PavaBlog

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O inacabado que há em mim.

2 comentários

Eu me experimento inacabado. Da obra, o rascunho. Do gesto, o que não termina.

Sou como o rio em processo de vir a ser. A confluência de outras águas e o encontro com filhos de outras nascentes o tornam outro. O rio é a mistura de pequenos encontros. Eu sou feito de águas, muitas águas. Também recebo afluentes e com eles me transformo.

O que sai de mim cada vez que amo? O que em mim acontece quando me deparo com a dor que não é minha, mas que pela força do olhar que me fita vem morar em mim? Eu me transformo em outros? Eu vivo para saber. O que do outro recebo leva tempo para ser decifrado. O que sei é que a vida me afeta com seu poder de vivência. Empurra-me para reações inusitadas, tão cheias de sentidos ocultos. Cultivo em mim o acúmulo de muitos mundos. Por vezes o cansaço me faz querer parar. Sensação de que já vivi mais do que meu coração suporta. Os encontros são muitos; as pessoas também. As chegadas e partidas se misturam e confundem o coração. É nesta hora em que me pego alimentando sonhos de cotidianos estreitos, previsíveis.

Mas quando me enxergo na perspectiva de selar o passaporte e cancelar as saídas, eis que me aproximo de uma tristeza infértil.

Melhor mesmo é continuar na esperança confluências futuras. Viver para sorver os novos rios que virão. Eu sou inacabado. Preciso continuar.

Se a mim for concedido o direito de pausas repositoras, então já anuncio que eu continuo na vida. A trama de minha criatividade depende deste contraste, deste inacabado que há em mim. Um dia sou multidão; no outro sou solidão. Não quero ser multidão todo dia. Num dia experimento o frescor da amizade; no outro a febre que me faz querer ser só. Eu sou assim. Sem culpas.

sábado, 15 de agosto de 2009

É o coração que segue o dinheiro!

3 comentários

O dinheiro não vem com manual de instruções. Mas Jesus falou muita coisa para orientar quem deseja uma vida financeira saudável. A primeira coisa e mais importante de todas foi a definição de Jesus para dinheiro. Jesus chamou o dinheiro de Mamom: “Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e a Mamom” (Mateus 6.24; Lucas 16.13). Isso significa que para Jesus o dinheiro é um poder, muito parecido com uma divindade que exige adoração, submissão e lealdade, e determina como seus adoradores / escravos devem viver.

O senso comum utiliza o comentário do apóstolo Paulo para dizer que o dinheiro em si não é o problema, pois apenas “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males” (1Timóteo 6.10). Mas Jesus adverte que o dinheiro não é neutro, mas algo como um organismo vivo, com uma força sedutora quase irresistível, quase um demônio, na verdade, uma potestade: uma coisa que funciona como se fosse uma pessoa. Alguém sugeriu que “Mamom é dinheiro elevado à categoria de deus”, mas acredito que todo dinheiro é Mamom: um bicho que deve ser domado e controlado com as rédeas curtas da autoridade espiritual de Jesus.

Jesus ensina que o dinheiro é uma riqueza menor e falsa, própria de um sistema social injusto e opressivo, organizado contra os valores e interesses do reino de Deus que visa sempre a justiça e paz (Lucas 16.9-13). O dinheiro é, portanto, considerado por Jesus um dos maiores tropeços para a fidelidade a Deus e ao reino de Deus, já que “é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus” (Mateus 13.22; Lucas 12.13-21; 18.18-25), e por essa razão deve ser tratado com o cuidado de quem manuseia nitroglicerina: qualquer movimento em falso a coisa explode na cara.

