem excepcionalidade nos severos ditames da lei, foi sepultada com Cristo, lá na cruz do calvário. Quem não tiver esta certeza ─ é uma pena ─, vai viver eternamente se cobrando por coisas que o sangue de Cristo já apagou de uma vez por todas. Nunca é demais, através de um exercício diário, impregnar a nossa mente com esse emblemático versículo: "[...] a Lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por intermédio de Jesus Cristo." João 1:17

A graça é aquela que está sempre incluindo, e nunca excluindo.

A graça é aquela que ao inundar o nosso coração
, faz calar a arrogância, dissipando toda soberba.

A graça é aquele bálsamo que invade o nosso interior, perdoando-nos e nos aliviando quando no mais profundo abismo do nosso ser, as feras terríveis, em revolta nos fazem sofrer.

A graça é aquela bondade regida pela misericórdia
infinita, que a nossa natureza animal resiste egoisticamente, ao racionalizar a justiça Divina com vingança.

A graça é aquela que não anda junto com sacrifícios, votos e oferendas.

A graça é aquela que foi soprada ao ouvido do apóstolo de Tarso, quando ele desejou criar asas antes do tempo: “a mim te basta ─ Paulo!”

A graça é aquela que nos faz crescer quando mergulhamos em nós mesmos, e nos faz diminuir, quando intentamos ser melhor e maior que o outro.

A graça é aquela que entende que as aflições da vida, são contingências naturais de nossa caminhada, sem que signifique castigo ou maldição divina.

A graça é aquela que não usa o artifício do medo, para obrigar o homem a agir contra a voz de sua própria consciência.

A graça é aquela, que por ser dom gratuito de Deus, nunca se vende nem se deixa ser comercializada.

A graça é isto, e muito mais...
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