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terça-feira, 13 de outubro de 2009

A Teologia da Prosperidade.

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O pessoal do podcast irmaos.com mais uma vez surpreende ao falar de um tema que está assolando a Igreja, a Teologia da Prosperidade. Falam com propriedade e com muito bom humor.

A Adriana desta vez mostra toda sua indignação com esse papo. rsrs

Paulinho, João R. Weronka e Marcelo, parabéns pelos argumentos e por 'denunciar' aquilo que todos estão vendo mas poucos fazem algo para mudar, será que é por medo do 'Untado do Senhor'?.

E preparem-se para o 'grand finale' do Giuliano, muito bom mesmo, daria um ótimo tele-evangelista fez direitinho! rsrs.

Pessoal, vale o download!!


Paulinho Degaspari, Adriana Degaspari, Marcelo Mathias, Giuliano Barcelos e João Rodrigo Weronka reúnem-se para falar sobre uma das maiores pragas do cristinismo contemporâneo: a famigerada Teologia da Prosperidade.

Descubra onde surgiu o movimento, quem são seus maiores propagadores, por que ele faz tanto sucesso e quais as vítimas e os culpados de toda essa história, além de ser mais uma vez desafiado por um de nós, agora de uma forma muito especial.


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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Verdade X Alucinação.

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O culto pegava fogo. O frenesi do povo crescia, estimulado por um pastor quase grisalho, engravatado e bastante brilhantina nos cabelos. Mesmo acostumado a ambientes pentecostais, estranhei o exagero dos gestos e das palavras.

Concentrei-me para entender o que o pastor dizia em meio a tantos gritos. Percebi que ele literalmente dava ordens a Deus. Exigia que honrasse a sua Palavra e que não deixasse "nenhuma pessoa ali sem a bênção". Enquanto os decibéis subiam, estranhei o tamanho da sua arrogância. A ousadia do líder contagiou os participantes. Todos pareciam valentes, cheios de coragem. Assombrei-me quando ouvi uma ordem vinda do púlpito: "chegou a hora de colocarmos Deus no canto da parede. Vamos receber o nosso milagre e exigir os nossos direitos". Foi a gota d'água. Levantei-me e fui embora.

Os ambientes religiosos neopentecostais se tornaram alucinatórios porque geram fascínio por poder e pela capacidade de criar um mundo protegido e previsível. Por se sentirem onipotentes, buscam produzir uma realidade fictícia. Para terem esse mundo hipotético, os sujeitos religiosos chegam ao cúmulo de se acharem gabaritados para comandar Deus. É próprio de a religião oferecer segurança, mas os neopentecostais querem produzir garantia existencial com avidez.

Em seus cultos, procuram eliminar as contingências, com a imprevisibilidade dos acidentes e os contratempos do mal. Acreditam-se capazes de domesticar a vida para acabar com possibilidade dos seus filhos adoecerem, das empresas que dirigem falirem e de se safarem, caso estejam em ônibus que despenca no barranco. Almejam uma religião preventiva, que se antecipa aos solavancos da vida. Imaginam-se aptos para transformar a aventura de viver em mar de almirante ou em um céu de brigadeiro.

Acontece que essa ideia de um mundo sem percalços não passa de alucinação. Por mais que se ore, por mais que se bata o pé dando ordens a Deus, o Eclesiastes adverte: "o que acontece com o homem bom, acontece com o pecador; o que acontece com quem faz juramentos acontece com quem teme fazê-lo" (9.2).

Mas a pergunta insiste: por que os cultos neopentecostais lotam auditórios e ganham força na mídia? Repito, pelo simples fato de prometerem aos fiéis o poder de controlar o amanhã; de eliminar os infortúnios e canalizar as bênçãos de Deus para o presente. Quando oram, pretendem gerar ambientes pretensiosamente capazes de antever quaisquer problemas para convertê-los em fortuna e felicidade.

Esta premissa deve ser contestada. Pois, pedir a Deus para nunca se contrariar, ou para ser poupado de acidentes, significa exigir que Ele coloque os seus filhos em uma bolha de aço. A vida é contingente. Tudo pode ocorrer de bom e de ruim. Uma existência sem imprevisibilidade seria maçante. O perigo da tempestade, a ameaça da doença, a eminência da morte fazem o dia a dia interessante.

A verdade não produz necessariamente felicidade. Verdade conduz à lucidez. O delírio, porém, tranqüiliza e gera um contentamento falso. Muitos recorrem à religião porque desejam fugir da verdade e se arrasam porque a paz que alucinação produz não se sustenta diante dos fatos.

Cedo ou tarde, a tempestade chega, o "dia mau" se impõe e o arrazoamento do religioso cai por terra. Interessante observar que Jesus nunca fez promessas mirabolantes. Como não se alinhou aos processos alienantes da religião, Jesus não garantiu um mundo seguro para os seus seguidores. Pelo contrário, avisou que os enviaria como ovelhas para o meio dos lobos e advertiu que muitos seriam entregues à morte por seus familiares. Sem qualquer rodeio, afirmou: "no mundo vocês terão aflições".

Quando o Espírito conduziu Jesus para o deserto, o Diabo lhe ofereceu uma vida segura, sem imprevistos. As três tentações foram ofertas de provisão, prevenção e poder, mas ele as rechaçou porque as considerou mentirosas. O mundo que o Diabo prometia não existe.

Acontece que as pessoas preferem acreditar em suas ilusões. Fugir da crueza da vida é uma grande tentação. Em um primeiro momento, parece cômodo refugiar-se da realidade, negando-a. É bom acreditar que a riqueza, a saúde, a felicidade estão pertinho dos que souberem manipular Deus.