Jesus recomenda enfaticamente que você se esforce para domar o dinheiro antes que ele se torne o senhor do seu coração. As sugestões de Jesus são simples e desafiadoras. A primeira coisa a fazer é se livrar de todo e qualquer dinheiro ganho desonestamente: restituir a quem de direito ou doar aos pobres (Lucas 19.1-10). A segunda proposta de Jesus é praticar generosidade. O dinheiro funciona com a lógica da conquista e do mérito - “quem não tem competência não se estabelece”, e da dominação - “quem paga, manda”. A doação generosa - “fazer o bem sem ver a quem”, quebra o encanto desse tirano chamado Mamom (Lucas 10.25-37). A terceira recomendação de Jesus é transportar o dinheiro da terra para o céu: transformar riquezas efêmeras em riquezas eternas, que em termos práticos significa que pessoas, caráter, dignidade, justiça valem mais que coisas e dinheiro (Mateus 6.19-21; Lucas 16.9-12). Finalmente, Jesus recomenda que o dinheiro seja colocado em circulação para gerar riquezas coletivas: investir, fazer negócios, movimentar a ciranda das riquezas para beneficiar o maior número possí­vel de pessoas (Mateus 25.14-30; Lucas 16.19-31; 19.11-27).

Tudo quanto Jesus falou a respeito de dinheiro deriva de sua compreensão básica - que para variar contraria absolutamente o senso comum (Mateus 6.19-34). Jesus acredita que não é o dinheiro que segue o coração, é o coração que segue o dinheiro. Isto é, se você vive para multiplicar dinheiro, seu coração vai tomando a forma de cifrão, e aos poucos você vai ficando parecido com Mamom que se cobre de inveja, cobiça e ansiedade - pretensão de controlar o incontrolável. Mas se a sua preocupação é com o reino de Deus e a sua justiça, pode dormir o sono dos filhos do céu, sob os cuidados do Deus que veste as flores e cuida dos passarinhos.

(*) Título original: O MELHOR CONSULTOR FINANCEIRO.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Religião e alucinação.

2 comentários
Tenho muita pena dos crédulos. Chego a chorar por mulheres e homens ingênuos; os de semblante triste que lotam as magníficas catedrais, na espera de promessas que nunca se cumprirão. Estou consciente de que não teria sucesso se tentasse alertá-los da armadilha que caíram. A grande maioria inconscientemente repete a lógica sinistra do, “me engana que eu gosto”.

Se pudesse, eu diria a todos que não existe o mundo protegido dos sermões. Só no “País da Alice” é possível viver sem perigo de acidentes, sem possibilidade da frustração, sem contingência e sem risco.

Se pudesse, eu diria que não é verdade que “tudo vai dar certo”. Para muitos (cristãos, inclusive) a vida não “deu certo”. Alguns sucumbiram em campos de concentração, outros nunca saíram da miséria. Mulheres viram seus maridos agonizarem sob tortura. Pais sofreram em cemitérios com a partida prematura dos filhos. Se pudesse, advertiria os simples de que vários filhos de Deus morreram sem nunca ver a promessa se cumprir.

(...)

Se pudesse, eu pediria as pessoas que tentassem viver uma espiritualidade menos alucinatória e mais “pé no chão”. Diria: não adianta querer dourar o mundo com desejos utópicos. Assim como o etíope não muda a cor da pele, não se altera a realidade fechando os olhos e aguardando um paraíso de delícias.

Estou consciente de que não serei ouvido pela grande maioria. Resta-me continuar escrevendo, falando... Pode ser que uns poucos prestem atenção.

Soli Deo Gloria.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Todos os caminhos levam a Deus?

3 comentários

A afirmação a seguir é quase uma unanimidade em círculos sociais: “Política, futebol e religião não se discute”. Vamos nos ater apenas a questão da religião. Baseado na falsa premissa de que não devemos debater sobre assuntos religiosos, aqueles que levantam essa bandeira bradam, na mesma voz, que todos os caminhos levam a Deus (ou ao paraíso, ou à salvação). Será?

