PavaBlog

domingo, 20 de setembro de 2009

Deus é inocente.

0 comentários

"Se o céu existe, Deus tem muito que explicar". Essa afirmação do Robert De Niro faz eco em meu coração. Também experimento o incômodo de deixar Deus sub judice diante do sofrimento humano. Não me conformo diante das injustiças da vida. O argumento de que todos somos maus e em última análise ninguém mereceria ser poupado do mal não me satisfaz. Sou daqueles que acreditam que coisas ruins acontecem às pessoas boas e acalentam silenciosos uma certa contrariedade quando coisas boas acontecem às pessoas ruins. Acredito, sim, que no mundo existe gente boa e gente ruim. E também acredito que a maioria das pessoas não merece a tragédia que sofre. O casal que perde o filho recém nascido, o adolescente que fica tetraplégico após um displicente mergulho na piscina do clube, a mulher que se vê mutilada pelo câncer, o pai de família que percorre as ruas na indignidade do desemprego e que, por vergonha ou por caráter - as duas coisas, não sabe nem mesmo esmolar, são situações cotidianas que me fazem dormir mal sob o peso do veredicto: Deus tem mesmo muito que explicar.

Mas trago no coração duas outras certezas que me apaziguam a alma, me dão coragem para viver e me animam à solidariedade, ainda que tímida e não poucas vezes insuficiente. O céu existe. Não sei como é. Não sei onde fica. Não sei quando acontece. Mas que existe, existe. Este mundo não é a realidade definitiva. O presente estado das coisas não é a versão final da obra de Deus. Uma coisa é o mundo em que vivemos. Outra, o mundo em que viveremos eternamente. E a respeito das coisas que acontecem neste mundo e não deveriam acontecer, e que não acontecerão no mundo vindouro, Deus já se explicou. Deus se pronunciou em alto e bom som, há mais de dois mil anos, na cruz do Calvário, onde foi morto Jesus de Nazaré, o Cristo, unigênito de Deus.

A tradição cristã afirma que "Deus prova seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores". Quem duvida do amor de Deus deve olhar para o Calvário. No dia em que o sofrimento se agiganta e a visão do amor de Deus fica ofuscada pelas lágrimas da dor quase insuportável, a cruz do Calvário é o grito apaixonado de Deus. John Stott disse que na cruz de Cristo Deus justifica não apenas a humanidade, mas justifica a si mesmo. Na cruz de Cristo, Deus se levanta diante de todos os que o acusam de ser injusto, tirano, indiferente ao sofrimento e à dor humanas, e pronuncia a sentença de inocência sobre si mesmo. A cruz de Cristo é a prova irrefutável do amor de Deus.

Na cruz de Cristo há quatro afirmações que provam o amor e definem a inocência de Deus. Na cruz de Cristo Deus é declarado inocente porque se solidariza com as vítimas do mal e da malignidade. Através da morte de Jesus Cristo, seu Filho, Deus afirma "O mal também me feriu", "O sofrimento chegou também à minha casa", "As lágrimas pelo padecimento injusto também rolam dos meus olhos", "Eu e as vítimas do mal e da malignidade somos um".

Aqueles que imaginam que o Deus que "habita em luz inacessível" vive confortavelmente no ar condicionado do céu, enquanto suas criaturas penam contra o diabo na terra do sol, estão absolutamente enganados. Deus tem a cara suja pelas lágrimas que borram seu rosto sofrido com a dor de cada um dos seus filhos por adoção e do seu unigênito. Na cruz de Cristo Deus sofre conosco. Sofre por nós. Sofre em nosso lugar. Deus sabe o que é padecer. Seu Filho é homem de dores. Ovelha muda entre seus sanguinários tosquiadores. Na cruz de Cristo Deus atravessou não apenas o vale da sombra da morte. Atravessou a própria morte.

Na cruz de Cristo Deus é declarado inocente porque não é contato entre os promotores do mal, mas entre os que sofrem os danos da malignidade. Na cruz de Cristo Deus afirma "Não olhem para mim como se eu ordenasse o mal", "Quando estiver sofrendo, não me conte entre os que lhe causam a dor", "Na cruz, eu não batia pregos na mão de ninguém. Na cruz, a mão sob os pregos ferozes era a minha". Quase posso escutar Deus dizendo à mãe que chora a filha atropelada: "Não me tome como quem passou por cima, eu estava em baixo, sendo esmagado sob o peso da borracha negra que me dilacerava a carne e a alma".