O mundo neopentecostal se desconectou da realidade. Seus seguidores vivem em negação. Não aceitam partilhar a sorte de todos os mortais. Confundem esperança com deslumbre, virtude com onipotência mágica, culto com manipulação de forças esotéricas e espiritualidade com narcisismo religioso.

Os sociólogos têm razão, o crescimento numérico dos evangélicos não arrefecerá nos próximos anos. Entretanto, o problema é qualitativo. O rastro de feridos e decepcionados que embarcaram nessas promessas irreais já é maior do que se imagina.

A demanda por cuidado pastoral vai aumentar. Os egressos do "avivamento evangélico" baterão na porta dos pastores, perguntando: "por que Deus não me ouviu?" ou "o que fiz de errado?". Será preciso responder carinhosamente: "não houve nada de errado com você. Deus não lhe tratou com indiferença. Você apenas alucinou sobre o mundo e misturou fé com fantasia".

Soli Deo Gloria.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Não tenho tanta fé para ser ateu.

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Por Joelson Gomes - Postagem Livre

“Só é possível alcançar Deus se a medição da ignorância é devidamente feita.”
Jean Delumeau, do Collége de France

No mundo atual da pós-modernidade, as certezas dizem, foram pelo ralo, mas mesmo assim, nesse tempo de contradições e bases frágeis, a “ciência” tem travado uma batalha contra a fé, tentando passar a ideia de que só a ciência é concreta. Mas... têm razão os que pensam assim?

A revista francesa “L ‘ Express” convidou 16 eruditos para, nas mais diversas partes do conhecimento humano, responder a questão: “O que não sabemos?”. E as respostas não foram nada animadoras.

O paleontólogo Yves Copper diz que: “a origem do ser humano é uma verdadeira confusão (quão diferente das revistas pseudo-cientificas tipo: Galileu, Superinteressante, e afins, que dão a evolução como certa), quanto mais fósseis são encontrados, mais nos confrontamos com primatas diferentes. Hoje estamos diante de uma multidão de personagens e não sabemos como estabelecer a relação entre eles ... Nossa filiação torna-se um verdadeiro quebra-cabeça.” E conclui irônico: “ O acaso é responsável por transformações oportunas demais para se acreditar”. (1)

Com isso parece concordar o astrofísico Hubert Reeves, ele escreve que a “evolução do Universo foi governada pelas leis físicas, forças que combinam as partículas elementares - os átomos, as moléculas - depois criáramos grandes corpos celestes ... Essas leis são perfeitamente ajustadas, eles têm as propriedades ideais, mais exactamente aquelas que lhe eram necessárias para sair de seu estado inicial e produzir coisas cada vez mais complexas ... De onde vem essa magnífica coerência?”

Já o virologista Luc Montagnier afirma que na sua disciplina o que não faltam são questões. “Uma de nossas ignorâncias é sobre o lugar da vida no Universo ... Sabe-se que toda forma de vida na Terra é resultado de uma seleção”. Mas existe a pergunta, quem fez a seleção? E os códigos genéticos que desapareceram? Ele conclui: “nós nunca saberemos”.

Françoise Héritien Auge, antropóloga, depois de colocar diversas questões sobre o sistema de parentesco, afirma que não há resposta para as suas perguntas.

Jacques Testart, bióloga da reprodução, começa suas palavras dizendo que há um monte de coisas ignoradas na sua ciência. “Na verdade, nós não compreedemos nada de nada ... Não se sabe, absolutamente, porque o ovo se divide em dois” no caso de gêmeos.

Para o médico Etienne Baulieu, na sua área a ignorância de estende a tantos aspectos, que não poderia numerá-los. Afirma que “nenhuma descoberta atual nos fornece dados suficientes para supormos que a vida possa se estender por mais de 120 anos (interessante seria ler o que está em Gênesis 6:3) limite que hoje conhecemos”.

Na Historia da Arte, Pierre Rosemberg, diretor do Louvre, diz que o que não faltam são enigmas não resolvidos. “Em nossa profissão, a ignorância é geral e a competência limitada”.

Na História da Literatura, Marc Fumaroli, do College de France, limitando-se a La Fontaine, diz: “Tudo o que escrevemos pode ser , de um dia para o outro, desmentido, ou, em todo caso, profundamente revisado ... é preciso questionar-se toda hora sobre a validade dos instrumentos de que nos servimos”.

Também para Xavier Le Pichon, que estuda Geofísica e Geodinâmica, também do College de France, sua disciplina é um mar de ignorância. Como exemplo, lutam, lutam, e não conseguem prever terremotos.

A historiadora Christiane Desroches – Noblecourtt, com 65 anos de experiência no assunto, fala das ignorâncias de sua área destacando três: a religião, a pirâmide de Quéops, e os signos do zodíaco. Em tudo isso só trevas, as mais espessas.

O Linguista Claude Hagége, diz que: “em 90% dos casos, não sabemos qual é a origem de uma palavra”.

No campo da Neurobiologia Jean Pierre Changeux, depois de colocar diversos problemas em sua disciplina, conclui: “Como se desenrola tudo isso? Ignoramos amplamente”.

E a Literatura Grega, para a acadêmica Jacqueline de Romilly, é um poço de desconhecimento. Como a Psiquiatria, para o professor Edouard Zarifian, é um iceberg de ignorância.

Diante de tudo isso, eu prefiro ter fé, é muito mais racional. O alarde que a pseudo-ciência tem feito atualmente, não tem valor nenhum, nem fundo de verdade. É mais irracional do que a religião que ela condena. É impossível tirar Deus do Universo, quem tenta paga mico. E pagar mico? Eu não...