Ao analisar as crenças de alguns grupos religiosos, principalmente quando observamos o que estes grupos afirmam sobre questões básicas da fé cristã, no que diz respeito a quem é Deus, Jesus Cristo, Espírito Santo, o homem, a Bíblia, a igreja, a salvação e o pecado, podemos constatar que não existe concordância, que não se fala a mesma língua. Vejamos, de modo bem resumido, três exemplos de credos muito distintos:

Mormonismo (Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias): Deus é um homem evoluído; Jesus é irmão de Lúcifer; o homem poderá evoluir até se tornar um deus; o “Livro de Mórmon”, “Pérola de Grande Valor” e “Doutrinas e Convênios” compõem um complemento da Bíblia e são a base doutrinária do Mormonismo; a salvação só poder ser encontrada no Mormonismo.

Budismo: Nega que Deus (ou deuses – já que não enxerga Deus como o Cristianismo bíblico) possa interagir com o homem, ou seja, é uma divindade impessoal, chegando ao ponto de negar a existência de um ser divino; a realidade não passa de uma grande ilusão; a vida do homem é apenas sofrimento, ou seja, viver é sofrer; “salvação” é tão somente se libertar dos ciclos de reencarnação (ao atingir o Nirvana).

Kardecismo (Espiritismo de Mesa Branca / Espiritismo Científico): Jesus foi um espírito puro, um médium. O Espírito Santo (o Consolador prometido por Jesus em João 16.7) é a própria doutrina codificada por Allan Kardec, ou seja, o Espiritismo é o Consolador; fora da caridade não há salvação (evolução, fim das reencarnações, estágio de pureza de espírito); a Bíblia não é a Palavra de Deus e a reencarnação é o meio pelo qual Deus aplica Sua justiça.

A lista é muito longa. Poderíamos falar muito sobre a diversidade de credos, mas os exemplos acima atestam que não há concordância geral com relação aos credos. Como pode então existir aqueles que defendem que todos os caminhos levam a Deus?

Pluralismo Religioso

Pluralismo Religioso é diferente de diversidade ou variedade religiosa. Diversidade/variedade é o fato de que existe uma gama imensa de credos, que até certo ponto produzem benefícios aos indivíduos e à sociedade, e isso é um fato inegável. Ao falar em Pluralismo Religioso designamos a filosofia que afirma que todas as religiões são iguais, boas, com os mesmos fins e que na essência possuem o mesmo sistema de crenças, levando por consequência ao mesmo fim. Mas atenção! Não estou dizendo que mórmons, budistas e kardecistas são pluralistas. A pessoa que aceita o pluralismo religioso não é necessariamente praticante de uma religião, mas sim de uma filosofia religiosa.

Para que possamos entender melhor o conceito do pluralismo religioso, precisamos distinguir alguns termos relacionados a tal estudo:

* O Pluralismo Religioso é a crença de que toda religião é verdadeira. Cada uma proporciona um encontro genuíno com o Supremo. Uma pode ser melhor que a outra, mas todas são adequadas.

* O Relativismo afirma que não há critérios pelos quais se possa saber qual religião é verdadeira ou melhor. Não há verdade objetiva na religião, e cada religião é verdadeira para quem acredita nela.

* O Inclusivismo afirma que uma religião é explicitamente verdadeira, enquanto todas as outras são implicitamente verdadeiras.

* O Exclusivismo é a crença de que apenas uma religião é verdadeira, e as outras que se opõem a ela são falsas.

Concordo em todos os sentidos com David K. Clark que define o mundo das religiões como um verdadeiro supermercado onde superabundam produtos atraentes. Neste mercado as pessoas têm consumido aquilo que lhes aprazem, sem se dar o trabalho de entender que não é possível que todos os credos de A a Z (ou do Agnosticismo ao Zen) possam levar ao mesmo fim. Respeitamos sim a variedade religiosa bem como a liberdade religiosa, respeitamos as crenças das pessoas, mas respeito e concordância não significam a mesma coisa. Desta forma, discordamos totalmente da cosmovisão pluralista.