Na cruz de Cristo Deus sofre o mal. Na cruz de Cristo Deus é exposto como vítima da malignidade e não como algoz que causa dor e sofrimento. Na cruz de Cristo os verdadeiros promotores da morte são publicamente desmascarados. Cai o pano. E todo mundo pode ver que Deus não está com mãos sujas de sangue inocente. Na cruz de Cristo Deus é a mão inocente que sangra.

Na cruz de Cristo Deus é declarado inocente porque fica evidente que a causa do sofrimento é o pecado da raça humana. Os pecadores estão pensos nas cruzes laterais, mas a cruz do meio sustém um inocente. Na cruz de Cristo Deus afirma: "Vocês deflagraram o mal", "Vocês abriram a caixa de Pandora", "Vocês soltaram a besta fera", "Vocês macularam o Paraíso". O aviso ainda ecoa pelo universo: "No dia em que pecar, certamente morrerás". A presença da morte é evidência de pecado. E o pecado é responsabilidade da raça. A cruz de Cristo somente se explica porque o pecado que a faz necessária. Naquele dia em que Deus provava seu amor para conosco éramos de fato ainda pecadores.

Na cruz de Cristo Deus é declarado inocente porque é o que morre, e não o que mata. Na cruz de Cristo pende o justo morrendo a morte dos injustos. O veredicto está lançado: há pecado, pois que haja morte. O salário do pecado é a morte, disse o apóstolo. A justiça do Deus três vezes santo há que ser satisfeita. Deus está diante de seu dilema eterno: matar ou morrer. E sua opção é definitiva, desde antes da criação do mundo: morrer. Na cruz de Cristo Deus faz sua escolha e anuncia sua disposição de amor absoluto: se alguém tem que morrer para que a justiça volte a brilhar no universo maculado pela culpa da raça humana, que viva a raça e que morra eu-Eu.

O primeiro dos dilemas é criar ou não criar. O segundo é criar com liberdade ou sem liberdade. O terceiro é assumir o ônus da liberdade ou deixar este ônus nas mãos da criatura. Deus faz as escolhas que o machucam, que lhe causam dor, que o fazem sofrer, que o diminuem. Simone Weil diz que "Deus e todas as suas criaturas é menos do que Deus sozinho". Deus escolhe criar. Escolhe criar um ser livre, pois não fosse livre não seria à imagem do Criador. E escolhe arcar com ônus da liberdade que concede à sua criatura. Na cruz de Cristo está Deus, dando ao rebelde o direito de existir. Na cruz de Cristo está Deus entregando a sua vida, voluntariamente, em favor dos pecadores. O mal deflagrado pela raça levanta sua sombra sobre o trono de Deus. E Deus se levanta como um Cordeiro que se doa, pois escolhera morrer, em detrimento de matar. Na cruz de Cristo está o Deus que morre para que todos tenham vida, vida completa, abundante vida.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Fake conhecido!

1 comentários
Estou enrolando para escrever esse post a semanas, mais precisamente no dia em que ouvi os podcasts BBB - Qual o seu valor? e FAKE - O Diabo Veste Prada, ambos do JVnaEstrada. Enquanto ouvia, minha cabeça fervia revirando a memória, até encontrar você, meu querido 'fake conhecido'!

Desde aquele fatídico aparecimento na rede até hoje não entendi muito bem o que motiva a sua vida, o seu 'levantar da cama' de todos os dias. É verdade que para um fake como você devemos tirar o chapéu, pois imaginem só que alguém com tantos afazeres prestou-se ao trabalho de apresentar-se assim, 'Alguém que Você conhece.'

Não, não te conheço, a verdade é que nunca o conheci de fato. Lembro-me de muitas conversas, muitos passeios e muitas risadas, teve também momentos emocionantes e tudo isso compartilhamos juntos. Então, o teto de vidro da nossa amizade (Hoje pergunto, qual?) foi atingido por pedras lançadas pelo seu orgulho e por minha indiferença, a partir daí veio o silêncio...

Mas depois de um longo período em silêncio quero lhe falar, à você e à todos: Fake conhecido só é pior quando também denomina-se crente, e bota crente nisso, pois precisa ter fé suficiente (quem sabe dois grãos de mostarda) em si mesmo para acreditar que consegue enganar todas as pessoas ao seu redor.

Não vou dar-te o Ibope desejado, mas usarei isso como uma lição, porque percebi que muitas pessoas vivem realmente em um mundo só seu, onde só entra quem é convidado e quando é conveniente, do contrário é 'carta fora do baralho'. Para muitas pessoas que o conhecem, do mundo de faz-de-conta, nada mudou e mesmo que elas te enxerguem com outros olhos, mais aguçados talvez, um fake nunca perde a maestria, porém, sobrou a mim o aprendizado de que não se deve entrar no mundo das pessoas sem ser convidado, ainda que a vida dela seja atraente e comovente ao mesmo tempo, ainda que só de olhar saibamos o que está acontecendo.