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(1) Todos os depoimentos foram publicados no Caderno 2, de O Estado de São Paulo, 10/09/1995.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Deus nas mãos de pecadores irados.

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O pastor congregacional e teólogo estadunidense Jonathan Edwards ficou mundialmente famoso nos âmbitos secular e religioso por ter pregado um dos sermões mais impactantes e conhecidos da história do Cristianismo. Após ter ficado três dias sem comer e dormir, pedindo a Deus que lhe desse a Nova Inglaterra, Edwards, de posse de um manuscrito segurado tão rente aos olhos que tapava seu rosto à multidão (ele era míope), começou a explanar aos seus ouvintes a real e aterrorizante situação dos “Pecadores nas mãos de um Deus irado”, baseando-se apenas em um trecho de Deuteronômio 32.35 (“... a seu tempo, quando resvalar o seu pé”). Esse sermão foi proferido na noite de 8 de julho de 1741, na capela de Enfield, no estado de Connecticut (EUA), por ocasião do “Grande Despertamento” ocorrido naquela região.

Mais de dois séculos e meio se passaram, e o sermão de Edwards ainda é lembrado com alguma nostalgia por parte de muitos cristãos hodiernos. As alusões aos ouvintes agarrando-se aos bancos por pensarem que iam cair no fogo do inferno enquanto Edwards pregava são abundantes nos lábios dos pregadores e nas penas (ou teclas) dos escritores das épocas subsequentes. Entretanto, um grave erro aconteceu nessa transição de épocas. Os pregadores modernos presumiram que poderiam aperfeiçoar a abordagem de Edwards, e o resultado disso foi uma verdadeira tragédia para a sã doutrina. Começando por Charles Finney (1792-1895) até aos pregadores contemporâneos, a pregação declinou da centralidade em Deus para as necessidades do homem. A ira do Criador cedeu espaço aos caprichos da criatura nos discursos humanistas, inadequadamente chamados de pregação, fazendo com que a soberania de Deus fosse banida do ideário popular dito evangélico.

Isso resultou em um processo de descaracterização do evangelho. A força e firmeza doutrinária tão característica nos puritanos cedeu lugar a um novo tipo de “fé” que emergia dos ideais iluministas. O pragmatismo finneyano alterou radicalmente o modus operandi da igreja, que agora passou a existir unicamente para agradar aos homens. Os fins passaram a justificar os meios quando o assunto era ganhar os perdidos. “Não importa o método. Se deu certo, é porque é de Deus” – um arroubo triunfalista que sugere a ideia de um “pragmatismo consagrado”[1]. Isso fez com que os pregadores adequassem sua pregação e teologia a essa nova concepção de ser igreja no mundo, mesmo que tal adequação implicasse em flagrante contradição com ensinamentos claros das Escrituras. O sistema calvinista de doutrina foi rejeitado por se mostrar “opressivo” e por impedir a “manifestação da potencialidade humana”, com suas “ênfases na soberania de Deus, na depravação do homem, na escravidão da vontade e na conseqüente incapacidade humana para as grandes escolhas”[2]. A rejeição aos postulados dos reformadores foi deliberada.

Todo esse legado finneyano chegou intacto ao século XXI. Se na época de Finney o pecador era convidado a “aceitar” a Jesus, hoje ele não somente é conclamado a fazê-lo, mas também a “determinar” que seja por Deus abençoado, já que agora um “pacto” foi estabelecido. As pessoas são alimentadas com a ideia de que, agora que são crentes, tem o direito de ser abençoadas, e “ai” de Deus se alguma cláusula nesse “contrato” for violada. Nesse caso, Deus senta calado no banco dos réus para ser julgado pelo homem. Isso sem falar na aversão que os crentes modernos tem a palavras negativas como “ira”, “pecado”, “inferno” etc., palavras essas que foram abolidas do vocabulário de muitos pregadores contemporâneos (a não ser quando se fala da “infidelidade” financeira dos fieis). Para muitos cristãos da atualidade, falar em um Deus irado é uma ofensa grosseira aos ouvidos do cidadão pós-moderno. A própria noção de um Deus irado é incompatível com a sua natureza bondosa de Pai. O homem, pensam eles, não precisa conhecer um Deus irado, e sim, um Deus de amor, que está sempre de braços abertos. Toda essa ordem de coisas faz com que o título do sermão de Jonathan Edwards seja convertido para “Deus nas mãos de pecadores irados”, como bem observou R. C. Sproul, significando algo mais do que uma simples mudança na ordem das palavras.

Felizmente, Jonathan Edwards não viveu o suficiente para ver como os pregadores modernos torceram impiedosamente o seu sermão. Ele morreu de varíola em março de 1758, mas provavelmente morreria de infarto se porventura ainda lhe restasse uns séculos a mais de vida. Fico a refletir no que Edwards pensaria dos tele-evangelistas e “avivalistas” da atualidade, muitos dos quais se auto-intitulam “apóstolos” e “profetas”, que ficam querendo incutir na mente das ovelhas que elas agora podem tudo, inclusive inquirir a Deus, exigindo-lhe a sua parte no acordo. Não conheço nenhum pronunciamento de Edwards sobre esse particular, mas suponho que ele pregaria algo parecido com “Pregadores nas mãos de um Deus irado”. Nesse caso, seria bom que ele ainda estivesse vivo. A menos que novas vozes surjam no meio de todo esse escombro eclesiástico, para que Deus promova outro “Grande Despertamento” em nossos dias.

Soli Deo Gloria!!!