Aqueles que defendem a filosofia do Pluralismo Religioso acham que qualquer produto do mercado da fé pode atender às necessidades humanas, por isso tudo é bom e de valor. A questão da utilidade destes produtos vem à tona. Não há uma busca e um exame pelo verdadeiro, mas sim pelo útil. Por exemplo, uma pessoa que possua sua própria religião (um budista, por exemplo), se dirige ao Kardecismo para buscar a comunicação com entes queridos já falecidos. Este simpatizante do Karcecismo abraça-o buscando tão somente a utilidade que o Kardecismo apregoa, mesmo sendo budista.

Logo, os pluralistas religiosos são caçadores de benefícios, e não se importam se os benefícios que buscam se tornem como vendas em seus olhos.
Na contramão desta filosofia está o Exclusivismo Religioso. O Cristianismo é exclusivista. Por maior que seja o grito dos pluralistas, Jesus Cristo, o Filho de Deus disse que é o caminho, a verdade e a vida (João 14.6).

Nosso objetivo como propagadores do Evangelho é levar ao mundo perdido o Salvador, Jesus! Por isso e para isso estamos dispostos a remover a venda que está nos olhos dos pluralistas, fazendo esta obra de apologética não com ódio, mas sim com o amor Daquele que nos amou primeiro.

Toda honra e glória ao Senhor.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A Oração.

4 comentários
Sempre queremos chegar a Deus de forma grandiosa, honrosa, achamos que de alguma forma nossos gestos de clamor geram em Deus um sentimento de piedade tão grande que quase sempre temos a certeza de que receberemos o perdão mendigado ou a benção imposta.

... E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa. ... Mateus 6:5

Eu particularmente não consigo nem sequer um diálogo com Deus, horas porque acho que não sou digno, horas porque sinto-me bem e não preciso de nada, mas quando não há orgulho que resista ou dor que não possa ser curada, encontro o lugar secreto da oração.

... Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está em secreto. Então seu Pai, que vê em secreto, o recompensará. ... Mateus 6:6

Muitas vezes deparo-me em lugares bem estranhos para uma oração digna de Deus. Na maioria destas vezes estou conectado a um podcast ou música. Na época dos estudos lá estava eu orando no ônibus. Vez ou outra no Metrô em meio a empurrões. Atualmente, indo ao trabalho; já orei ao Senhor por diversas vezes; na lotação (quem nunca pediu a Deus que parasse o relógio para não se atrasar? rsrs).
No caminho, no instante em que der na telha, recolho as palavras para dentro do meu coração.

... E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos. Não sejam iguais a eles, porque o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem. ... Mateus 6:7 e 8

Senhor, nunca deixe-me esquecer da ORAÇÃO!

"Vocês, orem assim: "Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia. Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores. E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal porque teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém." Mateus 6:9 a 13

sábado, 8 de agosto de 2009

A grande ruptura.

0 comentários

“Deus não habita em templos feitos por mãos de homens”. Estas palavras de Estevão, o primeiro mártir cristão, explicita a grande ruptura entre Moisés e Jesus Cristo.

Moisés representa o Pacto feito entre Yahweh e o povo hebreu, baseado na Torah. Jesus Cristo é o Filho Unigênito de Yahweh, a exata expressão de Yahweh, não somente aquele em quem habita a plenitude de Yahweh, mas também a revelação final e definitiva de Yahweh, que, tendo falado muitas vezes e de muitas maneiras, desde Moisés e os profetas, hoje nos fala por ele, Jesus Cristo, o único a quem devemos ouvir.

Por trás do primeiro Pacto, em Moisés, está o propósito de Yahweh, revelado no chamado de Abraão: abençoar todas as famílias da Terra. Para cumprir seu propósito, Yahweh chama um homem e dele suscita uma nação. Concede a esta nação a Torah, expressão de vontade em dimensões religiosa, ética e política. Por meio da estrutura religiosa que orienta o povo hebreu, vai revelando a si mesmo: a Lei cerimonial, o ministério sacerdotal, o cordeiro pascal, o sábado, o Tabernáculo, a figura do Rei e, principalmente, o Templo.