Alguém que se dá ao trabalho de manter uma página de relacionamentos como se fosse um boneco Vodu de tantas alfinetas que aparecem nos textos 'floridos' e 'cheios de deus', que mantém uma mentira virtual para se livrar da verdade carnal, que pensa (trama) minuciosamente em tudo, pois tem um coração gelado, esse alguém precisa encontrar de fato, o cara que pode mudar tudo isso, um tal de J.C., pois esse alguém ainda só O conhece de ouvir falar!

***

Galera do JVnaEstrada, show de bola os podcasts!

É fácil ser pastor...

1 comentários

Quando a ignorância na Igreja não é vista como um inimigo a ser vencido, mas um importante aliado, copiando descaradamente o modelo governamental secular.

Quando se confunde a Igreja com propriedade particular, e aí cumpre-se o dito ambíguo que diz que o problema de alguns pastores é “que eles fazem na vida pública o que fariam na privada!”.

Quando encher os bancos (da Igreja) a qualquer custo é a meta, e encher os outros bancos é o objetivo.

Quando pregar é uma diversão e nunca uma responsabilidade, e aí se usa as oportunidades para entreter e divertir e nunca para ensinar e conscientizar.

Quando as agendas cheias transformam tarefas, como aconselhar, em uma "prática" (e terrível!) declamação da sabedoria duvidosa dos gurus da auto-ajuda.

Quando ouvir o aflito e angustiado está fora de cogitação. É mais fácil dizer: "reunam todos os quebrados aqui na frente que farei um clamor por atacado", e tudo resolvido...

Quando o referencial de gente bem sucedida é a classe política, os charlatões e os estelionatários da fé.

Quando estar acima da crítica é mais importante do que estar do lado da verdade.

Quando a relação com os demais obreiros é a de chefe e empregados, e nunca de companheiros na mesma luta.

Quando se busca a própria glória, o tapinha nas costas, a bajulação.

Quando não existe o menor esforço para ver Cristo formado nos irmãos.

Quando a única reforma que se conhece é de tijolo e cimento, e nunca do pensamento e da vida.

Quando o púlpito é o lugar mais escancarado da Igreja, que precisa ser ocupado por quem tem habilidade com manipulação das massas; e os métodos e as técnicas são mais apreciados do que conteúdo bíblico e teológico.

Quando os interesses e prioridades não são os de Cristo e do Reino, mas da cúpula e do império.

Enfim, é fácil ser pastor, quando se atropela a orientação da Palavra de Deus. Sim, é tudo muito fácil, "extremamente fácil", mas exige uma coragem imensa porque um dia se prestará contas ao Sumo-Pastor!

"A ordem de Jesus à Pedro foi 'apascenta as minhas ovelhas', não foi faça experiências com minhas cobaias, e nem ensine novos truques aos meus cães" C.S.Lewis

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Você é "Louco"! E "EU" com isso?!

5 comentários
Tem um tempo para mim? Leia por favor!

Estou realmente acabado. É uma sensação de desgaste total. Isso só aconteceu porque entre tantas tarefas no trabalho ainda tenho que ouvir algumas pessoas e 'entendê-las', mas afinal, quem é que vai entender-me?

Quem deixará os ouvidos à postos para meia hora de desabafo meu?

Lidar com o ser humano é algo extremamente difícil. Vejam só vocês, durante esses últimos três meses precisei conviver com uma pessoa de bom coração, de boa fala, de boa família, diria até... acima de qualquer suspeita, mas ao longo desses meses e, em meio a tantas conversas e o próprio trabalho, descobri que estava lidando com um louco! É verdade, esse post não é uma brincadeira...

Entendam, não estou criticando a pessoa, ou estou? Se estou, não é a intenção.

Responde aí... você já trabalhou com alguém assim, com síndrome do pânico, com mania de perseguição ou com temperamento bipolar? Agora imagine uma pessoa com esses três problemas? Imaginou?

Bom galera... só queria compartilhar com vocês esse meu momento de total desgaste psicológico, alguém manda um help?

Como lidar com alguém assim?

Os girassóis e nós.

0 comentários

Eles são submissos. Mas não há sofrimento nesta submissão. A sabedoria vegetal os conduz a uma forma de seguimento surpreendente. Fidelidade incondicional que os determina no mundo, mas sem escravizá-los.