***
[1] Termo cunhado por Peter Wagner. Ver PORTELA, Solano. Planejando os rumos da igreja: Pontos positivos e críticas de posições contemporâneas. Nota de rodapé nº 9, Fides Reformata, vol. I, nº 2 (julho-dezembro 1996), 84.
[2] SOUSA, Jadiel Martins. Charles Finney e a secularização da igreja. São Paulo. Edições Parakletos, 2002. Pág. 92.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Carta Aberta aos 'Editores Apologéticos'.

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Muito já foi dito sobre esse assunto e por inúmeras vezes cheguei a exaustão ao pensar no que realmente importa para a maioria dos blogueiros evangélicos. É verdade, sumiram as mensagens do Evangelho, estamos vivendo momentos de revolta com tudo, absolutamente tudo, que esteja ligado a uma instituição religiosa, perdemos o senso e ridicularizamos uns aos outros. E é por isso que publico esta carta de autoria do Danilo Miguel, do blog Sem Forma!, inspirado no post do Newton Carpintero, e postado também em O Cristão Revoltado!.

"A CARTA"

Cada dia que se passa eu sinto mais nojo por aquilo que estão chamando de religião. É uma revolta muito grande com tudo o que se tem feito em nome de Deus. Quando imaginamos que já chegou-se ao fundo do poço, surge um novo modismo, um novo falso profeta, uma nova igreja, uma nova “visão”, uma nova “unção” e por aí afora. O povo, ignorante, se enreda cada vez mais e mais atrás desses movimentos. Basta surgir um “profeta” mais forte ou um curandeiro mais famoso que todos estão lá seguindo-o, venerando-o e até mesmo o adorando. Onde vamos parar desse jeito?

Já há muito venho ouvindo o jargão (sim, já virou um jargão!): “Tudo isso já estava predito, está lá na Bíblia”. Sim, isso é fato mas e daí? Vamos cruzar os braços e ver o diabo levando cada vez mais vidas para o abismo eterno? Vamos ficar calados e deixar esses mercenários malditos enganar o povo e afastá-los cada vez mais de Deus? Vamos deixar a situação como está, só porque já estava predita? Se for assim vamos deixar também de trabalhar, de estudar, de cuidar de nossas famílias, de viver afinal Jesus vai voltar e nos levar para a Eternidade. Pra que se preocupar com as coisas deste mundo?

Quando comecei a escrever meus textos apologéticos há um bom tempo atrás – este blog é relativamente novo, venho escrevendo há mais de 3 anos, em diversos outros blogs – existia uma meia dúzia de blogs e sites que se prestavam a este ministério. Hoje é enorme o número de blogs que se dizem apologéticos, uns até começaram fazendo um trabalho sério, mas hoje não passam de vitrines de ideias infundadas, com mensagens sem profundidade alguma, apontando erros e mais erros dos outros mas se esquecendo de apontar o Alvo. Editores que foram tomados pelo “estrelismo” e assim deixaram de ter compromisso com a Verdade e escrevem para gerar tráfico, ter visitas, ficar famoso! Se até nesse meio a coisa tá assim, imagina por aí!!!

Não é difícil encontrar deturpações do Evangelho, ou melhor, não está fácil encontrar um lugar onde se prega O Evangelho. Neste mundão sem fronteira chamado internet mesmo a gente vê cada coisa de arrepiar. Isso provoca revolta, ira até, por causa do zelo que o Senhor tem colocado em meu coração para com Sua Obra. Sei que não sou um Lutero da vida, nunca almejei o ser, mas procuro, através de minhas letras, externar um pouco daquilo que sinto, daquilo que vejo e da dor que sinto ao ver a Obra caminhando por estas bandas. Estive um tempo sem postar aqui – quem me acompanha sabe os motivos – e neste pouco tempo algumas coisas mudaram. Como disse anteriormente, blogs que antes eram sérios, compromissados, hoje não passam de um amontoado de palavras sem sentido, sem propósito, ou melhor, com o propósito de promover o editor (ou editores) e, até mesmo, com piadinhas infames. Perderam o foco!

A questão não é acusar, denunciar ou até mesmo debochar. O que está por trás de tudo o que temos visto e vivido vai além: trata-se da salvação eterna (ou morte eterna) de cada indivíduo, de cada alma pela qual o Senhor Jesus pagou tão alto preço. O mundo tem caminhado a passos largos para o inferno, e muitas vezes nos esquecemos disso. Muitas vezes o deboche toma o lugar da dor pelos perdidos. Satanás não tem perdido tempo, ao contrário, tem mais do que nunca investido todo seu poder, toda sua estrutura no intuito de afastar o homem de Deus. E tem conseguido! Sim, tem conseguido porque homens e mulheres que deveriam estar fazendo seu papel estão perdendo tempo com coisas que não deveriam. A igreja (note: igreja e não Igreja) tem sido mutilada como nunca. Os valores do mundo nunca estiveram tão presentes em nosso meio, o diabo nunca usou tanto o púlpito (que deveria ser cristão) para pregar suas falácias, seus enganos. E nós, o que temos feito?