Idealizado por Davi e construído por Salomão, o Templo concentrava toda a estrutura religiosa de Israel. Dividido em três partes: o átrio, o lugar santo e o lugar santíssimo, ou “santo dos santos”. O Templo, e mais especificamente o “santo dos santos”, que recebia a visita apenas do sumo sacerdote e somente uma vez por ano, figurava a separação entre Deus e os homens: a glória de Deus era inacessível aos pecadores, que, representados pelo sumo sacerdote, ofereciam sacrifícios para perdão e bênção.

Estevão é acusado de perverter Moisés, a Lei e o Templo. De acordo com a lógica da tradição religiosa judaica, acusações legítimas. Não somente Estevão, mas também todos os apóstolos, estavam ensinando que Deus havia celebrado um novo Pacto: não mais em Moisés, mas em Jesus Cristo; não mais no sangue dos animais sacrificados, mas no sangue de Jesus Cristo, que nos purifica de todo pecado; não mais na Lei, mas na graça; não mais centralizado no Templo de Jerusalém, erigido sobre o Monte Sião, mas num templo de pedras vivas, construído nos três dias que delimitam a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. De fato, a mensagem dos seguidores de Jesus Cristo, e Estevão era um deles, tornava obsoleta a estrutura Moisés-Lei-Templo.

Mas, na verdade, a mensagem de Estevão era a perfeita consumação do propósito de Deus, estabelecido desde antes da fundação do mundo. Do particular para o universal: de um povo, o hebreu, para todas as famílias da terra; dos animais sacrificados para sua própria vida, doada em seu Filho; da Lei para o seu Espírito Santo derramado sobre toda a carne; do Templo para todo o universo, até que todos soubessem de fato o que os poetas gregos apenas intuíam: em Deus “vivemos, nos movemos e existimos”.

“Deus não habita em Templos feitos pelas mãos dos homens” significa, na verdade, que Deus não habita em nada feito pelas mãos dos homens. Os homens e as obras de suas mãos é que se sustentam em Deus. O movimento deflagrado por Jesus na Galiléia, ano 30, foi, de fato, uma grande ruptura, não apenas com a tradição do judaísmo hebreu, mas com todas as maneiras como, ao longo da história, os homens intuíram Deus e como com Ele se relacionar. O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo é singular.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A inveja.

2 comentários

A inveja é a tristeza com o bem do outro. Nasce quando a excelência alheia é compreendida como diminuição do seu próprio valor. A inveja foi classificada como um dos pecados capitais pela igreja ainda no século IV, mas já constava na narrativa do Gênesis. Motivou o primeiro assassinato: Caim matou Abel porque não tolerou que o favor divino repousasse sobre a oferenda do irmão. Consta nas tábuas dos dez mandamentos que não se deve cobiçar nada do próximo.

A inveja tornou-se motriz de várias tramas literárias. Ninguém a retratou melhor do que William Shakespeare; e Otelo se destaca porque Shakespeare soube descrever como ninguém, os mecanismos que incitam ódio e ciúme a partir da inveja.

Otelo é um general reconhecido por triunfar nas batalhas terrestres e marítimas. Ao assumir a posição de chefe de Estado em Chipre, nomeia Cássio como seu braço direito. Mas suscita a inveja de Iago, que passa a conspirar contra ele. As desavenças que nascem daí e que caracterizam as tragédias shakespeareanas são horrorosas.

Iago destila uma suspeita mortal em Otelo, que o faz acreditar que sua esposa Desdêmona o trai com o tenente Cássio. O conflito entre o amor que o general nutre pela mulher e a desconfiança incitada por Iago leva Otelo a despencar de sua posição de herói. Debilitado psicologicamente, mata a amada, sufocando-a com travesseiros. Declarado assassino, Otelo é destituído do posto de general e sentenciado à prisão. Sem saída, tira a própria vida com um punhal, diante dos representantes do governo veneziano.