A lógica é simples. Não há conflito naquele que está no lugar certo, fazendo o que deveria. É regra da vida que não passa pela força do argumento, nem tampouco no aprendizado dos livros. É força natural que conduz o caule, ordenando e determinando que a rosa realize o giro, toda vez que mudar a direção do Regente.

Estão mergulhados numa forma de saber milenar, regra que a criação fez questão de deixar na memória da espécie. Eles não podem sobreviver sem a força que os ilumina. Por isso, estão entregues aos intermitentes e místicos movimentos de procura. Eles giram e querem o sol. Eles são girassóis.

Deles me aproximo. Penso no meu destino de ser humano. Penso no quanto eu também sou necessitado de voltar-me para uma força regente, absoluta, determinante. Preciso de Deus. Se para Ele não me volto corro o risco de me desprender de minha possibilidade de ser feliz. É Nele que meu sentido está todo contido. Ele resguarda o infinito de tudo o que ainda posso ser. Descubro maravilhado. Mas no finito que me envolve posso descobrir o desafio de antecipar no tempo, o que Nele já está realizado.

Então intuo. Deus me dá aos poucos, em partes, dia a dia, em fragmentos.

Eu Dele me recebo, assim como o girassol se recebe do sol, porque não pode sobreviver sem sua luz. A flor condensa, ainda que de forma limitada, porque é criatura, o todo de sua natureza que o sol potencializa.

O mesmo é comigo. O mesmo é com você. Deus é nosso sol, e nós não poderíamos chegar a ser quem somos, em essência, se Nele não colocarmos a direção dos nossos olhos.

Cada vez que o nosso olhar se desvia de sua regência, incorremos no risco de fazer ser o nosso sol, o que na verdade não passa de luz artificial.

Substituição desastrosa que chamamos de idolatria. Uma força humana colocada no lugar de Deus.

A vida é o lugar da Revelação divina. É na força da história que descobrimos os rastros do Sagrado. Não há nenhum problema em descobrir nas realidades humanas algumas escadarias que possam nos ajudar a chegar ao céu. Mas não podemos pensar que a escadaria é o lugar definitivo de nossa busca. Parar os nossos olhos no humano que nos fala sobre Deus é o mesmo que distribuir fragmentos de pólvora pelos cômodos de nossa morada. Um risco que não podemos correr.

Tudo o que é humano é frágil, temporário, limitado. Não é ele que pode nos salvar. Ele é apenas um condutor. É depois dele que podemos encontrar o que verdadeiramente importa. Ele, o fundamento de tudo o que nos faz ser o que somos. Ele, o Criador de toda realidade. Deus trino, onipotente, fonte de toda luz.

Sejamos como os girassóis...

Uma coisa é certa. Nós estamos todos num mesmo campo. Há em cada um de nós uma essência que nos orienta para o verdadeiro lugar que precisamos chegar, mas nem sempre realizamos o movimento da procura pela luz.

Sejamos afeitos a este movimento místico, natural. Não prenda os seus olhos no oposto de sua felicidade. Não queira o engano dos artifícios que insistem em distrair a nossa percepção. Não podemos substituir o essencial pelo acidental. É a nossa realização que está em jogo.

Girassol só pode ser feliz se para o Sol estiver orientado. É por isso que eles não perdem tempo com as sombras.

Eles já sabem, mas nós precisamos aprender.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Em quem posso tocar?

0 comentários
Por Renata Éboli - Blog da Equipe

Aqui na Portas Abertas todos os dias recebemos pedidos de oração. Alguns muito semelhantes entre si. O que é completamente compreensível, pois as causas da dor humana são, em sua maioria, universais. Esses pedidos são encaminhados por irmãos brasileiros, de outros países livres e de irmãos que vivem em contexto de perseguição.

É um grande privilégio partilhar nossas necessidades com irmãos em todo o mundo. Mas, em nosso trabalho cotidiano nos vemos diante de vários desafios. Um deles, no entanto, me levou a escrever. Trata-se do risco que corremos em nos habituar com o sofrimento. A naturalização das ocorrências de intolerância, oposição e perseguição aos nossos irmãos podem nos cauterizar, nos deixando insensíveis. Mesmo que racionalmente saibamos a profundidade e a dor que eles sentem, esse fato pode se tornar corriqueiro demais em nosso dia-a-dia. E esse perigo se estende a todas as situações que nos rodeiam e que deveriam nos tocar.

Há alguns dias recebemos, aqui no escritório, um pedido de oração vindo de uma das bases da Portas Abertas na Europa. O responsável por essa base encaminhou um sofrido pedido de oração pela esposa. O relato dava conta de que em três meses de dor intensa ela havia ficado sem dor por breves 30 minutos. E revelava que saber que estávamos intercedendo por eles ajudava-os a passar por aquele momento.