Não dá mais tempo para ficar brincando, de ficar competindo para saber quem escreve mais e melhor, quem tem mais visita, quem tem o blog/site mais bonito, quem prega melhor, quem é isso ou aquilo. E eu me refiro não só ao escopo do mundo virtual, mas em todos os âmbitos de nossa vida. Até quando vamos ficar perdendo tempo? Devemos sim, como atalaias de Cristo anunciar, ou melhor, denunciar os erros e enganos mas jamais devemos perder o foco, fugir à missão: pregar o Evangelho! Ter zelo pela Palavra de Deus não basta, Ela precisa ser pregada. Se há erros, devem ser denunciados. Mas se eles existem é porque falta instrução, porque o povo está sedento de algo que nós podemos oferecer, mas temos falhado nisso. E não adianta alguém querer ficar ofendido com o que escrevo, pois esta é a relidade dura e crua. Estamos falhando na missão que Jesus nos deixou. Enquanto isso os falsos profetas, que surgem aos tantos todos os dias, têm triunfado e conseguido êxito em suas empreitadas, tanto humana quanto espiriritual.

Mamon nunca foi tão cultuado como tem sido nestes últimos dias. Verdadeiros altares têm-se levantado para ele, templos suntuosos são construídos, a mídia tem estado ao seu lado e a igreja, claro, tem dado ao deus do dinheiro mais valor que ao Deus Eterno. Idolatria? Sim, evidente. Mas muito mais que isso, muito mais que arrancar dinheiro dos incautos, está a questão da salvação em Cristo. O sangue inocente derramado na cruz para remissão dos nossos pecados está sendo debochado, desmerecido, esquecido… Tudo o que o Senhor sofreu para nos garantir a salvação não é nada, não tem valor algum. Sua morte e ressureição servem somente para demonstrações teatrais para atrair mais e mais clientes – não fieis. O dízimo é o deus, as ofertas os atores principais. Sua alma? Essa que vá para o inferno!

Pode parecer um tanto exagerado de minha parte, mas quem pode dizer que estou errado? Não sou o dono da verdade, nem nunca serei mas tenho zelo pela Verdade e pelo Senhor. Não sou melhor que ninguém mas como costumo dizer: apenas um servo. Mas isso não me dá o direito (ou dever) de ficar calado, de braços cruzados, estático a tudo o que tem acontecido ao meu redor. Se estes pilantras malditos querem os prazeres deste mundo, que fiquem com ele. Se preferem a glória do diabo à Glória de Deus, que fiquem com ela. Mas que o façam sozinhos, não levando uma multidão sem-número de leigos e incautos com eles. Vamos cruzar os braços e continuar a entoar o mantra: “Isso tudo já estava previsto”? ou vamos arregaçar as mangas e batalhar pelo genuíno Evangelho de Jesus Cristo e a salvação das almas, pelas quais o Senhor deu a própria vida? Ou você é egoísta ao ponto de ter sua salvação garantida (será?) e não se preocupar com mais ninguém?

Voltemos ao Evangelho, voltemos para Deus. Vamos deixar os prazeres deste mundo para aqueles que, mesmo conhecendo as riquezas de Deus – e eu falo em termos espirituais – preferem a dor das trevas. Focar novamente no Senhor e levar para Ele estes que hoje são enganados. Mas não devemos nunca esquecer que muito mais do que o que vemos e ouvimos, tem algo por trás. Sim, há um mundo espiritual que deve ser lembrado e combatido. Nunca com força humana ou conhecimentos deste mundo, mas sempre com oração, muita oração e renúncia. Mais do que fulano que prega isso ou ciclano que faz aquilo, devemos ter em mente que quem está por trás dele não é sua vontade ou o Senhor (ou Deus iria contra seus próprios princípios?), mas sim os poderes das trevas, o domínio de Satanás e seus demônios. Não adianta somente ficarmos combatendo as ações do mundo, afinal nossa luta não é contra a carne nem o sangue, sabemos disso. Ou pelo menos deveríamos saber.

Antes de escrever, de denúnciar ou até mesmo – e principalmente – evangelizar, temos que orar. Buscar ao Senhor, depender d’Ele, fazer Sua vontade, ouvir Sua voz. Não é misticísmo, não é conto de fadas, não é superstição. Se somos cristão e temos a Jesus como nosso Senhor e Salvador precisamos ter comunhão com Deus. Fora disso, tudo o que fazemos é em vão. Vamos parar de acariciar nossos egos e enfrentar a realidade. Coloque sua vida à disposição do Senhor e ame os perdidos, valorize aqueles por quem o Senhor deu sua vida. Voltemos ao Evangelho!

Com amor,

Danilo Miguel

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A unção de Rick Warren ou a unção do Apóstolo Paulo?

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O apóstolo Paulo fez quatro viagens missionárias, entre Israel, no Oriente Médio, e a Europa. Tal qual hoje, era uma interação em regiões de culturas religiosas altamente inflamáveis.

Mas como discípulo daquele que é o Príncipe da Paz, por onde andava, Paulo semeava a paz. A missão dele era promover parceria entre as religiões a fim de combater as guerras, a pobreza, a corrupção, as doenças e o analfabetismo.

O trabalho de Paulo era extremamente difícil, pois a ONU — sem mencionar o Rev. Moon — ainda não havia nascido, com sua Iniciativa das Religiões Unidas. Una as religiões em parcerias para o bem, e a paz reinará neste mundo.

Na verdade, Paulo nunca agiu dessa forma, mas cristãos liberais e esquerdistas bem que gostariam que ele tivesse tido tal mentalidade.

E se Paulo fosse um pastor famoso dos nossos dias? Ele seguiria ou não uma teologia de “paz e harmonia com tudo e com todos” se vivesse em nossa geração? Ele sacrificaria uma estratosférica reputação secular arriscando fazer a vontade de Deus, que muitas vezes está na contramão da sociedade e dos sistemas religiosos? Ou ele agradaria a todos, a fim de conservar uma boa imagem diante do público e garantir o sucesso televisivo?

Não dá para saber exatamente o que Paulo faria em nossos dias, mas certamente dá para ver o que pastores famosos estão fazendo hoje.