José Ingenieros declara que “a inveja é uma adoração dos homens pelas sombras, do mérito pela mediocridade. É o rubor na face sonoramente esbofeteada pela glória alheia. É o grilhão que arrasta os fracassados. É a amargura que toma conta do paladar dos impotentes. É um venenoso humor que emana das feridas abertas pelo desengano da insignificância própria. Mesmo não querendo, padecem desse mal, cedo ou tarde, aqueles que vivem escravos da vaidade; desfilam pálidos de angústia, torvos, envergonhados de sua própria tristeza, sem suspeitar que seu ladrido envolve uma consagração inequívoca do mérito alheio. A inextinguível hostilidade dos néscios foi sempre o pedestal de um monumento”.

Santo Tomás de Aquino dizia que a inveja é pecado mortal (portanto, imperdoável), com inúmeras filhas: “murmuração, detração, ódio, exultação pela adversidade, aflição pela prosperidade”.

A inveja é pior do que o ódio. O ódio não se contem, e devido a sua fúria, sempre age. A inveja por sua vez, cala. Covarde, procura sombras; para semear suspeitas, precisa do cobertor da noite. O invejoso rasteja para não mostrar-se consciente de sua pequenez. Dentro de uma tumba mal iluminada, gera a dúvida. Contenta-se com a desconfiança. Ingeniero afirma que o invejoso “sem coragem para ser assassino, resigna-se a ser vil”.

Salieri não admite que Amadeus tenha tanto talento. Constata que Mozart é um pecador desprezível e debochado, mas melhor do que ele. Salieri o encara como adversário. Incapaz de celebrar o dom que possui, passa a negá-lo no outro. Os Mozarts da vida precisam ser destruídos, mas os Salieris não serão os algozes. Como vermes, esperam a morte para finalmente festejarem a derrocada de quem o atormentava.

Ingenieros diz que toda a psicologia da inveja está sintetizada em uma fábula, digna de incluir-se nos livros de literatura infantil.

“Um ventrudo sapo grasnava em seu pântano quando viu resplandecer no mais alto de uma pedra um vaga-lume. Pensou que nenhum ser teria direito de luzir qualidades que ele mesmo não possuiria jamais. Mortificado pela sua própria impotência, saltou em direção a ele e o encobriu com seu ventre gelado. O inocente vaga-lume ousou perguntar ao seu algoz: Por que me tapas? E o sapo, congestionado pela inveja, apenas conseguiu interrogá-lo: Por que brilhas?”.

Soli Deo Gloria.

A Bomba!

0 comentários
Não sabia! Na verdade nunca fui muito ligado a datas, ainda mais quando estão ligadas a tragédias na história.

O que sei é que em alguns momentos consigo reclamar da vida e quero sempre algo a mais.


É a vontade de ter e ser, é a ganância e a arrogância tomando conta de mim!


Estou tão ligado ao "EU" que as vezes faz bem tomar um balde de água fria.

Não sabia! Há 64 anos, no dia 06 de Agosto de 1945 ao final da Segunda Guerra Mundial, a cidade japonesa de Hiroshima foi covardemente bombardeada. Três dias mais tarde a mesma desgraça aconteceria em Nagasaki. Entre mortos e feridos foram mais de 330 mil pessoas.

A radioatividade emanada da explosão da bomba se espalhou provocando chuvas ácidas, contaminação do solo, lagos, rios. Pessoas, como o senhor da foto acima, tiveram seus corpos completamente queimados pelo calor da radiação.

Muitas imagens dos efeitos do cogumelo de fogo ficaram na lembrança de todos. Imagens como essa foto do garotinho chorando entre os destroços. Garotinho, que ironicamente é a tradução literal do nome da bomba que caiu sobre Hiroshima.

***

Informações retiradas daqui, daqui e daqui!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Não incomoda mais!

2 comentários
Hoje não abri meu player, não quis ouvir música nenhuma. Estou cansado, não de louvar, mas de pensar no louvor.