Esse episódio me fez lembrar de um momento que, até hoje, é extremamente sofrido para mim. O período em que minha mãe adoeceu, sofrendo por longo três anos, e sua posterior morte, foi um dos momentos mais dolorosos da minha vida. A convivência com a perda de entes queridos chegou para mim muito cedo. Isso me fez encarar a perda ocasionada pela morte com certa abnegação. Com minha conversão, esse sentimento ficou ainda mais ameno. Mas, perder a mãe é um segundo parto, com uma nova ruptura com aquele conforto que gozamos por 9 meses, agora por anos. Esse é o meu relato de um momento de sofrimento, igual a muitos que vemos e ouvimos todos os dias. Com uma diferença crucial, é o meu, e por isso, dói de forma extraordinariamente diferente.

Mas, o que o pedido de oração vindo da base da Europa tem a ver com lembrança do sofrimento que vivi pela perda da minha mãe? Assim como nossas orações têm feito diferença na vida desse casal, fez para mim e para minha mãe. Se pensarmos racionalmente, aparentemente nada mudou. A esposa do nosso irmão europeu continuou sentindo dores, minha mãe permanecia acamada e com muitas dores, mas, algo fez, sim, grande diferença.

Lembro a felicidade da minha mãe ao receber a visita de um amigo da juventude, convertido há poucos anos. Ele e sua esposa estiveram com mamãe dois meses antes de ela falecer. Levaram oração, consolo, flores e alegria para a vida dela. Talvez eles não soubessem o tamanho do bem que estavam fazendo a ela, e o quanto ela foi surpreendida por essa demonstração de amor. As dores ainda estavam lá, a tristeza por ter sido amputada ainda estava lá, mas, aqueles dois orando por ela, dedicando uma tarde para visitá-la, aliviou a dor do corpo, do coração e trouxe consolo à alma. Eles ainda estiveram com ela no hospital, onde apesar de estar no CTI, se mantinha lúcida. Isso aconteceu há quase um ano, e até hoje sou consolada pelo gesto desses irmãos.

É assim que nossos irmãos perseguidos recebem nossos gestos de empatia, quando oramos, nos dedicamos e os amamos. O fruto da nossa atitude talvez não mude a realidade deles no campo físico e material, até pode acontecer, mas, certamente mudará de uma maneira metafísica, espiritual, anímica.

É vital para nossa caminhada cristã trazer à memória os parâmetros do Senhor Jesus para tratar a dor humana. No evangelho vemos um Deus que se importa, se envolve e se solidariza com os que sofrem e os identifica um a um: “Quem tocou em mim?” (Lc 8.45)

A oração torna nossos braços longos para abraçar os que sofrem. Ela alcança os que estão longe e perto. Mas, ela pode ser acompanhada de outros ingredientes como sorrisos, flores, abraços. Atitudes tão simples para nós quando nos dispomos, e tão grandiosa para quem as recebe. Basta acordarmos todos os dias com um desafio em mente: – Em quem posso tocar hoje?

Minha oração é para que esse texto, de alguma forma, toque em você.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

O silêncio da morte.

0 comentários
A morte nos trás momentos dignos de reflexão. Nos deixa sem chão, e nos coloca na contra-mão de tudo ao nosso redor.

Enquanto muitos estavam comemorando a vitória do Brasil em cima da Argentina, outros recebiam a notícia mais temida. Por volta das 21h00 do dia 05/09 faleceu alguém muito especial, um tio discreto e de bem com a vida, Seu Lindolfo.

Tudo foi tão rápido... depois de meses lutando contra um câncer. Enfim a cirurgia, mas após alguns dias precisou ir para a U.T.I., e por problemas ocasionados por falta de proteínas no sangue, não resistiu (embora tenha lutado bravamente).

Por mais que tivéssemos esperança, nada pode ser feito... ele se foi.

A angústia toma conta de todos, a madrugada de sábado para domingo tem um gosto amargo, o sono não vem, o telefone não toca. As 2h00 da madrugada de domingo a notícia do velório e enterro e em menos de oito horas deixaríamos um corpo irreconhecível ser enterrado.