Dias atrás, Rick Warren conseguiu de novo.

Ele participou de um importante evento muçulmano, onde pediu parceria entre muçulmanos e cristãos para combater as guerras, a pobreza, a corrupção, as doenças e o analfabetismo.

Por onde passa, Warren deixa em seu rastro paz e harmonia entre diferentes religiosos.

Não é errado nem pecado querer a paz. Mas quando o Evangelho verdadeiro entra num lugar, Jesus diz o que acontece:

“Vocês pensam que eu vim trazer paz ao mundo? Pois eu afirmo a vocês que não vim trazer paz, mas divisão. Porque daqui em diante uma família de cinco pessoas ficará dividida: três contra duas e duas contra três. Os pais vão ficar contra os filhos, e os filhos, contra os pais. As mães vão ficar contra as filhas, e as filhas, contra as mães. As sogras vão ficar contra as noras, e as noras, contra as sogras.” (Lucas 12:51-53)


O apóstolo Paulo é prova dessa verdade. Suas atividades missionárias lhe custaram experiências bem distantes de “paz e harmonia”. Paulo mesmo diz:

“Tenho sido chicoteado… e muitas vezes estive em perigo de morte. Em cinco ocasiões os judeus me deram trinta e nove chicotadas. Três vezes os romanos me bateram com porretes, e uma vez fui apedrejado. Três vezes o navio em que eu estava viajando afundou, e numa dessas vezes passei vinte e quatro horas boiando no mar. Nas muitas viagens que fiz, tenho estado em perigos de inundações e de ladrões; em perigos causados pelos meus patrícios, os judeus, e também pelos não-judeus. Tenho estado no meio de perigos nas cidades, nos desertos e em alto mar; e também em perigos causados por falsos irmãos. Tenho tido trabalhos e canseiras. Muitas vezes tenho ficado sem dormir. Tenho passado fome e sede; têm me faltado casa, comida e roupas.” (2 Coríntios 11:23-27)


Olhando para o confortabilíssimo sucesso midiático adquirido no mundo, alguém como Warren teria muita dificuldade de se enveredar pelos caminhos espinhosos, intranquilos e desconfortáveis de Paulo. Ele preferiria se envolver nos assuntos da moda — aquecimento global, AIDS, etc. —, sem ofender ninguém.

Um Paulo provoca “transtornos”, seja no primeiro século ou no século 21. Um Warren que faz sucesso no mundo secular e religioso do século 21 com sua mensagem de “parceria entre todos” teria dificuldade de fazer o mesmo sucesso no primeiro século?

Evidentemente, o mesmo mundo que rejeitava Paulo há 2.000 anos o rejeitaria hoje. Paulo simplesmente não sabia se envolver nos assuntos da moda e promover parceria entre diferentes religiões para combater a fome, guerras, etc. O que ele acharia de receber um pouco da “unção de Warren”?

Não se sabe se Warren está agradando a Deus com seus agrados aos grandes, aos poderosos e aos religiosos. Mas sabe-se com certeza que Paulo agradava a Deus e não agradava aos grandes, aos poderosos e aos religiosos.

O que Rick Warren acharia de receber um pouco da “unção de Paulo”?

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Adestramento cristão.

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Crente é um bicho estranho. Você grita “AMÉM?” e ele responde gritando o mesmo. Se perguntar pela segunda vez, ele responderá mais alto. Se no meio do louvor você gritar “pule na presença do Senhorrrrrrrr”, então eles pulam. Se você dançar de modo estranho, verá correspondência imediata nas pessoas.

Sua linguagem é facilmente influenciável por jargões. Basta pegar qualquer expressão bíblica cujo significado seja obscuro para a maioria, e pronto! Também colam as expressões inventadas que possuem aparência de espiritual, como por exemplo “ato profético”. Difícil de crer que nem existe esta expressão na Bíblia né?

Facilmente também estereotipamos outras coisas que fazem do crente um ser quase alienígena: os lugares que frequenta, o conteúdo de suas conversas e a aversão às coisas “do mundo”.

Pena que os crentes não são condicionados a obedecer a todo tipo de “comando”. Parece que o adestramento a que foram submetidos possui limitações. Nem todos aceitam sugestionamentos que os levem a renunciar a seus interesses; ou dividirem suas posses com os necessitados; ou mesmo disponibilizar tempo para aqueles que estão abandonados em asilos, orfanatos e nas ruas.

Ah… antes que eu me esqueça, quero deixar claro que amo os crentes. E exatamente por ser um deles é que me incomodo tanto com estas coisas incompreensíveis que aceitamos passivamente em nossa conduta.

***

Comentário e resposta!

Fala Ariovaldo!!

Tudo que disse aí é a mais pura verdade!

Temos vivido um momento de estagnação nas igrejas, onde o modismo dos jargões estão em alta.

Hoje em dia os crentes buscam o bispo, o apóstolo, o profeta, suas profecias, suas palavras abençoadas, daí quando encontram ficam por um tempo até que tais palavras/profecias do individuo não estejam mais de acordo com os anseios do seu coração e correm atrás de outro mais espiritual, avivado … o ungido do Senhor!

Eles esquecem que o que mais importa é o relacionamento íntimo com Deus.

Abçs!!

Ariovaldo > Cara… eu sinceramente tô cansado desse espiritualismo idiota. Não consigo entender mesmo por que as pessoas estão se alimentando deste self service de hipocrisia. Ainda bem que a salvação é pro remanescente! Um abraço.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Everything - Jesus drama.