Prefiro louvar no silêncio do meu quarto e agradecer a Deus que com tanta misericórdia concede-me mais um dia de vida.

Hoje pensei em um amigo, engraçado que por mais que este não me considere mais tão amigo assim, eu ainda prezo muito por sua amizade.

Hoje refleti no que li em comentários de um post, onde em uma frenética busca por respostas certas quanto à decisão de abandonar a igreja, o que me chamou a atenção foi um comentário que dizia mais ou menos assim:

“... faça um pequeno teste, saia do sistema (igreja) e veja quantas pessoas continuarão vinculadas a você ...”

Refletindo, percebi que ao deixar a igreja é quase que infectar-se com algo terrível (pior que a gripe suína, embora muitos possam pensar que gripe e espírito nesse caso tenham o mesmo efeito e não me admira em nada se ouvir alguém traçar um paralelo sobre esses dois estados do porco! rsrs).

Hoje me dei conta de que construí amizades fictícias e não Amigos de verdade.

Mas é sempre bom lembrar... dos amigos, das risadas com os amigos, das piadas com os amigos, das conversas com os amigos. É sempre bom perceber que de alguma forma eu fui necessário na vida do outro, fui amigo; ainda que fictício; para o outro.

Hoje, meu orgulho não me envergonha mais.

Hoje, a saudade que sinto não incomoda mais.

Hoje, o amigo de longe ficou para trás.

Hoje, o que incomoda é não importar-me mais!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

É necessário...

2 comentários
Nesses últimos dias comecei a pensar naquilo que realmente faço para torna-me relevante no meio da sociedade, com meus familiares, no trabalho e etc. Pensei muito, e por incrível que pareça, não senti que faço algo de fato relevante.

Notei que fico na cola dos pastores famosos, das pessoas influentes, dos amigos importantes, olhando as twittadas, os blogs, os artigos. Percebi que na verdade meu desejo é espelhar-me neles, projetando minha vida nas sombras de suas obras literárias, poéticas, nas suas canções lindas e emocionantes

Notei que não tenho conhecimento suficiente para combater o "evangeliquês", mas também não me interessa entrar nessa batalha. O fato é que já cansei de ler tantos blogs influentes (alguns nem tanto, mas estão seguindo essa nova moda) tirarem uma casquinha da banalização gospel.

Percebi que não tenho "saco" para ficar na tela do computador estudando sobre as linhas teológicas de determinado assunto, não tenho pique para acompanhar um discurso longo a respeito desta ou daquela denominação, tenho até uma certa admiração por quem faz isso, e então vejo o quanto estou despreparado para defender minhas ideias.

Por muitos anos achei que de música evangélica cresceria o crente, então percebi que de nada valia, não passava de leite. Fiquei com muita raiva ao descobrir que minhas músicas prediletas não eram o maná de Deus.

Irrita-me lembrar que passei longos anos ao lado de pessoas crentes (agora influenciado pelo livro 'Feridos em nome de Deus'), mas crentes somente da boca para fora, irrita-me ainda mais ver que tornei-me igual a eles, hipócritas, mesquinhos e bajuladores dos fanfarrões da fé.

Dá-me um certo temor todas as vezes que a sós fico na frente de um computador, é uma armadilha do diabo mesmo, fico tentado a rever pessoas que não tenho mais contato, fico triste por agir assim.

Não consigo trabalhar com a ideia de que TODOS merecem o céu, o sacrifício de Jesus e o amor de Deus. Então percebo que o amor de Deus me constrange, que sou tão egoísta e que me apego a detalhes (quem não se apega?). Fico imaginando encontrar no céu aquela pessoa que eu não quero ver nem pintada de ouro na minha frente... é cómico e trágico.

A propósito, muitas vezes não sei nem o porquê mantenho esse blog, mas isso não me fará deixar de tê-lo, de postar o que quero e de usá-lo como um amigo intimo.

Desabafar* de vez em quando é necessário.

(*) vez ou outra, deixarei alguns desabafos, por gentileza, não estranhem!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...