Por alguns instantes quero esquecer as imagens do velório e do enterro, prefiro lembrar-me de alguém que viveu muito (70 anos é muito tempo), foi um exemplo de Marido, Pai, Avô. Um senhor simples, risonho, cheio de graça. Fanático por futebol, corinthiano roxo (isso era péssimo... rsrs), não perdia um jogo na telinha com seu radinho de pilha ao pé do ouvido. Na reuniões da igreja em sua casa sempre estava no cantinho ouvindo tudo atentamente, gostava de ouvir os hinos da igreja. Lembro-me de um em especial:

Sossegai (Hinos e Cânticos 446)

Ó Mestre, o mar se revolta, as ondas nos dão pavor! O céu se reveste de trevas, não temos um salvador! Não se Te dá que morramos? Podes assim dormir, se a cada momento nos vemos, sim prestes a submergir?

CORO:
"As ondas atendem ao Meu mandar: Sossegai!
Seja o encapelado mar, a ira dos homens, o génio do mal,
tais águas não podem a nau tragar, que leva o Senhor, Rei do céu e mar.
Pois todos ouvem o Meu mandar: Sossegai! Sossegai!
Convosco estou para vos salvar; Sim, sossegai!"

Mestre, na minha tristeza estou quase a sucumbir. A dor que perturba minh'alma, eu peço-Te, vem banir! De ondas do mal que me encobrem, quem me fará sair? Pereço sem Ti, ó meu Mestre! Vem logo, vem me acudir!

Mestre, chegou a bonança, em paz eis o céu e o mar! O meu coração goza calma que não poderá findar. Fica comigo, ó meu Mestre, dono da terra e céu, E assim chegarei bem seguro ao porto, destino meu.

***

Quero encontrá-lo, quando eu chegar ao céus!

sábado, 5 de setembro de 2009

O sonho que abriu meus olhos.

2 comentários

... Tudo não passara de um sonho que tive acordado. Deixei-me, por um instante, ficar cego para o mundo exterior, para que os olhos da minha alma pudessem ver e sondar as profundezas, até então, indevassáveis do meu ser.

No sonho, eu via duas células se juntando. Logo depois elas davam origem a um embrião, que por sua vez se transformava em feto. De repente, uma mulher me apareceu em dores de parto. Percebi após um momento de silêncio, um choro forte de um bebê. Ouvi vozes ao longe: “Nasceu o filho da virgem Maria”.

Num segundo, lá eu estava vendo cenas da curta infância do Filho do carpinteiro José. De repente, ele me apareceu aos doze anos, corpo franzino, desengonçado, tinha a cabeleira vasta e desalinhada. Ainda tão criança já estava cuidando das coisas de seu Pai: discutindo religião com os mestres no Templo. Vi-me mergulhado no pequeno mundo dessa tenra criança.

Emocionei-me ao vê-Lo aos trinta anos, começando um breve e marcante ministério. Pude ver cenas de verdadeiros milagres. Vi muitas pessoas humildes reunidas ao seu redor, ouvindo em silêncio as suas interessantes lições sobre um Reino muito diferente daqueles que os fariseus preconizavam. Vi também homens que o perseguiam, e, eram esses homens, justamente, os sucessores de Moisés, que tinham a função de zelar pela Lei. Pela maneira que esses homens se comportavam, dava para perceber que estavam fazendo ali um “conchavo” de natureza política. Deu para notar sobre quem falavam. “É melhor que Ele morra, para que não percamos os nossos cargos” , deu para ouvir claramente.

Via-O agora aos trinta e três anos de idade, diante de uma corte de juízes. Ouvi ecoar o brado do veredicto: “será condenado à morte de cruz” , pena máxima para o horrendo pecado de blasfémia.

Vi depois, um túmulo vazio. Vozes diziam: “ele não está mais aqui”.

Fui transportado para um outro plano. Tinha chegado ao topo de uma colina, com o coração batendo forte, lutando bravamente para impedir a fuga do tempo, que teimava em avançar na sua corrida implacável, deixando dias, semanas, meses e anos para trás.

A uma distância de poucos metros, estava agora diante de dois homens. A certeza veio num estalo: estava presenciando um encontro inusitado entre um Pai e seu Filho. Cheguei mais para perto deles, pisando em lã, para não fazer barulho e não atrapalhar o significativo diálogo entre eles. Pena, que tenha perdido o começo da história que o Filho contava para o Pai, de maneira entusiástica.

Agucei bem os meus ouvidos para escutar a maravilhosa prestação de contas entre o Filho e seu querido Pai. Sentei-me de costas para uma escarpa, cuidadosamente, para não romper com o encanto daquele esplêndido quadro.

No oculto de minha doce solidão, transformei-me num expectador privilegiado de um diálogo, que mais tarde, me abriria os olhos para uma evidência maravilhosa. O diálogo emblemático, assim transcorreu:

─ Corri o risco de nunca mais voltar ─ disse o Filho para o Pai de olhar circunspecto.