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Lifehouse's Everything

Find me there, And speak to me
I want to feel you, I need to hear you
You are the light, That's leading me, To the place
Where I find peace.. again

You are the strength, That keeps me walking
You are the hope, That keeps me trusting
You are the life, To my soul
You are my purpose, You're everything

And how can I stand here with you
And not be moved by you
Would you tell me how could it be any better than this

You calm the storms, And you give me rest
You hold me in your hands, You won't let me fall
You steal my heart, And you take my breath away
Would you take me in, Take me deeper, now

And how can I stand here with you
And not be moved by you
Would you tell me how could it be any better than this

And how can I stand here with you
And not be moved by you
Would you tell me how could it be any better than this

'Cause you're all that I want, You're all I need
You're everything, everything
You're all I want, You're all I need
You're everything, everything
You're all I want, You're all I need
You're everything, everything
You're all I want, You're all I need
Everything, everything

And how can I stand here with you
And not be moved by you
Would you tell me how could it be any better than this

And how can I stand here with you
And not be moved by you
Would you tell me how could it be any better any better than this

And how can I stand here with you
And not be moved by you
Would you tell me how could it be any better than this
Would you tell me how could it be any better than this

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Ser ou não ser Pedro, eis a questão.

4 comentários

Momentos antes de sua prisão, e logo após a sua última ceia, Cristo presenciou um forte bate-boca entre os discípulos; eles discutiam quem entre eles seria o maior. Foi nessa ocasião que o Mestre deu uma grande lição aos seus pupilos, ao dizer: “o maior entre vós, seja como o menor; e quem governa seja como quem serve”.

Os últimos instantes do Mestre junto aos seus discípulos, narrados por Lucas, nos dá a impressão de que Pedro estava meio alheio ante a gravidade dos fatos que estavam prestes a acontecer, quando Cristo, veementemente, o chamou por duas vezes para transmitir-lhe uma notícia não muito boa. Disse Cristo: “Simão, Simão, Satanás vos pediu para vos peneirar como trigo. Mas eu roguei por ti para que a tua fé não desfaleça. E tu quando te converterdes, fortalece os teus irmãos” (Lucas 22: 31 – 32)

O quanto se torna difícil entender que Pedro não era um convertido, quando se sabe que lá no começo de sua caminhada cristã ele tinha dado provas de sua extraordinária convicção, ao responder enfaticamente diante do Mestre dos mestres: “Tu És o Cristo, Filho do Deus vivo!” (Mateus 16: 16)

Quem poderá imaginar o que deve ter passado pela cabeça de Pedro ao ouvir da boca do Mestre (lá atrás no começo de Seu Ministério) essa grandiloquente declaração: “Eu te darei as chaves do Reino dos céus” (Mateus 16: 19). Um presente como esse, para quem não era ainda um convertido, no mínimo deve ter levado o EGO desse apóstolo às alturas, e ao mesmo tempo deve ter deixado os outros discípulos em um conflito interno movido por pitadas de inveja. Ao serem tomados por este sorrateiro e sutil sentimento, quem sabe, se os outros apóstolos não confabularam entre si, dizendo o correspondente a frase comumente usada hoje: "Esse é o cara?"

À primeira vista, a confrontação das passagens de Mateus com as de Lucas, pode nos levar, racionalmente, a entender que Pedro era um convencido e não um convertido.

Mas afinal: Quem somos nós? Somos ou não somos convertidos?

Isto nos leva a refletir sobre o dilema de Hamlet: “Ser ou não ser, eis a questão”.

Mas, os pressupostos do cristianismo sinalizam que o “ser” ou “não ser” não é uma questão. Se, somos seres em movimento e não entidades estáticas, podemos “ser” e “não ser”. Em nossa caminhada diuturna, a luz do sol clareia pela manhã um lado do nosso corpo, parte essa do corpo que mais tarde, será tomada pela escuridão da sombra. É impossível fugir da rotina fatigante, que nos traz um mal a cada dia.

O meu eu transcendental que diz que sou um convertido, ignora o sol de minha individualidade e de minha realidade. Tenho momentos de fé e de contemplação, mas, também, tenho momentos de dúvidas e de descrenças.

Sobre a noção de que o SER é uma substância intemporal e imutável como pensava Parmênides e Platão, eu contraponho o conceito de Heráclito e Hegel de que a vida é um processo e não algo determinado, como uma substância. A vida é um eterno “transformar-se” e isto implica mudanças, em que o que temos como a verdade de hoje, não necessariamente, será a verdade de amanhã. A renovação do nosso entendimento implica transformações (é Bíblico). As notas musicais são as mesmas, apenas mudamos a posição das mesmas na pauta, para que se possa cantar um cântico novo.

Sou humano, por isso, não nego que ora em minha caminhada tenho sido o "Pedro" de Mateus 16: 16, e em outros momentos tenho me sentido como o "Pedro" de Lucas 22: 31. Às vezes, sinto-me resplandecente ante a glória dos céus, como ocorreu com Pedro lá no monte da transfiguração; outras vezes, sinto-me triste e acabrunhado quando Cristo sussurra ao meu ouvido, dizendo que ainda não sou um convertido, como aconteceu com o Pedro narrado em Lucas.

Quem me livrará desse terrível paradoxo, que me faz, às vezes, ser o Pedro com as chaves do reino dos céus nas mãos, e outras vezes, ser o Pedro envergonhado por negar a Cristo, três vezes seguidas, mesmo tendo sido alertado antes, que o diabo queria com ele cirandar.