─ Não havia outra alternativa para resgatar os filhos da minha maior obra da criação ─ respondeu o Pai ao seu Filho, em tom resignado. ─ Já estava cansado de tantas guerras contra os inimigos do povo que escolhi com tanto amor. Abrão, Moisés, Jacó, Davi foram grandes líderes, mas falharam na hora “H”. Todos foram tentados em seus próprios desejos, e, em maior ou menor grau, sucumbiram às artimanhas da geração daquele que, apesar de ser o mais belo e formoso dos anjos da minha corte, rebelou-se e quis usurpar o meu trono, motivo pelo qual foi lançado nas profundezas caóticas da terra.

 Compreendemos que, o maior inimigo do homem não era o seu semelhante  afirmou o Pai para o seu Filho.  A maior guerra, na verdade, estava sendo travada dentro do próprio indivíduo, entre as forças do mal e a sua consciência regida pela moral e ética que os ditames da minha Lei requeriam. Tornar esse fato, consciente, foi a razão maior do pacto que fiz contigo  concluiu o Pai, pousando suavemente a sua mão direita sobre a cabeça do Filho.

─ Não foi fácil meu Pai  disse o Filho franzindo o cenho. ─ Instintos medonhos habitam o oceano tenebroso da alma humana. Mergulhei profundamente no abismo profundo desse mar, onde dormem monstros terríveis que não podem ser despertados. Que pude comprovar, senão que a carne é fraca? Todas as vicissitudes e desejos humanos moeram-me por dentro. Doei–me de corpo e alma para viver a tragicidade da condição humana. Por isso mesmo me dispus perante Ti, a ser advogado de todos que me aceitaram como teu Filho, para perdoá-los em suas fraquezas. Está escrito que o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Não poderia entendê-los se o meu relacionamento fosse dentro de uma relação “Senhor  escravo”. Eram escravos e eu os transformei em amigos, para que vissem em mim um irmão, e não um senhor. Fiz-me igual a eles para ganhar a sua confiança, afim de que pudessem crer em Ti, através de mim. Desejos atrozes quiseram me dominar. Angustiei-me muitas vezes. Indignei-me com os que fizeram da Tua casa um covil de ladrões. Fui surpreendido com a fé de alguns que não eram judeus. Comovi-me com os que sofreram a perda de parentes próximos. Chorei sobre Jerusalém. Amei e intercedi pelos saudosos discípulos que me deste, os quais, foram uma parte de mim na nobre missão que me confiaste.

Eu ouvia tudo isso com o coração contrito, mas algo na minha imaginação, não encontrava eco em minha própria consciência. Sabia de antemão que Deus por ninguém é tentado. Como compreender que Ele entregara o seu único filho para ser tentado pelo veneno dos desejos pervertidos da milícia de anjos caídos que tinham como poderoso chefão, o ex-anjo de Luz, e agora Rei das trevas?

Ao ouvir atentamente toda a conversa entre eles, a minha mente, que até então estava obscurecida, abrira-se para a compreensão de que Cristo tinha inaugurado uma nova aliança, com o ser humano sob a égide da fraternidade. Fizera nascer o amor entre os irmãos. A barra transversal da cruz onde ficaram estendidos os seus braços na horizontalidade, passou a ser o símbolo maior dessa comunhão entre irmãos.

O inusitado diálogo do meu sonho acordado, trouxe-me à tona o “porquê” de Deus ter abandonado o seu Filho na cruz, a sua própria sorte. Por ter vivenciado todas as vicissitudes do drama humano, sem pecar, coube a Ele, assumir as consequências do pecado do homem, sacrificando-se até a morte, para religá-lo com o seu Criador.

Um clarão assomou a minha mente, fazendo-me lembrar do que estava escrito em Hebreus 4: 15: “Pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se de nossas fraquezas, porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado”.

Antes de despertar do meu sonho acordado, vi o Pai levantar-se do seu trono e dar um forte abraço no seu Filho único.

Antes de se retirar, tive a impressão de ver o Filho dirigir o seu olhar até onde eu estava. Não tive dúvida de que foi para mim que ele falou, encerrando o maravilhoso diálogo.

 Agora meu Pai, entendendo que a guerra interior entre a carne e o espírito é cruel e ininterrupta, toda vez que o homem fraquejar, Eu intercederei por ele, para que a Tua misericórdia o alcance  finalizou o Filho.

Foi essa frase conclusiva que me despertou do sonho acordado, abrindo os meus olhos interiores para enxergar que não estava só na minha caminhada , havia um amigo e irmão sempre ao meu lado, em qualquer situação.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Guerra santa na blogosfera cristã

0 comentários
Por Antônio Mano - Blog Mano & Lívia

Desde que sentenciei-me a empregar momentos do dia com este blog, expressando e reverberando, bati inúmeras vezes na alteração da verdade, que porfia a coroa apologética entre os blogueiros cristãos, os quais desavêm em algumas faixas por mim percebidas.

º Uns de igrejas ditas históricas, com tintura intelectual geralmente;

º Uns de igrejas ditas pentecostais, possuidores de grande teor emocional e coloração espiritual;

º Uns de igrejas neopentecostais ou de outros chamativos, que se contemporizam nas formas e linguagens.

Penso que as questões diversas, têm principalmente, a Bíblia como eixo de rotação. Nisto, reputo que a Bíblia é um livro sagrado. De sagrados textos, inspirações e revelações. De santos (separados) homens escritores. Creio que Deus fala-nos através dela e contra passo não crendo que ela seja A Palava de Deus. Creio na inerrância bíblica e por isso, creio que Jesus Cristo é A Palavra de Deus. Não existe teologia no mundo que faça Deus caber na Bíblia. Se Deus não for maior, a própria é desapreciada à um grande complexo de estórias, e não de histórias.

É certo que muitos se aproveitam disto para “ver” e “ouvir” Deus e anjos (e suas nomenclaturas e ou entendimentos) em lugares diversos e de formas mais diversas ainda. Por isso talvez, Martinho Lutero tenha dito o que disse a respeito de tais experiências. E é pouco depois de Lutero, que viemos perdendo o exercício do discernimento espiritual. É mais seguro, usarmos a Bíblia como âncora e molde. Sim, é seguro, mas também, revela nossa imaturidade e insegurança. Expõe nossa cegueira e temor diante dos detractores que usurpam e manipulam as Sagradas Escrituras e o povo. E isto, nos leva aos embates teológicos.

Não me atrevo a questionar a relevância da blogagem cristã, seria pré-potente, e desonesto, visto que não conheço-a em sua totalidade. O que menciono aqui, é uma generalização cruel e injusta (toda generalização assim se torna), do reflexo da maioria dos (poucos) blogs que leio.

Graças a Deus pelas excepções!

Apesar de discorrer superficialmente, pensei ser interessante reverberar aqui estes pensamentos, mesmo me arriscando a incorrer no mesmo erro.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Reconhecer um Chamado...

0 comentários
Nesses últimos dias fiquei abismado com tanta informação gerada pelos blogs que sigo. Após alguns dias de total relaxo (o meu é claro) fiquei realmente sem saber o que fazer, queria comentar em todos, mas não deu.

Mas alguns posts chamaram-me a atenção, como por exemplo a notícia do blog Aprendiz de Teólogo. Tanto o blog como o podcast chegaram ao fim. Li esse post com muito pesar, embora não acompanhasse de perto a trajetória do editor Féll e da galera que fazia o podcast, é muito triste ver algo terminar assim. Fiquei pensando... e algo que ele disse faz sentido... 'Vale prejudicar estudo, ministérios e família pra se ter um bom blog? Minha resposta foi: Não, não vale.'.



Li outro post sobre algo que nunca imaginaria ler. Prestem atenção, 'Um evento de gala ocorreu em Gaza. O Hamas foi o patrocinador de um casamento em massa para 450 casais. A maioria dos noivos estava na casa dos 25 aos 30 anos; a maioria das noivas tinham menos de dez anos.', retirei esse trecho blog Cristianismo Radical. Não consigo imaginar algo assim (e você?), mas acontece.

Entender por que um blog chega ao fim e o que motiva as pessoas deixarem essas atividades para fazerem algo diferente ou simplesmente começarem a viver melhor é tão difícil quanto imaginar o que leva um homem de 30 anos, casar-se com um menina de 10 anos. Porém para os dois casos e de maneiras bem distintas algo deve acontecer...

Quando vemos pessoas reconhecerem o seu Chamado para missões fica fácil entender essas e tantas outras coisas que acontecem ao nosso redor. Esses tema "O Chamado para Missões" foi abordado pela galera do podcast irmaos.com com a participação de Ariovaldo Ramos e Eduardo Carpenter.

Deus, obrigado por nos fazer entender o porquê de uns receberem o Chamado e deixarem de fazer algo para dedicar-se a Deus, e ver outros que por sua vez são tocados por notícias como a do casamento aí de cima e obedecem o IDE do Senhor Jesus Cristo.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...