Não! Decididamente, não posso aplicar aqui, o conceito Shakespeareano do “Ser ou não ser, eis a questão”

Fico com o filósofo Paulo de Tarso que disse: “pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço”. No momento em que digo: “sou” fraco, Ele diz és forte. No momento que penso “ser” forte, Ele me mostra o contrário.

Que me perdoe Shakespeare, mas com o advento de Cristo não há mais questão a ser resolvida, pois o ideal do “ser” é sustentado pela esperança de vida eterna. Quanto ao “espinho na carne”, símbolo da fraqueza do “querer ser” quando não se “pode ser” ─ a Graça Divina me basta, pois é ela que preenche a lacuna do meu vazio existencial. É justamente ela, que me faz entender que o poder de Deus se aperfeiçoa na fraqueza do “não poder ser”.

Sendo assim, o “ser convertido” e o não “ser convertido” são apenas instâncias ou momentos na vida do crente; são as faces opostas de uma daquelas monumentais pedras a que Cristo se referiu, quando falou que sobre ela construiria a sua Igreja. Em outras palavras, Ele quis dizer que, sobre as vicissitudes e faces paradoxais do homem (loucura para os sábios), se assentariam as bases de uma nova aliança Divina, que busca incessantemente, através da Graça, o “que não é”, para confundir o que “é”.

Porque não dizer que nós somos este Pedro paradoxal?

Porque negar o Pedro que temos dentro de nós, quando sabemos que a pedra (com suas faces opostas) a que Cristo se referiu, é uma das maiores metáforas existenciais que, indubitavelmente, simboliza o nosso ser ambivalente com todo o seu corolário de afetos contraditórios?

Sofreremos muito mais, enquanto não atentarmos para essa grande verdade: a de que as faces da PEDRA que habita em nós, jamais poderão ser vistas de um mesmo ângulo. Esta pedra tem várias faces: uma está voltada para cima, outra para baixo, outra para frente, outra para retaguarda e outras para as laterais. Para o expectador que nos vê, há sempre uma parte de nós encoberta, que ele não conhece.

Devemos aceitar de bom grado, esse grande espinho em nossa carne, que é o ter que carregar por toda a nossa vida esta cruz de muitos lados.

“E foi me dado um espinho na carne [...] afim de não me exaltar” (II Coríntios 12: 7)

Legalismo.

5 comentários

Geralmente ouvimos alguém se referir a uma outra pessoa como legalista: “fulano é legalista”. O que significa ser legalista? Quais são as características de uma pessoa legalista? Queremos tratar neste breve artigo sobre este tema.

Legalismo significa que um relacionamento é governado primariamente por regras ou por leis. Pode ser o relacionamento com o próximo ou o relacionamento com Deus. O legalismo está também ligado com a palavra fundamentalismo. Geralmente um legalista é fundamentalista e vice-versa.

Vamos falar sobre o legalismo na vida cristã ou aquele encontrado nos grupos religiosos. Uma pessoa legalista tem uma maneira de ver a vida que ela julga ser à correta, a única certa. Qualquer pessoa que não tem a mesma característica que ela tem, será julgada e muitas vezes condenada. Deixe-me exemplificar. Uma pessoa que gosta de cantar somente hinos e não permite ou não aceita a ideia que alguém pode louvar a Deus com outro estilo musical irá rejeitar o irmão que não canta hinos. O legalista crê que Deus gosta somente de hinos (mesmo que na Bíblia não tenha nenhuma indicação de que Deus somente aceita hinos como louvor) e por isso ele acha que é uma afronta a Deus cantar qualquer coisa que não seja hinos.

Um legalista não tem muita criatividade e nem tem espaço para aceitar qualquer coisa que fere os costumes que ele aprendeu desde cedo na igreja ou em casa. Se o legalista aprendeu que Deus somente ouve a oração de quem usa terno, ele terá dificuldades em ver um jovem de bermudas na igreja. O legalista olha muito para a aparência dos outros. Toda aparência que não combina com aquilo que ele acha normal é condenada. Um legalista fica horrorizado quando um jovem que usa brincos, uma camiseta colorida, cabelos compridos ou raspados. Poderíamos citar muitos exemplos aqui.

Fundamentalmente o problema do legalismo é limitar a maneira como Deus age nas vidas das pessoas. Tudo é julgado a partir dos pré-conceitos que formaram a sua vida cristã. Como consequência do legalismo, nós vamos encontrar a falta de compaixão e a falta de amor. Tudo é levado a ferro e fogo e ai de quem não se enquadra nos seus conceitos. O legalista tem o “dom” de chatear a vida dos outros.

O que podemos fazer com os legalistas? Infelizmente pouca coisa. Primeiro temos que desenvolver um sentimento de compaixão para com eles. Eles acham que são os fortes na fé, mas na verdade são os fracos na fé, pois qualquer coisa que foge daquilo que eles crêem como verdade os abala. Segundo ore por eles. Normalmente os legalistas não são piedosos, portanto, não seja você um legalista ao reverso. Em terceiro lugar procure ser aberto para ouvir o que eles têm a dizer e tente o diálogo. Não sendo possível, respeite a opinião deles (mesmo que eles não respeitem a sua) e toque a vida pra frente, porque é isso mesmo que a Bíblia nos orienta em Hebreus 12.1-3, “... corramos com perseverança olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus Cristo”.

Concluindo eu diria que todos nós devemos ter o cuidado de não sermos legalistas ao reverso, ou seja: eu começo a pensar que somente eu que tenho a mente aberta, estilo de vida despojado e tal é que realmente sabe o que é ser crente em Cristo. Ao fim, nos tornamos exatamente o que eles são – legalista.

“Guarda-me, ó Deus, porque em ti me refugio” Salmo 16:1.
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